sábado, 20 de setembro de 2008

FREE DOWNLOADS - ALBUMS E MIXTAPES

Eu sempre fui meio contra essa proliferação de sites que disponibilizam mp3 e downloads de álbuns sem o consenso do artista. Digo "meio" contra, devido hoje existir uma infinidade de artistas independentes que disponibilizam suas músicas gratuitamente para download, e esses sim considero serem os mais proveitosos. Aqui, você só vai encontrar esse tipo de álbum para download. Somente discos autorizados pelos artistas a serem disponibilizados.  Se você tiver uma mixtape, ou um disco que queira disponibilizar para download gratuito, basta enviar o link com capa para fyadub@yahoo.com.br


Nesse primeiro post, já estão os links para algumas mixtapes e discos, de dancehall e steppa que tinham sido disponibilizados anteriormente no fotolog do fyadub. Aproveitem, logo mais tem mais.


SOUTH AMERICAN 2008 TOUR MIXTAPE - DJ STEPWISE E MR. VEGAS
Download Contínuo MP3 - clique aqui
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ITALIAN DUB COMMUNITY - SHOWCASE VOL. 1
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K-SALAAM & BEATNICK  PRESENT - NY IS BURNING
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KAFOFU RECORDS PRESENTS - JUNGLE RAGGA RIDDIM
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RED LION - SPINNING DEM HOT
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IV BARCELONA REGGAE SOUNDCLASH
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NYABINGI SOUNDS - 100% PURE DUBPLATES
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BAMMY MAN & CUTTY RANKS - SHENK I SHEK - BEAT BOX VERSION


Eu, nesses anos todos, ainda não consegui separar o Reggae, o Dancehall e o Hip Hop, a música eletrônica, deixando cada um em seu respectivo canto. Eu penso que tudo, está literalmente, junto e misturado, mas não de forma homogênia, nessa nova fase do FYADUB, podem ter certeza que toda essa miscelânea estará por aqui.

Esse video é uma prova viva disso, temos o Bammy Man, um clone do Mr. T (se você tiver mais que 25 anos, deve se lembrar de uma séria enlatada dos anos 80 chamada Esquadrão Classe A, em inglês a série era chamada de The A-Team). Fazendo um beat box do riddim Shenk I Shek junto com o maior de todos no dancehall jamaicano Cutty Ranks.

Bammy Man, por aqui, é obscuro, assim como 90% da música boa jamaicana feita por músicos e deejays locais que não se tornaram famosos, mas fizeram o movimento ser o que é hoje.

Só mais uma observação sobre o Bammy Man; Bammy na Jamaica, é um tipo de pãozinho feito com uma farinha especial chamada de cassava. Para ver a primeira parte do video no youtube clique aqui.

Por

RAS Wellington - underground_roots@yahoo.com.br

domingo, 14 de setembro de 2008

DJ STEPWISE


FANTON MOJAH - BLIND TO THE KING [STEPWISE RMX]

DJ Stepwise aka Andrés Octavio é um seletor, produtor e remixer de São Francisco. Nascido na Argentina em Buenos Aires, Stepwise se mudou para os Estados Unidos na adolescência e vive em Bay Area desde 1997. DJ há mais de 12 anos, Stepwise tocou em diversos lugares nos Estados Unidos e pelo mundo afora, em países como Austrália, Espanha, Argentina, Brasil, Colômbia, Canadá e muitos outros...

Stepwise já compartilhou o palco com diversos artistas do main stream do reggae como Midnite, Chuck Fender, Barrington Levy, Yellowman, , Yellowman, Groundation, Eek-a-Mouse, Pato Banton, The Meditations, The Melodians, Army, Abja, Ras Attitude, Batch, Prezident Brown, Fidel Nadal, Rocker T, Heavyweight Dub Champion, Al Pancho, Wadi Gad, e compartilhou experiências com diversos sound systems e seletores.

Em 2006 Stepwise se afiliou ao coletivo Audiopharmacy atuando como DJ residente nos shows do AP.

Stepwise é muito conhecido por suas mixtapes, incluindo FULL CONFIDENCE VOL 1 apresentada por Niyorah, THE OFFICIAL 2008 SOUTH AMERICA TOUR MIX apresentada por Mr. Vegas, Guetto Youths apresentada por Stereo-Lion e muitas outras. Em junho de 2008 Stepwise teve a honra de programar (batidas) e mixar o novo disco de Alika  & Nueva Alianza chamado de Ëducate Yourself”, produzido em formato de mixtape. Um ávido remixer, Stepwise já disponibilizou diversos remixes em 7” pelo seu próprio selo de reggae/dancehall  chamado de S.P.R.

Atualmente Stepwise pode ser visto discotecando em Bay Area e nos aredorres, incluindo sua festa semanal HOLDING FIRM todos os domingos no clube Underground SF em São Francisco. Stepwise também pode ser ouvido ao vivo todas as terças em seu programa de reggae e dancehall Galang Radio apresentado na Colômbia pelo site Superasticion.fm no canal Etíope Channel.

Se quiser mais informações sobre o DJ Stepwise como datas, turnês e programas clique no link http://www.stepwisdj.com

ENTREVISTA MOA ANBESSA

Stranjah, Marcus Iyah e JB
Dessa vez, foi a sound system americana Moa Anbessa radicada no Brasil que nos forneceu uma entrevista falando sobre a criação de sistemas de som, dubplates e varias outras informações muito úteis para você que está planejando montar sua própria sound system. Boa Leitura.

fyadub: como começou o moa anbessa, como foi o encontro entre stranjah, jb e marcus iyah?
stranjah: então, nós começamos, na verdade nós 3 estávamos tocando em lugares diferentes em Chicago, e começou assim, por exemplo, fui numa festa onde o JB tocava aos domingos, eu via ele tocar lá e acabamos nos conhecendo, o Marcus, eu o conhecia porque trabalhava junto com ele, eu passava uns cds de reggae pro Marcus, ele se amarrava, e depois, eu e Marcus começamos a tocar junto aos domingos.

fyadub: e todos vocês já tocavam reggae?
stranjah: sim, todos!!!

fyadub: e como era a seleta de todos? tocavam diferentes músicas, diferentes stilos?
jb: bem, eu penso, que todos traziam diferentes elementos, diferentes estilos, Stranjah tocava mais early reggae, mais rocksteady, ska, rub a dub, Marcus tocava mais sons roots, eu tocava mais new roots, clássicos do reggae, dancehall dos anos 90 e 80, os clássicos do dancehall, e quando nos juntamos e começamos a tocar, dizíamos um a outro “olha isso, ouça isso aqui”, se tornou uma ótima variedade de estilos, e tudo estando junto ficou muito bom, e quando começamos a tocar, numa noite, numa festa, tocamos todos os estilos da história jamaicana, rocksteady, ska, new roots, de tudo.

fyadub: os sons obscuros, o trabalho de buscar discos exclusivos, prensas originais, discos raros, como o moa anbessa trabalha com esses discos, é o mais importante pra sound de vocês?
stranjah: eu não acho que é o mais importante, mas, eu acho que com a variedade, com o grande número de sound systems do mundo inteiro, tem que ser um pouco original, eu tento procurar coisas que já sei que eu gosto, de um jeito, e não tem outro sound system que toca esse disco ao vivo, e quando eu pego uns discos mais roots ou rocksteady, eu tento pegar uns sons, que são antigos mesmo, mas lógico, que de pra tocar numa festa, que tenha uma qualidade que está “Up Beat” ainda, você pode mixar um Sizzla, e tipo, tocar um rocksteady e voltar pra um cut do Bounty Killer, por exemplo, e que esse tune não deixe perder o flow da festa.
jb: para mim, os tunes obscuros, eu coleciono mais para mim mesmo, mas, quando eu toco numa festa, num show, eu toco mais, eu tento levar mais a minha seleção para os “Big Tunes”, que todos conhecem, mas, mixando com algumas coisas obscuras, mas tentando levar os dois juntos, fazendo com que as pessoas ouçam e reconheçam essas músicas, esses “Big Tunes”, mas os sons mais obscuros são pra minha coleção particular, mas, tento tocar esses sons mixando no set, mas não tocando apenas os discos obscuros.

fyadub: aqui no brasil, o “sound system” de reggae tem pouco tempo em midia, e tem uma rapaziada nova que busca informação de como montar uma sound system, quais os elementos básicos para um sound system que está iniciando?
jb: em uma sound system atual, os autofalantes, sons, você sabe, mas o mais difícil, são coisas como, transporte, energia, mas para mim, eu penso, e pra todos nós, o sound system somos nós 3, não apenas um de nós, é muito mais energia, vibração, porque cada um de nós é diferente um do outro, cada um faz coisas diferentes, são estilos diferentes, todos nós tocamos, mas com o tempo nos inspiramos uns nos outros, por causa do Stranjah eu coleciono mais rocksteady e ska, mas pra mim o essencial numa sound system é fazer uma boa festa, tocar boa música, fazer as pessoas dançarem.

stranjah: pra uma sound system, você precisa de autofalantes, alguns amplificadores, alguns discos, espero que tenha vários bons discos, alguns dubplates, um seletor, um operador e um mc. Esse é o básico de um sound system no estilo jamaicano. O operador faz a mixagem, opera a mesa, o seletor seleciona os discos, necessariamente o seletor não precisa por o disco no toca discos, ele pode simplesmente pegar o disco e dar para o operador, estou falando do estilo jamaicano de tocar. E você tem o MC falando no microfone a noite toda, animando o povo. O mc também não é necessariamente o cara que vai cantar a noite inteira, ele pode só falar, agitar a galera.

fyadub: qual o percentual de importância de um dubplate em um sound system?
stranjah: depende do som que você quer fazer, depende aonde você vai com seu sound system, se você não tem “Gol” nenhum com seu sound system, acho que, não sei, dispensável. Cada sound system precisa disso, nem pra fazer um sound clash não, mas é tipo, pra ter um público deles mesmo, que vai gostar dos seus dubplates, seus dubplates é a imagem do seu sound system. Por exemplo, nós fazemos dubplates, fazemos dubplates de sons que nós gostamos, de big tunes, e tocamos dubplates como opção, tocamos sons originais, para manter a vibe, e os dubplates para deixar a marca do Moa Anbessa.
jb: a importância de um dubplate, é o disco “Special”, é tipo assim, nós temos, e você não tem.
stranjah: quer um exemplo nós temos 2 discos iguais, o dubplate, é meu, ninguém tem esse, a gente tem e vocês não tem.

