quinta-feira, 28 de abril de 2011

EGITO EM OBRAS

Matilha Cultural recebe obras artísticas e multimídia que refletem o presente Egito

São Paulo, abril de 2011 – A Matilha Cultural se propôs a dar voz às ações do povo egípcio e auxiliar na propagação e reflexão das suas idéias, por meio do projeto “Egito em Obras: Expressões da Revolução”, que fica em processo de 29 de abril a 18 de junho no espaço cultural.

Realizado a partir da busca de pessoas e grupos diretamente ligados ao processo revolucionário e que está resultando num work in progresscom algumas organizações culturais e pessoas (desde artistas, até jornalistas e civis), “Egito em Obras” é em si um processo e traz um questionamento sobre a força de articulação que as pessoas comuns tem para mudar os rumos da política. A primeira mostra deste processo poderá ser vista na próxima sexta, dia 29, a partir das 18h, na forma de fotos, vídeos e artes enviadas diretamente do calor dos acontecimentos. A Matilha, ao trazer este projeto, busca chamar atenção para a necessidade da luta pelos direitos e trazer um registro de um processo ativista, por meio de um intercambio entre centros culturais, ativistas e artistas do Egito e do Brasil, nesse momento que o povo egipcio está vivendo as transformações na sua maior intensidade. A abertura será durante o happy hour Mondo Cane.

Em meio aos confrontos com as forças contra-revolucionárias de Hosni Mubarak, que resultou em centenas de mortos e a sua queda como ditador, a MatilhaCultural conseguiu realizar o difícil trabalho de mapear um conjunto de ativistas revolucionários e iniciativas culturais independentes autênticas que pudessem traduzir o momento atual e também as expressões artísticas que participaram do processo de resistência e levante do povo egípcio.

São manifestações que vão desde fotos de graffiti nas ruas até ações táticas de guerrilha de informação envolvendo video-arte, um apanhado de elementos e ações que demandaram inclusive um novo formato de exposição para a Matilha. Um formato que fosse capaz de se articular com programas de rádios on-line feitos especialmente, conversas em tele-conferência, realizar intervenções conjuntas entre São Paulo e Cairo, contextualizar os documentos seqüestrados do prédio do serviço de inteligência egípcio pelos revolucionários, além de debates, vídeos, filmes, fotos e etc.

"Poderia se chamar até de festival, mas também não é o caso. O 'work in progress' é um termo que inspira essa idéia de processo, que é capaz de abordar a ação participando dela, existir como uma manifestação viva e interativa. Foi a nossa pesquisa que demandou esse novo formato de exposição, foi a forma mais autêntica que encontramos para falar de uma revolução que está em andamento", diz Demétrio Portugal, curador da exposição e diretor de programação da Matilha Cultural.

Um dos destaques é o artista Aalam Wassef com um apanhado de vídeos e táticas de guerrilha de informação realizadas desde 2007 sob o pseudônimo de Ahmad Sherif. Altamente subversivos e satíricos os vídeos formam um unidade clara a partir da sua forte identidade estética. Por medo da repressão, Wessef destruiu todos os originais de seus trabalhos desse período só restando cópias dos vídeos na internet. Ele é um dos convidados para as conversas em tele-conferência.

Uma das principais fontes para essa exposição é Maya Gowaily, uma jovem egípcia que lidera um projeto para arquivar o graffiti saido da revolução. Percebendo que as intervenções criadas durante a revolução estavam sendo rapidamente apagadas, ela criou a página Graffiti Revolution no Facebook www.facebook.com/graffitiegypt, onde qualquer pessoa pode adicionar suas imagens. A idéia tem chamado atenção e está prestes a se tornar um livro.

A exposição audiovisual, conta com fotos, vídeos, arte em stencils, lambe-lambes e outras artes gráficas produzidas no Egito no calor dos acontecimentos, além do programa 100 Projects, da rádio online de música experimental transmitido diretamente do Cairo e comandado por Mahmoud Refat. Filmes e documentários que retratam a região também fazem parte da programação. Algumas obras também serão levadas para as ruas da cidade.

Ainda está previsto um dia de debates e conversas sobre o atual momento geopolítico do norte da África e do Oriente Médio e suas repercussões em nível global para contextualizar historicamente os acontecimentos atuais. Além disso, Matilha está disposta a receber grupos de escolas e instituições que queiram visitar a exposição.

“A proposta da Matilha é ser um vetor de divulgação desta manifestação revolucionária e através destas informações, promover reflexão e um olhar além da cobertura da mídia”, adianta Demétrio Portugal.

