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sábado, 21 de fevereiro de 2009

ENTREVISTA BOB MARLEY


Em tempos onde o reggae nacional anda numa defasagem e mesmice plena, bom ao invés de fazer uma bio ou qualquer outra coisa a respeito de Bob Marley, vou postar uma entrevista dada por ele a Stephen Davis e Peter Simon, no livro “Reggae – Música e Cultura Jamaicana”. Nesta entrevista Bob fala sobre Rastafari, o Reggae e a comercialização (direitos autorais, venda de discos), sobre a situação política na Jamaica e suas “profecias” digamos assim, quanto ao futuro do Reggae ( se tivermos a visão da palavra dita sobre a Jamaica, e refletirmos sobre o Brasil, o ocorre aqui é o que é dito por Marley). Boa leitura. RAS

***

*** - O fato de ser o músico que toda a gente espera que vá popularizar ainda mais o reggae não o afeta?
Marley – É claro, os outros irmãos usam-me como um veículo. Mas nós temos uma mensagem e queremos transmiti-la. A mensagem é de viver. A minha mensagem ao mundo é Rastafari! O que é bom deve cobrir o mundo, assim como a água cobre o oceano. Não passamos de crianças a face da terra mas as nossas mentes estão muito perturbadas. Ninguém ensina aos outros o verdadeiro modo de vida. Neste momento, o diabo tem uma grande influencia. Mas se querem a minha opinião, a influência do diabo conduz a morte ao passo que a de Jah conduz a vida. Yeah, mon, os Rastas devem regressar a sua terra, a Africa. Isso parece engraçado para alguns, as vezes até parece uma loucura, mas é nosso profundo desejo regressar a Africa. Houveram coisas que aconteceram há muito tempo atrás que devem ser reveladas, e até que isso se faça, estarei sempre em cativeiro.

*** - Será que os Rastas vão se organizar para fazer da Jamaica uma outra Africa?
Marley – Não! Não há salvação para a Jamaica. Nós gostamos da Jamaica, sabe, mas para os Rastas é uma terra manchada. A sua história está manchada. Tal qual o povo que se parte já não pode ser recuperado. A Jamaica não pode ser recuperada. Nem por mim, nem pelos Rastas. Quando vemos o sistema, vemos a morte. Aqui, as pessoas têm de lutar por tudo.

*** - Os músicos de reggae são acusados aqui na Jamaica de venderem a cultura jamaicana...
Marley – Nós não vendemos a nossa cultura. Se Deus não me desse canções para eu cantar, eu não cantaria. Ouve: “enquanto a filosofia que diz que uma raça é superior a outra não for definitivamente desacreditada e abandonada, é a guerra...” Haile Selassie já disse. Eu não faço mais do que repeti-lo ao mundo. Não se pode vender uma cultura.

*** - Você irá até a Africa?
Marley – Yeah mon! O tempo chegou compreende? Marcus Garvey disse “A Africa para os africanos”. E isso não pode ser posto em causa. O problema reside no fato do diabo precisar da vida de toda a gente. Mas aqui não se pode trabalhar para se alcançar o que se quer. Nunca podereis alcançar o vosso fim. O sistema mata as pessoas e é por isso que temos de matar o sistema. Todos querem conduzir um carro mas ninguém quer conduzir um burro. Eu só gosto de um governo, o governo de Rastafari. Nós somos oriundos da Africa, mas ninguém no governo aceita isso. Eles querem que pensemos que somos jamaicanos. A maioria dos jamaicanos quer regressar a Africa, mas o governo diz que devemos viver e morrer aqui. Ainda não é hoje, mas quando o dia chegar, 144.000 regressarão. Falo é claro, das 12 tribos de Israel. O governo não tem razão e não sei o que se passa com eles. Os políticos estão nas tintas do povo. Só Jah se preocupa. Eles dizem: “Cada um por si e Deus por todos”. – Marley passa o joint, a noite cai e motos entram e saem zumbindo. Yeah mon! É a guerra! A Jamaica é o inferno. Até encontrarmos as nossas raízes, a política continuara a existir. Se encontrarmos as nossas raízes, poderemos viver. Reggae, Rock, Soul, cada canção é um sinal. Mas é preciso tomar atenção, ao tipo de canção e vibração que se da ao povo, porque “desgraça para aqueles que conduzirem meu povo a deriva”. Como cantor, prefiro cantar para todo o povo e não só para metade. É preciso ter cuidado com o que se canta. E se a Babilônia nos quiser explorar, isso só apressará a sua queda. Se formos verdadeiros irmãos, o dinheiro não poderá servir de barreira entre nós. Compreende? Bom! É claro, as pessoas roubam-me e tentam enganar-me, mas agora tenho experiência. Agora sei e vejo, e já não sou enganado. Fiz discos e não recebi direitos de autor. As vezes ainda acontece. Todos os discos do Wailers foram feitos aqui na Jamaica, mas foram falsificados na Inglaterra. Todas as companhias inglesas roubam, mon! Tos que se ocupam da música das Antilhas, são uns canalhas...