fyadub: o que é um dubplate?
stranjah: um dubplate é uma música especial, uma música exclusiva, feita pelo artista origianal de uma música, por exemplo o Dennis Brown que canta Wolfs & Leopards, ele vai fazer um dubplate dessa mesma música, Wolf & Leopards, mas vai usar o nome do sound system dentro das letras dele mesmo, e ele muda a letra como uma arma mesmo, falando que seu sound system é melhor que o outro, e vai falar o porque, no jeito feito pelos jamaicanos, na cultura Jamaica, como se fosse uma competição. O Dubplate mesmo, é um vinil de metal, com um filme plástico em cima, que se chama acetato. O disco dubplate é bem pesado, mais pesado que um vinil comum.

fyadub: o comércio no reggae, o dubplate influência no giro de dinheiro num sound system, como funciona na jamaica e na europa esse giro de dinheiro? para a sound system e pro artista?
stranjah: o negócio do dubplate, desde o inicio é pra ajudar o sound system e o artista, por exemplo, um artista antigo, dos anos 60, que hoje não faz mais muito show, você tem o negócio do dubplate pra ganhar alguma grana, porque tem todos os novos sound system, que quer tocar sons antigos, o artista vai gravar pra você e você paga ele, agora um sound system que você vê alguns de graça ou mais barato, são feitos pra pessoas que já gravaram com o artista antes, mas de qualquer jeito um dubplate você tem que pagar, o único jeito que você vai conseguir de graça é se você conhecer bem o artista, ou se você convida ele pra tocar, no Brasil, ai por respeito ele vai fazer alguns jingles pra você, e com certeza, se ele estiver na vibe, vai gravar um dubplate..

fyadub: e no exterior como eua, europa, jamaica... movimenta-se dinheiro com isso?
stranjah: muito, isso é negociação feita a base de dinheiro. Japão e Europa, são dois lugares, onde se tem dinheiro por trás dos sound system, e tem que pagar, e os preços ficam cada vez mais altos para todo mundo.
jb: é dinheiro alto para os artistas, e agora a cultura do sound system, e a cultura do clash, esta fazendo isso se tornar grande novamente. Se você for pra Nova Iorque por exemplo, tem clashes toda semana, e tem tempo que o clashes diminuem, e outros que se faz muito, mas agora, a cultura do clash entre as sound system, está voltando novamente. E isso faz com que os artistas ganhem dinheiro. Porque, na maior parte do tempo, eles gravam um single, um álbum, ele recebe uma vez apenas, agora, ele pode continuar ganhando dinheiro fazendo dubplates. Isso é uma forma de fazer o dinheiro continuar girando.
stranjah: quando os artistas não têm show, ou tour, com uma banda, ou outros artistas, eles não tem muito que fazer, então tem que fazer dubplates pra ganhar dinheiro. E dubplates são feitos todos os dias, em todo lugar, em todos os sounds. Você pega o telefone, liga pra a Jamaica, você quer um artista, entra em contato com ele, e pergunta quanto é, e varia o preço também.
jb: hoje em dia está mais caro também produzir um dubplate.

fyadub: quais os principais artistas que voces já gravaram?
jb: Johnny Osbourne, Kandyman, Lone Ranger, Courtney Melody, John Wayne, Echo Minott, Malibu, Quench Aid, Jigsy King, Anthony B, Little Harry, Shaka Shamba, Carlton Livingston, Welton Irie, Pato Banton, John Holt, Lion Tempo, Iyashanti, Jah Vic, já gravamos coisas com Frisco Kid, Jah Mason, Sancho gravou Chase Vampire. Bom nós ja entramos em estudios com vários artistas, tivemos o privilégio de conhecer, cortar dubplates para outros soundsystems, e trabalhar com eles.
stranjah: gostaríamos de dizer a todos os sound systems do Brasil, que estão interessados em dubplates, que estaremos a diposição de vocês, para cortar, e entrar em contato com esses artistas, artistas da Jamaica, de Nova Iorque, da Inglaterra, do Brooklyn.
jb: se quiser podemos fazer esse contato com os artistas.
stranjah: se você tiver uma produção própria, e tiver admiração por um artista, da velha e da nova escola, fazemos os contatos com esses artistas, e o pessoal daqui, que quer gravar, entrar em estúdio, fazer algum dubplate, pode contatar o Moa Anbessa.

fyadub: qual o custo de um dubplate?
stranjah: o acetato mesmo custa mais ou menos entre 45,00 a 60 dolares por um disco dez polegadas.
jb: você pode colocar 4 músicas, duas de cada lado. Um artista pode variar de 100,00 a 5000,00 dólares.

fyadub: quem chega a cobrar 5000 dolares?
jb: Shabba Ranks, Bounty Killer,
stranjah: é muita grana. Rsrs.

fyadub: em quantos países o moa anbessa já passou?
stranjah: EUA, Coréia, Brasil, Amsterdã, França. Marcus Iyah está na Coréia. Polônia também, acho que só.
jb: morei em Amsterdã em 2000.
stranjah: nos EUA, em Chicago, Nova Iorque, Cleveland.

fyadub: o que é um sound clash, como funciona um clash?
stranjah: um Sound Clash tradicional é uma atração, entre dois sound systems que geralmente se conhecem bem, mas tem as “guerras” e não tem, existem 2 tipos de sound clash, no inicio o sound clash é uma coisa pra entreter. Por exemplo, se o Moa Anbessa convidar, por exemplo, o Echo Sound, que são amigos nossos, a gente marca um sound clash, a gente se conhece, então não tem “guerra”, e quando você chega na cena, você fala mal do outro, e vice versa, pra ver como o público reage, e o público é quem tem a palavra final pra ver quem foi melhor, e isso é mais pra gente se divertir e o público experimentar uma coisa diferente, bem tradicional da Jamaica, isso é um tipo de sound clash.

fyadub: e o outro tipo?
stranjah: o outro tipo é melhor você ter muitos dubplates mesmo, rsrs, melhor, esse embate tradicional, é tipo, um cara passa na rádio e fala mal de outro sound, e ouviu, você fica sabendo, ai você liga diz “você falou mal de mim”, começou uma briga, marca um sound clash, e assim se resolve, ai acaba mais ou menos num Dub fi Dub, e do mesmo jeito, o público decide. Ai se vê quem é melhor, o cara vai falar que é melhor que o outro, e o outro fala que é melhor, e blábláblá, e pra eles abrirem a cabeça e os olhos, é o público mesmo que vai falar, só tocando.

fyadub: por vocês terem passado em tantos lugares, como voces veem, comparando com o que rola lá fora com o que está acontecendo no brasil, falando comercialmente.
stranjah: o Brasil é um dos maiores paises que produzem reggae nacional como roots, então já tem um público gigante que gosta dessa música, agora acho que com o sound system, como Echo Sound em São Paulo, vou falar somente dos sounds que eu conheço, como Digitaldubs do Rio de Janeiro, estão fazendo coisas mais tradicionais com artistas nacionais, mais nessas pegada de dancehall classico, de ragga, que eu acho que com o tempo vai trazer mais público, mais gente, e acho que tem um potencial muito grande no Brasil para a comercialização do reggae mesmo.

fyadub: de artistas aqui do brasil quem voces gostaram de ouvir?
jb: Ras Simbá.
stranjah: da galera que eu vi, RAS Simbá, Sambatuh.
jb: do Digitaldubs, o Biguli, tem o B.Negão que não canta muito reggae, mas tem também influência, tem o Gerson da Conceição, uma pegada bem roots, uma voz bem legal também, tem o Jeru Banto, M7, e outros.
stranjah: vários artistas que estão nesse cd do Digitaldubs, que saiu agora, acho que tem muitos cantores bons, mas acho que a gente também é meio que bloqueado.
jb: para mim, o que eu vi de mais legal, pelo que eu vi, apenas um trecho em um clip de uma música, foi RAS Simbá, muito bom, ele é de onde mesmo, da Guiana?

fyadub: sim da guiana inglesa. 
jb: sim, o som é muito bom.

fyadub: agora na cena mundial, vocês vêem, fora o moa anbessa, tem alguém que tem vontade de investir no brasil? tem interesse por parte de produtores, artistas de fora, de investir aqui no brasil?
stranjah: nessa última viagem que eu fiz pra Jamaica, tem esse interesse, eles têm esse poder, vários produtores nos falaram que tinham interesse em desenvolver, fazer combinações entre brasileiros e jamaicanos, mas também pra fazer uma divulgação do mercado jamaicano aqui no Brasil, uma troca de interesses.

fyadub: produção de artistas, vocês tem interesse em produzir também, artistas, produzir musicas, etc?
stranjah: nós temos interesse em montar um estúdio aqui, e produzir algumas coisas. Moa Anbessa é uma loja, uma sound system e um estúdio. Qualquer pessoa que queira gravar, que tenha uma boa voz, que queira cantar, pode contatar o Moa Anbessa, e tentar gravar.

fyadub: e vinil, ainda tem mercado, com o uso agora do copyleft, e a quebra das grandes gravadoras?
jb: eu penso que, que está se desenvolvendo uma cena aqui, a popularidade do reggae está crescendo aqui no Brasil, eu penso que aqui pode acontecer muita coisa, a possibilidade de vender discos aqui, o vinil, é uma boa oportunidade, o pessoal daqui gosta bastante do som, da originalidade, a forma original do dj, como discos, com mais discos a disposição aqui, as pessoas têm vontade de comprá-los.

fyadub: na europa, princípalmente na inglaterra, as sounds que tocam stepper, eles costumam usar outras midias além do vinil, usam md, dat, final scratch, laptops.. voces gostam desse tipo de sound system, dessa linguagem?
stranjah: na verdade isso é um pouco difícil de responder, os sounds que usam MD, eles tocam as produções próprias deles mesmo, isso eu acho que bom para divulgar o seu próprio som para o público, você vai estar fazendo o seu show mesmo, mas também, depende do jeito que está música está gravada, se gravam com uma banda, com instrumentos ao vivo, eu acho melhor tocar ao vivo com banda mesmo, do que tocar uma versão em MD.

fyadub: as produções de dub digital, stepper não agradam muito o moa anbessa?
stranjah: não porque e importante ter um foco, nosso sound e mais na pegada jamaicana, uma história do reggae clássico. Na verdade, se você olhar um cara como o King Jammy ou o Bobby Digital, já o digital existe no reggae de qualquer jeito depois dos anos 80. O stepper é mais para um outro tipo de sound que não estamos tentando ser, deixamos isso pra o Jah Shaka, Ras Kush, Abashanti I, Jah Tubby’s e outros. Mas de um jeito nós quando estamos produzindo as bases fazemos digitalmente também.

fyadub: as versões dos riddims clássicos são produzidas por vocês mesmos?
stranjah: sim, nós usamos um programa que se chama LOGIC, e o estúdio do Moa Anbessa é digital mesmo.

fyadub: vocês gostam de trabalhar com bandas, as vezes?
jb: nós gostamos de trabalhar com músicos ao vivo, mas o estúdio nunca tem um espaço permanente, é um estúdio que viaja com a gente, se muda de Chicago para Nova Iorque, para o Rio, volta para Nova Iorque, é difícil ficar em um espaço para gravar com músicos ao vivo, mas eu penso em, ficando no Rio por um tempo maior, nós vamos trabalhar mais com músicos ao vivo, talvez não uma banda completa, seria legal também, mas, talvez mixar o digital com o ao vivo.

fyadub: voces ajudaram o digitaldubs a gravar o disco single dele, o diaspora em 7 polegadas compacto. como funciona o processo de gravar um compacto na jamaica?
stranjah: é um processo que demora um pouquinho, o processo inicial custa uma grana mesmo, porque na Jamaica, quando você vai cortar um 45rpm, você tem que pagar algumas taxas de primeira prensagem, a primeira vez que você está trabalhando com uma gravadora, uma “Printing Shop”, tudo tem um preço, e quando você corta o primeiro disco, o melhor jeito é cortar mais por menos grana, assim você não perde tanto dinheiro, quando você vai cortar por exemplo 300 discos, pode chegar até 500 dólares, só para 300 discos, assim só pagando discos, fica caro. Quando você entra num “Printing Shop”, e nunca trabalhou com eles, por exemplo os selos, ele não tem seu logotipo, nem nada, tudo é feito em sylk, cada cor separada, e tem que fazer tudo, e isto custa dinheiro e demora, quando eles não tem demora, é como fazer um sylk screen, você paga pela tela e pra “queimar” o desenho original, e depois pela copias, o vinil a mesma coisa, ai você tem que fazer uma matriz, e tal, e já são mais 100,00, 150,00 dólares por cada música. Enfim, pra fazer essa relação entre Brasil e Jamaica, o problema aqui são as taxas, se chegar aqui, e passar pela policia federal com 300 cópias do mesmo disco, ai você vai ter que pagar 50% ou mais de taxas, e se você quer mandar da Jamaica pelo Brasil vai custar uma grana enviar pelo correio, devido ao peso. O ideal pra gente, do Moa Anbessa, é ter uma máquina, uma prensa de Dubplates para ajudar a galera.

fyadub: e vocês pensam em lançar alguma produção própria do moa anbessa?
stranjah: se tudo der certo, em agosto vamos sair com um disco, uma série com um riddim tradicional refeito por nós.

fyadub: seria a mesma formula do doctor’s darling, do rodeo riddim do seed?
stranjah – Isso mesmo. E se eventualmente se tudo der certo, montar um selo, e iniciar as produções, estaremos por trás do estúdio, trabalhos, e nós 3 produzindo.

fyadub: da pra separar o rastafari do reggae, as músicas que voces tocam, sempre tem citações sobre o rasta, da pra ter uma separação do rasta com a música? e qual a visão de voces no rastatafari na música hoje.
jb: hoje existe uma variedade muito grande de músicos, inclusive rastafaris, é difícil pra eu dizer, eu foco mais na música, eu sou um admirador da cultura, mas muito mais da música, a cultura se envolve claro.
stranjah: talvez você possa não ser rasta, mas a crença rasta pode lhe trazer inspirações, você não precisa tentar ser o que você não é, como Morgan Heritage disse, “you dont affi dread to be rasta” (você não precisa ser um dread para ser rasta), simples assim, rasta é uma coisa que você encontra no seu coração, e você não precisa da música, ou ser complexo para ser rasta, você simplesmente vai ser, vai comer, e vai sentir, você vai aprender, em qualquer religião você pode ter isso. Mas, o rastafari e a música nos anos 70, a conexão entre o rasta e a música era forte, porque a palavra que era levada pelo reggae, como Vivian Jackson, Yabby You, foram palavras fortes levadas pelo reggae. Letras rastafaris são fortes por si só. Após o rastafari, se levou a palavra do Bobo Dread, é uma palavra mais forte, mais rebelde e ja mais differente. Impuseram-se mais regras, uma disciplina mais dura. Hoje os artistas, não vou dizer os nomes, porque são muitos nomes, mas alguns artistas, que eram do dancehall, por exemplo uma artista que nasceu nos anos 70, nos final do 70, nos 80, que cresceu ouvindo músicas de rudeboys, letras de guntalk, feitas por “gunmans”, (que era o estilo do momento) durante os 90, ficarao influenciados com essas brincadeiras de badman e infelizmente se tornou mal pra alguns. Mas hoje, o reggae tem muito mais mídia, a essência do rasta, a raiz, que foi raiz de uma música, não tem uma relação tão forte como antes.
jb: o movimento rasta não é mais uma influência tão forte na música hoje em dia.

fyadub: se separou a disciplina rasta do dia a dia, e o trabalho como artista, como músico?
stranjah: olha não sei dizer por todos, mas hoje se tem um mercado muito maior pro reggae mundial, do que se tinha há 15 anos atrás, que esse mercado há 15 anos antes, era maior do que era há 20 anos, então se cresce de uma forma cada vez maior. Mas as pessoas, sem estudar, sem tentar compreender a cultura, vão olhar um cara tocando reggae, ou um outro cantar e gravar uma música, vai tocar coisas que nem mesmo entendem as músicas.

fyadub: a maior dificuldade é entender as letras? a maior dificuldade aqui vocês pensam que é essa, de compreender o que se diz?
jb: sim, se você já fala inglês, já é difícil de entender as letras, os patois no reggae, é difícil, você tem que entender a cultura, se entender a cultura, fica mais fácil de entender a música, o som, mas, é difícil de entender, mesmo pra mim, pro Stranjah, às vezes é difícil.
stranjah: às vezes você volta 50 vezes a música, e diz – o que ele falou?.. ai você volta a 51ª. O som que tentamos tocar, desde o inicio do Moa Anbessa, em Chicago, nós focamos em tocar letras conscientes, em lugares como o Subterrean, nosso foco era no pregar, em Selassie, lettras culturais e tal. Após tem que compreender o Slackness, na brincadeira, na vibração, achamos mais engraçado e divertido, os discos que falam de punnany, e adoramos esses discos, fat gals tunes. Não é a imagem que queremos passar, de desrespeitar uma mulher, são das letras mais engraçadas mesmo e isso tem que entender.
jb: no reggae há muitos estilos, e para mim, quando comecei a tocar, tocava muito mais concious, músicas positivas, na palavra, e quando comecei a pegar o gosto pelo dancehall, do slackness, do guntalk, mas ao mesmo tempo respeitando e compreendendo a outra parte da música, a cultura, a coisa mais cultural, o estilo de vida. Mas quando me mudei para o Brooklyn, 3 anos atrás, eu realmente me abri mais para outros estilos de música, o Brooklyn é a Jamaica fora da Jamaica, tem uma grande população jamaicana, caribenha lá, e muitos dos artistas que tocavam nos anos 80, 90 vieram para os EUA e se mudaram para o Brooklyn. Muitos artistas, muitos estúdios, diferentes estilos de música, de som, eu abri minha mente muito mais para a música, hoje eu posso tocar os antigos, os novos sons do dancehall, é bom, eu vejo dessa forma, é bom para todos.

fyadub: 5 músicas que são a cara do moa anbessa, 5 sons que vocês consideram os big tunes do moa anbessa.
stranjah:
1. Suzy Wong - Nicodemus
2. Gimme Di Weed – Jigsy King
3. Visit of Selassie – Early B
4. Thief In The Night - Gladiators
5. Rub A Dub All The Time – Dennis Brown

jb:
1. Hard Man Fi Dead- Prince Buster
2. Truth & Rights- Johnny Osbourne
3. His Imperial Majesty- Rod Taylor
4. Cry Fi Di Youth- Super Cat
5. King In This Jungle- Sizzla & Jah Cure

fyadub: podem dar as considerações finais e mandar a idéia que quiser, do trabalho do moa anbessa, qualquer coisa.
jb: eu e Stranjah, queremos levar boa música, boas vibrações aqui no Brasil, fizemos bons amigos aqui, amigos que fazem reggae, que curtem reggae, e esperamos que continuemos levando boas mensagens, boa música, boas vibrações, e levar ótimas idéias a todos, discos, qualquer coisa que quiserem podem falar conosco, em nossa homepage http://www.moaanbessasounds.com , se quiser cantar uma música conosco, trabalhar conosco, nos contate pelo website.
stranjah: se você quiser, gravar, mixar, produzir, comprar discos, é só visitar nossa home page, entrar em contato e mandar suas pedidas. Easy

Entrevista cedida em São Paulo no dia 05/06/2006.

MOA ANBESSA SOUND SYSTEM

Marcus Iyah, JB e Stranjah
Stranjah, começou no reggae mostrando grande interesse em Rocksteady e nos primórdios do Ska. Seu primeiro álbum intitulado “Ska Bonanza”, foi lançado em cassete duplo. Após o primeiro álbum, vieram vários outros cassetes como “1000 Volts Of Holt”, “Holy Ground” compilada por Alvin Ranglin, e algumas mixtapes que foram chegaram a ele pelos amigos dos amigos. Ele e seu parceiro Jahneek começaram a produzir mix tapes em CD’s compilando vários clássicos de Rocksteady. Nesse período Stranjah se mudou para Chicago e começou a procurar mais destes títulos raros, e continua procurando e pesquisando até hoje!

Marcus, um RASTA de coração e um entusiasta do reggae sério e consciente, vem já há 20 anos ouvindo e colecionando discos de reggae. Seu primeiro álbum foi “Reggae sunsplash ’81, Tribute To Bob Marley”, este disco acendeu a chama o fogo em seu coração para seguir o lado Raiz e Cultura do reggae. Quando se mudou para Chicago em 1995 ele continuou colecionando discos e avançou para o reggae moderno consciente e o dancehall na sua primeira fase. Marcus podia ser ouvido regularmente em sua seleção de reggae raiz na rádio WLUW 88.7FM em Chicago, durante a o programa Slacky J’s Reggae Vibes Show, continuando a levar a música positiva para a massa de Chicago.

Ao mesmo tempo JB estava discecando aos domingos em uma avenida chamada Subterranean onde tocava clássicos do hip hop e as ultimas novidades do dancehall. JB se aprofundou no reggae em meados dos anos 90 quando começou a relizar a conexão entre o hip hop e a cultura jamaicana. Ao ouvir e coletar discos de hip hop, a inspiração extraída da música jamaicana no hip hop que JB estava escutando. Isso levou JB a uma exploração na “raiz” do hip hop e DJ.

JB iniciou sua coleção de álbuns com discos de reggae moderno. Artistas como Sizzla Kalonji, Capleton, Anthony B e Luciano que estavam começando a lançar discos. Os sons da “nova raiz” do reggae que esses artistas produziam, acendeu o interesse na origem dos riddims usados por aqueles artistas. O número de títulos começou a crescer de forma abrangente com clássicos do Studio One, Treasure Isle, e Channel One dando alguns exemplos.