*** - Quais são os músicos de reggae que prefere?
Marley – As I-Threes, Burning Spear, Big Youth, toda a música jamaicana. Gosto do Dub, mas não toco muito. Dub significa exato e justo. A perfeição. Quando os Wailers dizem que vão tocar Dub quer dizer que vão ser exatos e justos.

*** - O que acontece que o reggae é tão pouco tocado pela radio jamaicana?
Marley – É porque o reggae fala da atual situação na Jamaica. Algumas pessoas não gostam da verdade. Mas não é grave, já que as pessoas não ouvirem reggae na radio, ouvem em suas casas ou vão dançar e continuam a ouvir. A radio é importante mas se um disco é lançado e ela não passa, a grande promoção consiste em dizer que é uma canção censurada, e quando uma canção é censurada todos querem ouvi-la.. hehehe! Não me fale de Manley (primeiro ministro da Jamaica) nem do governo. Manley não pode deter a profecia. A profecia deve seguir o seu caminho. A erva é o remédio da nação. Manley pode dizer o que quiser (sobre a legalização da ganja), mas a policia recebe as suas ordens de outros. Manley veio aqui um dia e fumamos juntos. Eu não condeno as pessoas, deixo o julgamento a Jah. Nós não condenamos o sistema. Há os que vivem no mal e pensam que estão certos. Por exemplo, um Rasta senta-se e fuma um pouco de erva meditando ao passo que a policia vem vê-lo, obriga o Rasta a se levantar, revita-o, bate nele e o leva para a prisão. Mas para quem é que esse age assim? A erva cresce como o inhame ou a couve, cresce simplesmente! A policia age assim para praticar o mal. Os Rastas dizem: É bom pensar bem de vocês e dos outros. A inspiração vem direitinha de Jah, mon! O barco balança, mas nós nos agüentamos. O rum lhe destrói as entranhas, ele te mata pelo sistema. O sistema recusa a erva, porque ela lhe torna sólido. Reparem, sempre que fuma a erva a sua consciência aparece diante de você. Vocês a vêem! Esta vendo? Então o diabo não gosta que estejam conscientes e organizem a sua vida. Porque assim não vai mais fazer asneira. Sim, Rasta! A Erva é o remédio da nação. Mas muitos outros vão ter de sofrer e muitos outros terão de morrer. Não me pergunte porque! Mas Rasta não é violento, Rasta é físico. Compreende o que eu quero dizer? Nós não somos como carneiros num matadouro e eles não tem o poder para cometer determinadas ações contra nós.

*** - Há outros Rastas que dizem que você se vendeu a Babilônia e dizem também que o seu carro é um exemplo do seu materialismo...
Marley – Um BMW não representa o sistema. A Babilônia é que é o Sistema. Há os qe dizem também que BMW significa Bob Marley and The Wailers. Este carro não me pertence, ele pertence mas é a estrada. É melhor que um burro. Não come toda a noite estragando os arbustos, não zurra, não faz barulho de manhã, hehehe. Eu prefiro as cabras aos burros. Se encontrarem uma cabra, poderão se comunicar com ela. Uma cabra é inteligente sabe? Sim, Rasta! Qualquer um que mate uma cabra, fica triste. Mais vale conduzir com cuidado e não correr riscos.

*** - Tem alguma previsão sobre o seu futuro e o futuro do reggae?
Marley – Verão o que ira me acontecer. Não vai ser preciso esperar muito tempo. Não o posso dizer, porque se eu tivesse esse poder, eu falaria e as pessoas tentariam me deter. Eu sei o que vai acontecer comigo. O reggae vai se tornar um verdadeiro combate, o que já esta acontecendo, porque é a música do terceiro mundo. Não se pode compreender em um só dia, ira se percebendo aos poucos...

Entrevista públicada no livro "Reggae, Música e Cultura Jamaicana" escrito por Stephen Davis & Peter Simon.

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