Eventualmente os 3 estão coligados e se formou uma junção perfeita. Os primeiros eventos semanais juntos aconteceram em um clube chamado Subterrâneo em Chicago durante todos os domingos. Este foi o lugar que Stranjah, Marcus e JB realmente começaram a crescer como soundsytem. As seleções serviram para cada um deles mostrar sua vibração única, adicionando a energia toda criaram. Também incluíram muitas vezes nas sessões noturnas um dj/mc JAH Scoob no microfone. Esta vibração foi se espalhando para outros clubes em Chicago como Lava Lounge, Café Lura, The Note, Danny’s e muitos outros.

Stranjah, atualmente viaja regularmente para a Jamaica em busca de discos. Nestas viagens ele conseguiu fazer algumas conexões continuas com muitos artistas de renome no reggae. Construiu fortes amizades como amigo Chester Synmoie, Lone Ranger que é seu amigo pessoal e emprezario, e começou a conhecer cada vez mais um número maior de artistas.

Passar por muitos estúdios em Kingston permitiu que Stranjah tivesse a oportunidade de trabalhar com artistas como Lone Ranger, John Wayne, John Holt, Jim Nastic, Sancho Man, Quench Aid, Super Black, Sketelina, Duck Man, e Courtney Melody, citando apenas alguns nomes. Ainda garimpando por discos que ainda espera encontrar, e assegurando alguns registros obscuros para o malote do Moa Anbessa, está também estocando discos em sua casa em São Paulo. Estabelecido agora no Brasil, Stranjah é feliz em compartilhar vários estilos no reggae que ainda não foram divulgados no Brasil.

Em 2003, Marcus levou o Moa Anbessa para a Ásia, precisamente na Coréia do Sul. Ele fez bashments mensais entitulados “Welcome To The Dance”, no Elvis Bar e Santa Fe Bar dando as boas vindas aos estrangeiros juntamente com os Coreanos, trazendo culturas juntamente com harmonia do reggae. Marcus está voltando para a Coréia para continuar o trabalho continuo do Moa Anbessa frente a Ásia, planejando futuras apresentações em Seul, Wangju e Busan para assegurar que a República coreana este bem segura com os sons do Moa Anbessa.

Mudando-se para o Brooklyn em 2003 para ajudar JB a expandir mais ainda sua coleção e fazer mais contatos com outros seletores e cantores, o que crescia cada vez mais. Ele fez um trabalho em estúdio com o cantor legendário Johnny Osbourne e Candyman. JB tem mantido também residência no clube Bembe todas as terças, na noite “Natural Selections”, uma noite de Rocksteady, Roots, Dub e clássicos do reggae. Esta noite já teve artistas como Candyman, Fragga Ranks, M. Lee G, General Pecos, e Juakali que vem para dar a benção no microfone e manter o povo dançando.

Stranjah, JB e Marcus Iyah, vieram de diferentes cenários e foi isso que fez com que o som do Moa Anbessa se torna-se o que é hoje; uma explosão de clássicos e músicas raros que variam desde a era mais remota do reggae até os riddims número um lançados atualmente.

Influenciados pelos antigos soundsystem’s como Coxsone, Jack Ruby, Wha Dat Disco, Gemini, Stereo Mars, ou mesmo o contemporâneo Killamanjaro para citar algumas das influências, uma única certeza é que Moa Anbessa não é uma cópia de outro soundsystem. A potência é alta, as misturas são brilhantes e a vibração é certa.

sábado, 6 de setembro de 2008

RASCLAAT - A CONTROVÉRSIA DO FYA BURN



Bom, eu vou tentar fazer um comentário bem particular do que acho das idéias do Sr. Gregory Stephens que para mim hoje, é um dos melhores escritores a respeito do reggae internacional. Tem idéias muito boas, e passa seu conhecimento sem implicar na fundação da cultura, e faz o que poucos fazem, PENSAR!!! Pensar a respeito do reggae, do rastafari e da postura que se aplica hoje em dia em uma música que todos amamos, o Reggae.

A controvérsia o Fya Burn, é real e atual, fácil fácil ver hoje em dia o termo “FYA” usado, mas a pergunta que não quero calar é; FOGO EM QUE?! Fora do Brasil, quando converso com amigos, o Fogo que citam é bem diferente do daqui, fogo lá é militância, e não é militância de sair na rua com faixas, colocar fogo em pneus, em padres ou igrejas, é uma militância praticada dentro de casa, de não acreditar em tudo que ouve, vê na TV ou lê.

Stranjah no post de ontem disse uma coisa certa; “O Rat Race [Corrida Vil] começou desde criação, e só com a vontade de TODA população mundial no mesmo tempo chegaremos a melhorar. A babilônia é o consumismo!! e não temos como escapar... para viver, temos que consumir, para consumir temos que usar, para usar temos que gastar, mas para gastar? precisamos de motivo??”

A resposta é “NÃO”, não precisamos de motivo, se eu disser “CONSUMA MENOS, SALVE MAIS” é bonito, mas talvez não ira funcionar, porque hoje temos que manter um Status Social, hoje não é novidade a molecada de 17, 18 anos estar endividada até o último fio de cabelo, o consumo exagerado, faz com que se tornem escravos literalmente da babilônia.

Você acorda pela manhã devendo, trabalha, ganha menos do que deve, continua devendo, mas precisa continuar consumindo, com o passar do tempo, você vê muitos vivendo apenas para quitar suas dividas, em boa parte de um materialismo fútil, coisas que nem mesmo lembram porque estão devendo. Anthony B diz em uma faixa do Judgment Yard “Don’t Burn Your Moneytion” [Não exploda sua GRANAda], pensando dessa forma desperdiçamos mais do que consumimos, na matemática se devo 15,00 e ganho 10,00 – continuo devendo 5,00, e no próximo mês serão 20,00, e nos embolamos em uma bola de neve interminável. Isso é a babilônia de verdade, que vem pra roubar, matar e destruir.

Sobre os Battyboys, quando falam sobre homofobia rasta há um engano, homofobia é medo de gays, o rasta não tem medo de gays, ele simplesmente contesta e não aprova a atitude de relacionamento de pessoas do mesmo sexo, descrito em TODOS os livros monoteístas. Em países ditos ‘democráticos’ a discordância faz parte desse tal ‘democracia’, sendo assim, é justo que possa me expressar a favor ou contra uma postura. E na Jamaica, ser gay é como se fosse uma contravenção, o mesmo que jogar no bicho aqui no Brasil, não é permitido as vistas da lei, e da até cadeia. E outra, lá fora, como no texto, músicas anti-gays da grana, aqui no Brasil, é outra coisa, prefiro dizer que tenho muito mais a dizer do que falar de gays ou mandar fogo neles. E cada um vai ser julgado pelos seus pecados, assim com eu serei julgado pelos meus. SELAH.

Sobre o afro centrismo citado por Gregory, principalmente pela bandeira levantada por artistas como Sizzla, Capleton e Anthony B, aqui já ocorreu esse tipo de movimentação, mas não conhecida como afro centrismo, e sim como Panafricalismo, isso no inicio da década de 90. Era uma movimentação vinda principalmente do Hip Hop, e deveras ocorria muito no gueto, éramos muito influenciados por grupos como Public Enemy, Poor Righteous Teachers, N.W.A., etc... Mas eu acho complicado as vezes uma pessoa nas condições do Gregory reclamar desse afro centrismo que emergiu pelos Bobos Shantis. Desde os primórdios do inicio do reggae ouvimos as palavras “Sufferer” [Sofredor], “Guetto Youth” [Jovem do Gueto], “Black People” [Povo Preto], e tantas outras palavras que retratam o gueto que o preto vive, palavras que dizem; O mundo é um desastre e não agüentamos mais! E não vemos doutores, antropólogos e sociólogos vivendo no gueto, podemos fazer tese, artigos, mas na real, nunca vão entender o problema do gueto, o motivo, simples; O meu problema, não é seu problema. Voltamos a “RAT RACE”, por status de estar no gueto, por status de ser idolatrado pelo gueto. A solução do gueto, é o próprio gueto que vai criar. Por isso sempre digo, cada um que cuide do seu quintal, e depois que limpar o seu quintal, ai sim, pergunte ao seu vizinho se ele quer sua ajuda.

Peter Tosh diz: ‘Love Black, Think Black, Live Black” [Ame Preto, Pense Preto, Viva Preto]. Por mais que um preto tenha uma ascensão social e econômica, ele sempre vai ser olhado por grande maioria pelos cantos dos olhos. Nesse caso volto a falar do panafricalismo, o preto não pertence aqui, foi tirado da África, e como pensamento natural, ele deve voltar de onde ele veio, assim como rasta disse para Gregory, volte para o seu lugar garoto branco, eu já ouvi, volta para o seu lugar garoto do gueto, é uma programação natural que o ser humano sofre para tomar certas ações. Mas cada um deve lutar pelo direito de melhora, independente de ser no gueto ou nos centros emergentes. O que não se deve dizer é como cada um deve viver, e nem que fulano ou beltrano é pré destinado a sofrer, por uma condição imposta.

Mas, o que se ouve muito de alguns jovens que se intitulam rastas é “eu não vou me vender para a babilônia”. Mas, um momento, os pais desses podem se vender para a babilônia? Então temos filhos que se dizem rastas, que fazem o papel da babilônia escravizando seus próprios pais, pois a comida que eles comem, vem de algum lugar, e é comprada por seus pais. Esse quando ouvir numa música que “estamos na correria do arroz com feijão”, nunca vai entender o sentido dessa frase.

E volto a perguntar o jovem que é chamado de playboy, que reclama por essa intitulação, reclama do que? E põe Fogo em que? O que vejo hoje são apenas comentários, em fotologs, em posts no orkut – “Festa de ontem foi FYAA!!!” Voltamos a pergunta que não quer calar, fogo em que?! Saiu de casa, beijou, se embebedou, e ae?! Só isso é FYA?!

FYA no Brasil (e algumas partes do mundo também) se tornou uma palavra para denominar animação, apenas isso, um disco de dub que não diz nada, uma festa cheia de playboys, corpos suados, maconha com amoníaco e bebida. Isso no Brasil é o tal FYA que tanto dizem. Eu com o tempo, aprendi que o fogo é versátil; fogo para purificação como Capleton diz, esse sim é o tipo de fogo que eu gosto, e o melhor é jogar nesse fogo tudo aquilo que não faz bem. Mas também existem outros tipos de fogo; o fogo do desejo carnal, o fogo da vergonha na cara quando sente a face formigar, o ‘fogo de palha’ que acende e apaga no mesmo momento. Vários tipos de fogo, para todos os tipos de pessoas.

O que mais concordo no texto sobre A Controvérsia do Fya Burn, é a necessidade de mudanças, de comportamento, de atitude na compreensão de um todo; a respeito do rastafari, a respeito do uso do fogo como forma de expressão, do afro centrismo que sem conhecimento de fato, é tão prejudicial quanto a atitude da supremacia branca de Hitler. O maior incentivo que o Rastafari deve dar é o da busca de conhecimento, essa sim é a única forma de vencer o RAT RACE, é o conhecimento com fundamento, vivencia e disciplina.


O CONHECIMENTO REINA SUPREMO, SEMPRE!

ƏGZIABHIYÄR YMÄSGN

[Graças ao Supremo Criador]

Por RAS Wellington - underground_roots@yahoo.com.br

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

A CONTROVÉRSIA DO FYA BURN

A CONTROVÉRSIA DO FYA BURN: 
O Uso do Fogo em uma Cultura de Amor e Rebelião
Por Gregory Stephens
Traduzido e Adaptado por RAS Wellington

"Fire is for the purificaton"
[Fogo é para a purificação]

Capleton, "More Fire"
"No water can put out this fire"
[Nem a água consegue apagar esse fogo]

Bob Marley, "Ride Natty Ride"
"God gave Noah the rainbow sign:
o more water, the fire next time."
[Deus deu a Noé o arco íris como sinal;
Não a água, o próximo tempo é o fogo]

Canção folclórica Afro-Americana
"The roof, the roof, the roof is on fire,
We don’t want no water, let the m.....f..... burn!"
[O teto, o teto, o teto está em chamas,
nós não queremos água, deixe esse f...d...p... queimar]

Parece que chegou a isso: O Fogo Vai Queimar de verdade agora. Alguns jovens dessa geração nutrida pelo dancehall na forma do modismo do “taca fogo” dividiram a linha entre a retórica e a realidade. Alguns zealots começaram queimando igrejas. Os incendiários verbais estão prensando e vendendo discos pedindo pela execução de todos os homossexuais. Bun Dem [Queimem Eles]! E pessoas em lugares privilegiados ou não começaram a se perguntar; aonde isso vai acabar?

DJ RJ e eu gravamos um documentário especial a respeito da controvérsia do “Fya Burn”[Taca Fogo] intitulada “Love and Rebellion:Fya Fi Purification”[Amor e Rebelião: Fogo para Purificação]. É uma parte companheira deste texto. Leitores podem ouvir a sessão de Daniel Frankston’s no site IReggae.com, no link http://www.ireggae.com/djrj&mc.htm. Em uma audição abrangente de “fire burn tunes”, desde os idos roots de 1970 até o dancehall do século XXI, a sessão contém comentários de vários artistas jamaicanos falando sobre o uso do fogo para a destruição e para a purificação.

A “grande controvérsia” sobre as letras Fire Burn[Taca Fogo] esteve crescendo durante vários anos. No verão de 2000 consegui arquivar uma massa critica, e notei em um comentário nas sincronizes entre este sinal e outros impetuosos sinais dos tempos no site RootzReggae. Mas no Ano Novo de 2001, o “oficial” inicio do novo milenium, a controvérsia rapidamente escalou, dando provas que um fusível tinha sido iluminado e que estava queimando bem distante dos dancehalls jamaicanos.

Algumas horas antes do DJ RJ e eu gravarmos nosso “Fire Burn Special” em Austin, Texas em 02 de Janeiro de 2001, um Rasta de 20 anos chamado Kim John e um outro cúmplice começaram o ano novo entrando em uma catedral na ilha Santa Lucia no Caribe, e colocaram a filosofia do Fya Burn [TACA FOGO] em pratica. De acordo com o repórter Mark Fineman do Los Angeles Times: “Chegando em roupões e armados com pontaletes, tochas acesas e galões de gasolina, os atacantes entraram pelo corredor, e aleatoriamente incendiaram uma dúzia de imagens. Um dos ataques ateou fogo no padre e no altar. Outro ataque causou a morte da irmã Theresa Egan, uma irlandesa que trabalhou na ilha por 42 anos, porque ‘ele viu o demônio’ nos olhos azuis dela.”

De acordo com a investigação da policia, John teve uma visão em que Haile Selassie anunciou ele como “escolhido” e o comandou ele para livrar seu povo do Sistema Babilônico. E a igreja católica – 80% da população da ilha de Santa Lucia são membros da igreja católica – e obviamente o principal símbolo da Babilônia para muitos rastas, especialmente para os Boboshantis, que clamam que o fogo queime o Papa e o Vaticano com uma ferocidade que aumenta nesses últimos anos.

Algumas pessoas entenderam esse incidente como uma ação representada pelos “reais” Rastas. Outros perguntaram, juntamente com o Primeiro Ministro Kenny Anthony de Santa Lucia: “A questão é, se a igreja é a primeira vitima, quem será a próxima?”

A Obsessão contra o Battyman (Homossexuais)

O battyman seria uma boa batalha. Os battyman, isto é homossexuais, tem sido o principal ponto para se lançar mais fogo do que qualquer outro grupo ou instituição. Tendência esta que tem ficado cada vez mais feia. Um das canções no especial “Love and Rebellion” com Beenie Man, chamada “Damn”, em suas primeiras palavras ele diz: "I’m dreaming of a new Jamaica, come to execute all the gays [Eu estou sonhando com uma nova Jamaica, vindo para executar todos os gays]”.

Vem outra vez?

Há muitos Djs e ouvintes que compartilham essa virulenta homofobia, é claro. Outros estão apenas interessados na vibração passada pela música, nas batidas, e não questionam a mensagem. Outros mantêm sua escolha de ver com outros olhos, mesmo que descordem. Especialmente para os estrangeiros (é como os jamaicanos chamam o mundo fora de sua ilha), muitos querem provar que eles caíram. Criticando o fogo contra os battymans nas musicas é uma prova de que estão amolecendo, ou foram corrompidos pela Babilônia. Na Jamaica, é visivelmente impossível criticar tais letras devido à cultura, sem acusações frontais evitando o conflito face a face (tal como intelectuais, etc.) ou gays. Beenie Man passou por isso há alguns anos atrás. Clamando pela execução dos gays pode ser apenas uma forma que Beenie Man, o sempre camaleão, buscou para restabelecer sua credibilidade, após produzir algumas músicas (como “Better Learn”) uma mentalidade que criticava e mandava “taca fogo nos estranhos”.

Mas a cultura está mudando, em partes devido o ponto inicial do reggae e dos artistas não estar mais evidentemente localizada na Jamaica. A Jamaica se espalhou para o mundo em varias comunidades como Miami, Toronto, Londres, e Nova Iorque. E os que não são jamaicanos, especialmente europeus e americanos, fazem um papel cada vez mais importante na produção, promoção, distribuição e consumo da música. O ouvinte da música está mudando, e ai está uma evolução da conscientização do público com a cultura. Por exemplo, meu Idren [irmão] DJ RJ um texano que por muitos anos compartilhou essa homofobia que se espalhou pelo centro americano. Contudo os valores espirituais e filosofia de direitos iguais do reggae rastafari tiveram um poder de transformação em sua vida, levando ele a explorar outras espiritualidades e filosofias políticas. Então quando nós fizemos o “Love and Rebellion” especial, RJ sentiu que nesse tempo é correto “chamar Beenie Man para a realidade”. “Eu não acho que essa música seja de amor e retidão”, RJ falando sobre o modismo de mandar fogo nos battymans.

As letras sobre matar os battymans é claro não é novidade na cultura jamaicana. Buju Banton causou um furor internacional em 1992 com seu hit “Boom Bye Bye” (in a battyboy’s head [na cabeça do battyboy]). Você pode ter uma noção de como a raiz é profunda com o tema anti-gay na Jamaica, a cultura que é observada por Isaac Julien no filme “A Darker Shake of Black”, filme que trata das criticas dos estrangeiros contra Buju. Eu penso o que mudou na maioria é o crescimento da consciência entre promotores de longa data no reggae que no está é nossa cultura também. Se for uma cultura que vivemos, em toda parte, então devemos ter um discernimento e pensar de forma a criticar as formas de mensagem que passamos para nosso publico; para a próxima geração.

Está chegando um tempo em que a intolerância se tornara intolerável. Conseguiremos tolerar o intolerante? Talvez, mas cada vez mais, muitos de nós nos sintamos impossibilitados de resistir à intolerância, não a condenando, mas trazendo alternativas. Isto quer dizer que não podemos por nossas cabeças na areia. Nós devemos ter uma visão cristalina a respeito da fonte da intolerância na cultura que amamos, isto para muitos de nós se tornou como um lar.

Há uma enorme abertura dentre o público do dancehall, o Yard (como o jamaicano chama a sua ilha nativa), e o publico internacional que consome reggae, que está dominada pelos fans do “roots n culture” (raiz e cultura). O publico assíduo que é denominado como homofobico e militante, tem orgulho disso. Eu raciocinei com artistas jamaicanos que realizaram e expuseram com sua voz esses sentimentos em turnês na Europa ou nos Estados Unidos. Mas isso não muda a forma que eles pensam, ou em mais ao ponto, o caminho que eles tocam e produzem as músicas para a demanda do fogo-battyman na Jamaica.

“Um virulento vírus anti-gay infectou a Jamaica, um amor demasiado pela doença para qualquer um erradicado facilmente”, escreveu Stephen Foehr em seu novo livro, Jamaican Warriors. Isto é uma verdade, um doença muito amada. Uma das suspeitas é que a elite na Jamaica ou fans estrangeiros tentam excluir o ácido rootsman que persegue o battyman, mais e mais lugares intensificam essa guerra retórica contra o battyman. Sobretudo, porque eles sabem que a uma grande audiência para esse tipo de mensagem.

Neste caso; em março de 2001, uma canção mandando fogo nos battymans produzida pelo quarteto TOK, chamada “Chi Chi Man”, canção que alcançou a posição número 1 do dancehall em Kingston, Miami, e Nova Iorque. Como Beenie Man e sua música “Damn”, esta carta magma não é sobre a intolerância contra os gays, e sim invoca a sua erradicação. A canção se tornou rapidamente popular, e foi usada recentemente em campanhas políticas na Jamaica. Mas ninguém conseguiu culpar esse fenômeno nas ilhas, TOK esteve em turnê nos Estados Unidos, e algumas das mais entusiásticas platéias foram em lugares como Nova Iorque e Miami, onde o cruzamento entre o dancehall e o hip hop, em sua essência de estilo musical, onde compartilham estilos e pontos de vista (incluindo a divergência contra os gays) está incrivelmente evidente.

Muitos artistas e consumidores do dancehall e rap dividem uma tendência de posar como revolucionários e críticos do mainstream, e se nivelam nos excessos do materialismo no mainstream. E em ambos os lados, encontramos ambos artistas e fans que se enamoraram pelo gangsterismo, e o bad boy bidness (dinheiro e negócios), o estilo de vida rude boy, como ficamos conhecendo na juventude de Bob Marley. A linha entre a retórica e a vida real no gangsterismo é difícil de extrair. Muitos artistas que negam que suas palavras tem influência, admitiram que essa imagem causa um grande beneficio, em ambos os termos, na credibilidade artística e no que isso oferece em termos de vendas, para ter um respaldo na bandidagem da vida real. Devido a essa imagem, Tupac Shakur se tornou postumamente uma combinação de revolucionário/messias negro, ele teve tremendamente um perfil de ícone tendo alto status após sua violenta morte, mas por intenção e solicitação de suas glorias na bandidagem.

A uma similaridade dinâmica entre o trabalho do dancehall jamaicano, junto com o contexto social que valorize as lendas emotivas decorrentes pelos artistas ligados ao fogo. Existem documentos e queixas de igrejas que foram queimadas na Jamaica, e jovens pondo fogo nas roupas uns nos outros em shows. Uma mãe informou que ao acordar encontrou sua casa pegando fogo, e sua filha cantando as letras de Capleton “More Fire”. Concertos públicos com a influencia incendiaria dos firemans[homens do fogo] do dancehall alcançou um nível tão elevado que P.J. Patterson, o Primeiro Ministro da Jamaica negro, criticou publicamente a mania e idolatria pelo fogo, e encontrou-se com Capleton para encorajá-lo (em vão) para diminuir a sua rotina levada pelo fogo.

Você também Garnett? O que vai, volta!!!!

Em meados de 2001, o selo Greensleeves lançou um disco single 12” de uma gravação o póstumo Garnett Silk, “What Do You Say?[O Que Você Disse?]”. A letra causou ondas de choque em algumas partes da comunidade internacional do reggae, depois do acontecido e sabendo a respeito das novas vindas a respeito do assassinato em Santa Lucia, e outras reportagens a respeito dos adeptos ao fya burn. O gancho de Garnett na música era repetido varias e varias vezes, era:

“You don’t love Haile Selassie?
Fire Gonna burn You and Your Family”
[Você não ama Haile Selassie]?
[O fogo vai queimar você e sua família]

As letras causaram certo furor entre alguns fans americanos, que para mim deu a impressão de ter sido fora das proporções com as letras, mas que foi bastante inofensivo, pelo estandarte jamaicano. Eu discuti sobre isso com meu Idren Scottie McDonald, que promoveu um show de reggae no KTRU em Houston. Ele teve a sensação de ter sido traído, como se essa música tivesse destruído ou manchado todo o restante do trabalho de Garnett. Minha caixa de e mail lotou de mensagens similares de outras pessoas no reggae, que estão conectadas pelas comunidades eletrônicas. Claramente a reação a Garnett pelo uso do fogo em suas letras se direcionou pelo contraste da reputação internacional de Garnett, qual era tido como um Profeta Rasta.

Para os fans do reggae roots, aqui se oferece um sobre tom com aspirações messiânicas nos sentimentos expressados por artistas como Garnett. Como Tupac, Garnett se tornou um ícone por ter morrido jovem. O critério, o misticismo social, esses profetas e revolucionários morrem cedo, e morrer cedo se torna uma prova de um status profético ou revolucionário. Mas Tupac traçou em sua “vida de bandidagem” uma reputação que postumamente traria uma reputação de um revolucionário [contra o sistema da supremacia branca e/ ou capitalismo, reinvidicando explicitamente ou implicitamente], Garnett em vida se cobriu pelo manto da espiritualidade profética. Isso se ampliou em sua pós-morte, com sobreposições messiânicas. 

Que choque então, para alguns crentes da verdade, quando recentemente uma figura mais completa emergiu de Garnett Silk como um artista de dancehall. Na matéria Garnett Silk Meets the Conquering Lion, fiz o contraste dentre a cena e algumas comparações, com Garnett emergindo como “Novo Messias do Reggae”, e suas letras atuais em alguns dubplates, muitos deles são tidos como “sound boy murders” (matadores de sound boys), com Garnett cantando “matem” os sounds rivais.

Isto poderia ser “perdoado”, devido esses dubplates terem sido prensados quando Garnett ainda era um jovem artista, emergindo do dancehall. Em contraste, “What Do You Say” se supõe que tenha sido uma das ultimas músicas de Garnett. Para alguns que o vêem como um profeta de paz e retidão, essa parece trabalhou de encontro contra tudo que ele ergueu. A uma estranha ironia soando em sua letra como um boomerang que vai e vem: Garnet e sua mãe morreram queimados em sua casa em chamas. Eu hesitei em colocar a verdadeira moral da historia, mas merece ser falado; Viva pelo fogo, e pelo fogo você vai morrer. “Fire Gonna Burn You and Your Family” (O Fogo vai queimar você e sua família).

Mas eu penso que há outra moral aqui. A extensão que um “profeta” como Garnett Silk desejou, foi enraizada no dancehall pela mentalidade do “fya burn”, deve ser um toque para despertar todos os fans de reggae internacional. Demasiadamente, alguns se fecharam primeiramente para uma “versão de exportação” do reggae, e perderam de vista, o lugar e a cultura de onde essa música surgiu. Felizmente, o interesse no dancehall e na Cultura Jamaicana tem aumentado. Inúmeros livros sobre esse frisson tem sido publicados nos últimos dois anos. Um dos melhores é o Wake The Town and Tell The People de Norman Stolzoff’s. O livro de Stolzoff’s é persuasivo, estudado historicamente e aprofundado na Cultura do Dancehall Jamaicano. E ajuda os fans do reggae (e críticos) com argumentos, e o uso retórico dos fenômenos do Fiya Bun e dos Sound Boy Killings (matadores de soundboys). Um profunda compreensão dessa cultura, penso eu, devera nos dar uma grande apreciação pela evolução de artistas como Garnett Silk, a distancia que ele percorreu para compor canções visionarias como “The Rod”.

Ainda, não quero fazer baixar um espírito de intolerância que tomou conta de muitos. Jovens andam mandando fogo sem muita distinção; queimando Jesus e a Bíblia, mesmo sabendo que Selassie era um Cristão devoto (ouça Morgan Heritage falando sobre isso em “Dem a Bawl”); de acordo com Jabulani Tafari, queimar Marcus Garvey é queimar também aqueles que mandam fogo, como Capleton.

Esse não é um problema que esta confinado apenas ao dancehall, mas é parte de uma tendência muito abrangente, o que Deborah Tannen chamou de The Argument Culture [O Argumento da Cultura]. Tentando destruir o que não concordamos, ou aqueles que são meramente diferentes, então veio um caminho de vida. Isso é parte do Sistema Babilônico que alguns vêem na TV, nas ruas, todos os dias da semana: guerras tribais, EUA vs Eles, sendo passado varias e varias vezes, um ciclo de violência, ambos líricos e literais. Isto é um fenômeno que nos desafia a não apenas condenar, mas a criar outras alternativas mais atrativas.

Nesse contexto, eu vejo algumas coisas positivas vindo fora da Controvérsia do Fire Burn: um novo senso de comunidade esta emergindo entre os que produzem, promovem, e consomem o reggae e o dancehall. Pessoas na comunidade estão fazendo algo necessário na busca espiritual sobre o estado cultural, e sobre o lugar onde ele está. Eu penso que essa atenção está emergindo enquanto esta musica providencia fórum para discussão de importantes pontos que vão muito além da música. Então os críticos da mentalidade do fogo, não o fazem conscientemente, mas apenas uma auto critica, e criticam o mundo em que nos vivemos. Em um e mail para o meu Idren DJ RJ, Marlon Regis, autor do livro The Beat chamado “Musical Murder”, escreveu: “A sociedade não é uma reflexão da música, existe outro caminho a não ser esse. Os riddims podem ser nervosos, o flow rítmico, mas a mensagem está ESTAGNADA, não mencionando DEGRADATIVA. A reflexão dessa SOCIEDADE PRECISA DE UMA MUDANÇA.”

Como Cocoa Tea canta em “Blood a Run”, uma musica criticando as conseqüências sociais de uma mentalidade sem conhecimento do Fire Burn; “We need a change attitude. [ Precisamos de uma mudança de atitude].” 

AS RAIZES DO FIRE BURN: NEM A ÁGUA CONSEGUE APAGAR ESSE FOGO

Uma das maravilhas de participar do “bass culture” a tempos é ter o que um contexto histórico provem, um sentido de continuidade com tradição e uma continuidade com uma raiz profunda. O dancehall é o gramado de um modismo-consciente, e por ser continuao recicla riddims e letras do passado. Scractch e você, descobre uma perspectiva histórica da coqueluche do presente. 

No ano passado, eu perguntei aos meus amigos “roots-n-culture”, “existe um lugar de fogo em Zion?”. Quase que inevitavelmente, ele disseram não. Eles entendem que a essência da mensagem do reggae feito pelo rasta é a unicidade do amor e retidão. Ainda a noção do “fya bun” está longe de ter um lugar central na imaginação de alguns artistas do reggae. O fogo ilumina a visão desses artistas que cantam para um Zion que estamos marchando. As torres mais atrativas do mundo erguido de nosso Exodus da Babilônia. Se o fogo não tem lugar em Zion, eles estão dispostos a por Bob Marley para fora dos portões de Zion?

Eu penso em muitos exemplos desse ultraje, da violência lírica, do fogo, ao contradizer as canções de Marley. Em "Talkin’ Blues, ele professou: "I feel like bombing a church, now that I know the preacher is lying [Eu sinto como bombardeasse uma igreja, agora eu sei que o padre é um mentiroso]." O primeiro álbum dos The Wailers lançado pelo selo Island foi chamado Catch a Fire, titulo pego do refrão de “Slave Driver”, em sumo, a vingança pelo fogo é clara.

“Slave Driver, the tables are turning
Catch a Fire, you’re gonna get burned”
[Capitão do Mato, as mesas estão virando
Pega Fogo, você vai se queimar]

O segundo álbum dos Wailers Burnin com a música “Burning and Looting”. Marley ainda era um mestre das letras e do discurso em diferentes níveis, combinando noções de revolução física e evolução espiritual. Sua própria interpretação da música, fez com que jovens a cantassem durante manifestações em Los Angeles, gangues até saquearam algumas lojas, e Marley interferiu: “Não se trata literalmente de por fogo abaixo na cidade, trata-se de queimar certas ilusões em sua mente para que se viva em harmonia”. Marley claramente compreendeu que há o uso construtivo e destrutivo do fogo. Embora ele alertou sobre a destruição, ele clamou por uma reconstrução. Essa mente reconstrutiva é clara no remix de “Burning And Lootin” no disco Chant Down Babylon, quando se ouve os sons de sirenes, Bob entoa "stop them” [parem eles], e "it’s not the music of the ghetto” [ não é a música do gueto ]. I.E., o uso destrutivo do fogo, pode não ser de uma música que vem do gueto. Devemos impedi-los de destruir a si mesmos. 

Marley pensou a respeito do fogo de varias maneiras, mas se expressou de forma memorável em “Ride Natty Ride”. Ele contou uma parábola de um líder tentando discursar em uma praia, mas um dread o interrompe dizendo: "fire is burning, man pull your own weight” [o fogo esta queimando, homem empurre seu próprio fardo]. Ele claramente da voz a inestimáveis recursos e noções do uso do fogo.

“there is something that they can never take away,
and that’s the fire, burning down everything…
No Water can put out this fire.”
[aqui está uma coisa que nunca irão conseguir tirar,
e é este fogo, queimara tudo abaixo
nem água conseguira apagar este fogo]

Aqui a concepção de fogo de Marley combina com um fogo revolucionário, que manda fogo em um mundo corrupto, mas também fala de um fogo intimo, sobre a passionalidade da justiça, o fogo de uma visão espiritual que ilumina o nosso passado.

Isto é uma visão bíblica do fogo. Que foi transmitida por vários artistas contemporâneos que usam Marley como um ponto de referencia espiritual, e há uma potencialidade forte par uma reconstrução. Como exemplo, o verso de Marley "no water can put out this fire" [nem a água consegue apagar este fogo], foi repetida por Jah Mali em “No Water” e por Morgan Heritage em “don’t Haffi Dread”. Mas há tempos em que o velho deve ser destruído para fazer um caminho para o novo. Este é o contexto de Márcia Griffits na sua versão da música de Bob Andy “Fire Burning” e a “Fire (Is The Desire)” de Justin Hinds e The Dominoes. O fogo do “progresso” da incontrolável evolução e ganância humana, queimando fora de controle. O povo aguarda por mudanças. O tempo do dread é agora, e quando a mesa virar "the haves will want to be in the shoes of the have nots. [eles vão querer estar onde eles não poderão estar].

Capleton foi fortemente criticado por suas letras inspiradas pelo fogo. Mas sua defesa da importância do fogo é persuasiva. Capleton insiste que ele não encoraja ninguém a incendiar sua próprias roupas, ou incendiar uma igreja. Ele enfatiza, como Marley, que “não é um fogo literal, é um fogo espiritual, o fog é sobre vivencia”. O fogo é um recurso para purificação, Capleton diz repetidamente: “A água limpa, mas continua o fogo queimando a água para purifica-la. A erva é a cura de uma nação, mas o fogo precisa queimar a erva para que a erva consiga curar. O fog é a fonte principal de uma vida universal. Fogo faz tudo se mover, e onde não há vida não há fogo.”

Como muitos artistas rastas, Capleton usa o exemplo bíblico de Sadraque, Mesaque e Abedi-Nego, que em Daniel cap. 3 andaram dentro de uma fornalha de fogo sem se queimar. Nesse sentido, fogo é uma força para testar nossa fé, e se nossa fé for forte o suficiente, não apenas sobreviveremos em momentos de crise, mas também emergiremos mais fortes.

Por acaso esse pode ser o melhor caminho para chegarmos a outros aspectos problemáticos da controvérsia a respeito do fogo, o que é a filosofia da supremacia negra dos Bobos, e a condescendência de alguns artistas de queimar as pessoas brancas, ou Europeus, contida em algumas ramificações do Rastafari, que continuam a ver um inimigo que deve ser expelido, junto com o battyman e o vaticano.

ESTA É MINHA CULTURA TAMBÉM: EUROPEUS ESTÃO NA ÁREA 

Uma das primeiras nascentes da energia criativa da “Renascença Rasta” em meados da década de 90 foi à emergência de um grupo com um fôlego de fogo autodenominado BoboShanti, artistas como Sizzla, Anthony B e Capleton. ("The Bobo Dread" por Barry Chevannes) Se as principais vozes do inicio dos anos 90 faziam um reggae consciente onde artistas como Luciano e Garnett Silk trabalhavam com o “One Love” Rasta, os Bobos partiram para uma vibração diferente. Em contraste dando ênfase na unicidade e espiritualidade crescente no ramo Rasta 12 Tribos de Israel, os Bobos advogavam a filosofia da Supremacia Negra. Eles semeavam um interesse maior na condenação dos inimigos, do que na unificação dos aliados. 

Sizzla ganhou rapidamente a reputação de “jovem raivoso” dos Bobo Dreads. Sua paixão e seu indubitável talento energizava muitos dos ouvintes do reggae no mundo todo, deste modo se oferecia mais proximidade a raiva de Sizzla de que a “I-nity” de Luciano. Mas o afrocentrismo de Sizzla tinha um lado Sombrio; “povo branco”.

No Sunfest de 1998, de acordo com uma repórter da revista “Reggae Núcleos Magazine” por Rudegal. Sizzla entrou num alvoroço após cantar “Near a Far”. Ele disse: “Vêem todo o povo branco na Jamaica? Eles não pertencem aqui. Vão embora! Fogo no povo branco, na Jamaica! Fogo em todos no bastidores. Fogo em todos lá fora. Fogo neles. Fogo neles!”

O incidente inspirou uma intensa discussão em listas da Internet (gravadoras, músicos, reggae) por meses após o fato, alguns dj’s disseram que eles não tocariam mais Sizzla, e alguns de fato nunca o perdoaram. Num balanço, que seja, esta atitude pareceu não afetar muito a reputação de Sizzla. Uma repórter perguntou a Sizzla como ele pensa que tocou os europeus após as reações de seu fogo afrocentrico. 

“Não sinta medo do fogo”. Ele respondeu.

Me lembro da segunda visita que fiz a Jamaica em 1998 com minha noiva, uma afroamericana com dreads. Nós experimentamos uma inexorael hostilidade dos locais de Montego Bay. Dentre todas as coisas estampadas, eles me disseram coisas como: “vá para casa garoto branco, você não tem cultura”. Eu comprei “Death Before Dishonor” de Dennis Brown, que expressava o mesmo sentimento;

“Go Away and stay away, [“Vá embora e fique longe,]
you ain’t got no culture; [você não tem cultura;]
go away and stay away, [vá embora e fique longe,]
you’re acting like vulture.” [você age como um vulto.“]

Nosso anfitrião foi um Rasta que criava porcos em uma fazendo que ficava longe das montanhas rochosas vivendo junto a sua esposa Australiana. Ele nos pegou no aeroporto e nos perguntou como estávamos desfrutando a Jamaica. E lhe contei a respeito da hostilidade racial que encontramos. Ele me disse uma coisa que jamais esqueci: “Apenas relaxe mon”. E foi isso. “Não se desgaste, vá com calma, e tudo vai dar certo.”

Então fiquei pensando em sizzla em seu comentário rindo, relembrando meu anfitrião rasta. Ai está certamente um duplo estandarte envolvendo está cultura, como um tipo de dinâmica nos clubes de comediantes negros, onde há uma rotina para comediantes negros insultarem convidados brancos, de certo modo é impensável se as engrenagens se inverterem. 

Está também é uma ocasião para auto reflexão, e criticas dentre a audiência do reggae. Eu me lembro o quanto Mutabaruka declarava; “Não é muito bom viver em país de homens brancos por muito tempo”, soava verdade para mim, em todo caso para um descendente irlandês. Esta linha, ecoava de volta a Marcus Garvey, fazendo sentido para mim. Eu, igualmente nunca quis viver em uma cultura eurocentrica. 

Ainda como um participante de longa data no Bass Culture, eu ainda tenho uma incrível inconformidade com certas formas de racionalismo. Eu gostava de por algumas coisas em suas cabeças. Qual seria nossa reação se um artista europeu dissesse: “Queimem o povo negro”?este artista poderia virar e dizer “Não tenha medo do fogo” de forma honesta?

Eu toquei “Get We Out” de Sizzla, do cd duplo Reggae1Luv Liberate Yourself: Sizzla and Bredren, para o DJ RJ, as primeiras palavras da música eram: “Todos os subjetivos brancos fora da Etiópia”. “Eu não posso usar isso”, disse RJ, embora ele tenha amado o riddim. “Se você começar a censurar Sizzla porque ele é um racialista, você não vai encontrar muito mais coisas”, eu lhe disse. Eu sou uma pessoa confortável com expressões de orgulho negro, e ainda mais quando obssessivamente endereça a si mesmo para o povo negro de novo e de novo. Eu comecei a deixar a música de lado. Foi por isso que eu deixei de ouvir o hip hop no inicio dos anos 90. muitos artistas como o X-Clan, demonizavam o “garoto cavernoso opressor”. Eu dou suporte a artistas que falam para a comunidade que eu vivo, que é uma comunidade multi étnica. Sizzla em seus concertos não fala para uma comunidade multi étnica, diferente de Junior Reid, outro Bobo, nos puxando articuladamente para o Reggae Rasta em primeiro plano com o seu hino “One Blood”.

No reggae rasta, sempre houve uma dualidade de temas, expressões de unicidade racial, mas alem disso uma outra parte da cultura obsessiva com a oposição contra o homem branco. DJ RJ e eu fizemos outro estudo espcial, sobre este fenômeno, no chacoalhão controverso de Sizzla “Queimando Pessoas Brancas”. É chamado "White Boy a Follower? From Black Supremacy to ‘One Love’ in Rasta Reggae." [Garoto branco é um seguidor? Da Supremacia Negra para o “One Love” no Reggae Rasta].

Nós usamos muitos exemplos neste show para ilustrar estes temas dúbios, dos bobos discutindo o conceito da Supremacia Negra no show de Mutabaruka, ao Profeta Gad, o fundador da ordem Rastafari 12 Tribos de Israel citando “One Blood” do livro Atos Cap. 17 vers. 26 para argumentar contra qualquer noção de separatismo racial. Rasta é uma cultura que envolve um longo caminho, do cântico “more ao opressor branco” no inicio, partindo para o slogan “morte ao opressor negro e branco”, que foi repetido freqüentemente por artistas como Bob Marley a Capleton. Isto expressa a visão que está é uma força que transcende raças.

Eu penso que o reggae e o dancehall se tornaram muito mais internacionais, a audiência internacional em particular de salientar a questão; qual o nosso lugar na cultura? Isto aparenta ser uma particularidade irritante na questão para europeus e euro-americanos, mas ainda assim há artistas como Sizzla e grupos como os Bobos que definem suas alianças e seus inimigos primeiramente em termos raciais (http://www.oneworldmagazine.org/focus/etiopia/rasta.html). 

O tempo chegou para os europeus clamarem por um lugar na cultura. Em meu livro On Racial Frontiers, fiz esse argumento baseado em fatos históricos, incluindo a evolução do rasta como parte da história internacional e dos movimentos de liberdade multi racial com citações da “Black Liberation” (libertação negra) e da redenção multi racial “One Blood” coexistentes. Para os europeus que irão agir como expectadores da cultura (ou que aceitem essa definição), meramente clamando “sobre a cultura do homem negro”, aparenta ser ainda outra forma de escravidão mental. Quando nós divulgamos conhecimento suficiente para dizermos que essa também é nossa cultura, isso nos traz um novo patamar de responsabilidades. Nesses termos no meu ponto de vista, isso se formos fazer parte da base de fans de Sizzla, então nós precisamos buscar meios de engajar Sizzla num diálogo sobre suas atitudes a fim de falar com aqueles que provém a ele com sua maioridade de seus royalties. Então vamos ver outra visão da antiga história de Sedraque, Mesaque e Abede-Nego. Sizzla predominantemente tem uma audiência européia que verdadeiramente não precisa temer o fogo, porque se forem checar a raiz da história com a luta por direitos iguais e justiça, eles irão encontrar o que sempre foi um movimento multi étnico internacional. Então seria justo se nós começássemos a especular que artistas como Sizzla começassem a admitir nossa presença em sua visão artística?

Voltando a 1929, falando no aniversario da Emancipação no Caribe-Inglês, Marcus Garvey disse: “Nós devemos criar uma segunda emancipação; a emancipação de nossas mentes.” Isto é um salto curto para Bob Marley parafrasear: “Emancipem a si mesmos da escravidão mental, ninguém a não ser nós mesmos conseguiremos libertar nossas mentes.” Isso ainda é uma grande evolução da conscientização. Uma das formas centrais da escravidão mental com a qual Marley travou sua luta foi a grande noção de racionalismo de si próprio. Marley foi um “Garveyista”, e ainda não auto denominou a si mesmo como um homem negro, mesmo como rasta. Ele disse repetidamente que europeus e asiáticos poderiam ser rastas, se colocassem em pratica os ensinamentos de Selassie, em particular a visão de um mundo de direitos iguais garantido para todos, “sem considerar a raça.”

Isto é uma evolução histórica comparável com a Cristandade evoluída da religião da tribal judia, para uma comunidade inclusiva que era: “Tão pouco judeu quanto gentiu, homem como mulher, escravo ou livre.” Este rasta não é mais para a “cultura do homem negro” quanto a cristandade é uma “religião judia”. Mas isto é uma revolução incompleta. “O problema da emancipação é o fato de que estas correntes na mente são freqüentemente muito mais atadas do que as correntes do corpo”, Caroline Cooper escreveu. E a escravidão mental da oposição do ódiopara esses que não pensam ou vêem como nós, se tornou uma forma de escravidão muito mais duradoura do que uma escravidão física. 

A controvérsia do fya burn chegou no tempo certo. Porque o tempo é um redemoinho para todos aqueles que como nós amam essa música e cultura, começarem a redefinir quem nós somos. Os jovens devem começar a saber muito mais claramente o que eles opõem, todos nós devemos ter uma posição, como meu I-rmão Norman Bonner disse, para criar uma atmosfera em que “produtores e artistas não irão criar, e dj’s irão tocar músicas que celebraram diversidade e compreensão, e condenem a intolerância e danos letais.”

A respeito da mentalidade de queimar pessoas brancas, eu me lembrei de uma outra peça, uma sábia advertência que veio de Ângela Davis, de quem eu ouvi um criticismo construtivo dado em um conferencia em que discurso após discurso foi-se obsessivamente entulhando o povo branco numa coalisão multi-etnica atuante, Davis disse, sendo aquele que “tampouco é centralizado ou excluído. Para aqueles que clamam pela criação de alternativas para a história do eurocentrismo não conseguirem, se no caso eles continuarem a centralizar os europeus, sempre e especificamente trazendo mera oposição.”

Ai estão duas formas de subserviência, o historiador David Hackett Fischer uma vez escreveu: “escrava imitação e refutação”. Igualmente extrema é a forma de escravidão mental. E certamente a obsessão pelo fogo queimando os inimigos chamados de battyman, o vaticano, ou o homem branco, é uma forma de subserviência. De novo eu acredito que toda a comunidade precisa chegar junta num raciocínio para obter uma clara definição sobre o que realmente nos opomos, e o qual é a nossa real expectativa para criarmos alternativas.

Somente se soubermos o que nós nos opomos, então apenas nos restarão as cinzas. Que é o fim do jogo do “fire burn”, uma vez ouvi uma mulher negra cantando em San Diego, a música “Oh How I love Jesus”:

"Oh how I love fire, oh how I love fire, oh how I love fire,
Cause Everything turns black when it burns.”
[oh como eu amo o fogo, o como eu amo o fogo, o como eu amo o fogo,
Porque tudo volta a ser negro quando queima.”]

QUEIME A BABILÔNIA SEM REMORSOS

Eu escrevi esta dissertação primeiramente para um público não-jamaicano tradicional em mente. Particularmente, aqueles que como nós vivem em lugares mais privilegiados. Eu penso que é fácil para perder a visão do porque que tantos jovens estão enfurecidos. E eu penso que nesses tempos de crise, nós precisamos nos lembrar da necessidade de raiva e rebelião.

Norman Stolzoff escreveu; “o reggae roots se tornou algo como uma ortodoxia para estes primários fans brancos, e isso os cegou para a larga abrangência da cultura musical”. A larga cultura a qual ele falou continua “mais raggamuffin para se manter vivo nesses tempos”. Jovens no Caribe, como muitos jovens suburbanos por ai, encaram abrangentemente o desemprego. Muitos vivem nos guetos em que a violência e a morte são cotidianas. Eles vão a escola, se todos forem, os professores os ensina uma informação ultrapassada. Lidres não falam para eles, e a maior parte aparentemente é corrupta. Os jovens têm desprezo por instituições de todos os tipos, sendo que todas investem em mero status. O mesmo que sempre foi: “o sistema babilônico é o vampiro, sugando o sangue dos sofredores.”

A babilônia foi descrita por Jack Johnson Hill em seu livro I-Sight: The World of Rastafari, como uma “sociedade artificial afluente que auto absorve indivíduos que cultuam ídolos e vivem de forma decadente as custas dos pobres”

E eu pergunto a meus leitores: fazendo isso se toca a campainha? Está é uma boa definição de “rat race” [corrida vil]? Em que a maioria de nós vive?

Então quando eu ouço Prince Malachi cantando “queimem a babilônia sem nenhum remorso”, eu digo “nós não precisamos de água, deixe o sistema babilônico queimar”. Os jovens de hoje devem olhar para o mundo que herdaram, e devem aparentemente concordar com Bob Marley em sua definição ruim da cena: “Isso aparenta ser como que a destruição total é a única solução.”

Eu penso que estamos aptos a concordar no mínimo com a metáfora “taco fogo” [burn down] na injustiça, o insustentável estilo de vida que apenas serve aos interesses dos ricos, e que está destruindo a terra, ou os ditos lideres que estão em contradição, ou que apenas não se importam, na sua busca pela grandiosidade política e ganho econômico. Nós não conseguiremos ter um diálogo com os jovens hoje se não conseguirmos afirmar que muitas coisas sobre todos nós nos deixam nervosos, e que queremos “melhoramentos”.

Talvez desse ponto inicial, nós poderemos começar a falar sobre como aprender a canalizar a raiva em direções mais construtivas. Talvez tenham o arsonista verbal que guspiu a verdade sobre o que Gandhi disse um dia, “olho por olho deixa o mundo todo cego”. O battyman, a Bíblia, e a burca não são os inimigos – de fato todos tem algo importante para contribuir para nossa emancipação coletiva.

“Não julgue para não ser julgado”, é um ensinamento que é encontrado em todas as religiões do mundo. E isto continua atual. Considerando os ateadores de fogo, Mikey General disse para a editora Laura Gardiner do Jahworks.org: “alguns desses estão julgando e condenando e não estão julgando a si próprios, isto não pode estar certo.”

Em uma entrevista com Carter Van Pelt, Luciano afirmou a necessidade de queimar retoricamente certas coisas. Ele notou isso quando “tacou fogo” em uma advertência contra cigarros que ele encontrou no backstage em uma de suas performances. Mas para “apenas por fogo sem razão, sem conhecimento, é perigoso para Eu e Eu também”, disse Luciano. “Eles dizem amor sem conhecimento também não é amor em totalidade. Temos de buscar mais recursos antes de derramar mais sangue do que já foi derramado”.

A influencia rasta na musica reggae, diz meu amigo Andrej Grubacic na Sérbia, é “uma cultura de amor e rebelião”. Ele e milhares de aliados usaram a música reggae como uma ferramenta de rebeldia contra a ditadura imposta por Milosevic. Mas o reggae rasta deu a eles um modelo não apenas do que eles estavam se opondo, mas também alternativas mais atrativas que são ambos parte de uma cultura em que eu vivo. E ambos compreendem que este fogo e rebelião podem ser usados ambos para purificação, ou para destruição. Ultimamente a forma que usam depende de nossa consciência. Buscando mais consciência no nosso tempo, quer dizer que devemos aprender como nos encorajar em uma rebelião controlada, e não apenas em oposição. Porque se apenas soubermos aquilo que nós nos opomos, então nos tornaremos assim como o que odiamos. Para criar uma alternativa mais atrativa par ao Sistema Babilônico, nossa rebelião deve ser guiada por amor. Amor pela justiça, e ultimamente, amor e respeito por todo tipo de vida.

“Para aquele que diz, “Eu amo JAH”, e odeia seus irmãos e irmãs, são mentirosos, para aquele que não ama seu irmão ou irmã que consegue ver, não pode amar seu criador que ainda não conseguiu ver (I João Cap. 4, Vers. 20 – adaptado.)

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Gregory Stephens é autor do livro On Racial Frontiers: The New Culture of Frederick Douglass, Ralph Ellison, and Bob Marley (Cambridge UP). Como jornalista Stephens publicou artigos em forums como Los Angeles Times, San Francisco Chronicle e Village Voice. Uma entrevista sobre seu livro pode ser lida aqui. Seu artigo "The Fiya Burn Controversy: On the Uses of Fire in a Culture of Love and Rebellion" pode ser lida aqui e um programa de radio especial pode ser ouvido aqui. Formado em literatura na Universidade da Califórnia e um Rockefeller Fellow na the University of North Carolina, ele é atualmente um professor bilingui em Oklahoma em escola publica. Show de radio, entrevistas e artigos on line podem ser lidos no site http://www.gregorystephens.com. Contato gstephen@email.unc.edu
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