----> acompanhe o projeto na página do facebook


Principais parceiros:

# Darb 1718 www.darb1718.com
Organização sem fins lucrativos, com a missão de ser um trampolim para o avanço do movimento da arte contemporânea emergente no Egito e ao mesmo tempo esforçando-se para colaborar com diversos grupos sociais e culturais.

# Cairo Jazz Club www.cairojazzclub.com
Um dos club mais populares do Cairo. Com um programação eclética com encontro de bandas e DJs.

O artellewa é um espaço independente de arte contemporanea, sem fins lucrativos, criado por Hamdy Reda com o apoio de amigos. Fundado em janeiro de 2007.

A galeria Town House é um espaço para as artes independentes, visando a promoção das artes contemporâneas na região e internacionalmente.

Programa de rádio online de música experimantal comenando por Mahmoud Refat, diretamente do Cairo.

Mohamed Allam www.medrar.org
Estabeleceu uma iniciativa com a "Medrar de Arte Contemporânea", que visa a promoção das práticas artísticas contemporâneas de artistas jovens, no Egito.

Maya Gowaily é uma jovem egípcia que lidera um projeto para arquivar o graffiti saido da revolução no Egito, Líbia e outros países do Oriente Médio.

MATILHA CULTURAL

A Matilha Cultural é uma entidade independente e sem fins lucrativos, instalada em um edifício de três andares, localizado no centro de São Paulo. A Matilha integra um espaço expositivo, sala multiuso e café, além de um cinema com 68 lugares.

Fruto do ideal de um coletivo formado por profissionais de diferentes áreas, a Matilha foi aberta em maio de 2009 e tem como principais objetivos apoiar e divulgar produções culturais e iniciativas sócio-ambientais do Brasil e do mundo.

Egito em Obras: Expressões da Revolução
Abertura: 29 de abril, às 18h
De 29 de abril a 18 de junho.
Rua Rego Freitas, 542 – São Paulo
Tel.: (11) 3256-2636
Grátis
Livre

MATILHA CULTURAL
Rua Rego Freitas, 542 – São Paulo
Tel.: (11) 3256-2636
Horários de funcionamento: terça-feira a sábado, das 14h as 20h
Wi-fi grátis
Cartões: VISA (débito/crédito)
Entrada livre e gratuita, inclusive para cães

sábado, 23 de abril de 2011

KRS-ONE - HIP HOP LIVES (I COME BACK) [TRADUÇÃO]

No podcast junto com o Sombra, inclui essa música na seleção do primeiro bloco, e vou dizer, é uma das música que eu mais ouço até hoje, desde que chegou pra mim, descreve exatamente o que é o Hip Hop na minha vida e a influencia que ele teve na minha educação, disciplina e espiritualidade. Bom, ouçam a música, a letra traduzida está logo ai embaixo. Peace akky!!!



I come back
[Eu voltei]

Every year I get newer
[Todo ano volto renovado]

I'm the dust on the moon
[Eu sou a poeira da lua]

I'm the trash in the sewer
[Eu sou o lixo no esgoto]

Let's go
[Vamos lá]

I come back
[Eu voltei]

Every year I get brighter
[Todo ano eu volto mais brilhante]

If you thinking Hip Hop is alive hold up your lighter
[Se você pensa que o Hip Hop está vivo levanta seu isqueiro]



Let's go
[Vamos lá]

I come back
[Eu voltei]

Every year I'm expanding
[Todo ano eu estou expandindo]

Talking to developers

[Falando com os desenvolvedores]
About this city we planning, c'mon!
[Sobre a cidade que nós planejamos, chega ai!]

I come back
[Eu voltei]

Through any endeavor
[Através de todo esforço]

This is Hip Hop
[Isto é Hip Hop]

We gone last forever
[Nós vamos durar para sempre]



Hip means to know
[Hip significa saber]

It's a form of intelligence
[É uma forma de inteligência]

To be hip is to be up-date and relevant
[Para ser Hip é preciso estar atualizado e relevante]

Hop is a form of movement
[Hop é uma forma de movimento]

You can't just observe a hop
[Você não pode apenas observar o Hop]

You got to hop up and do it
[Você precisa "hop up" e fazer]

Hip and Hop is more than music

[Hip e Hop é mais do que música]
Hip is the knowledge
[Hip é o conhecimento]

Hop is the movement
[Hop é o movimento]

Hip and Hop is intelligent movement
[Hip e Hop é movimento inteligente]

All relevant movement
[Todo movimento relevante]

We selling the music
[Nós estamos vendendo música]

So write this down on your black books and journals
[Então escreva isso em seus livros pretos e jornais]

Hip Hop culture is eternal
[Cultura Hip Hop é eterna]

Run and tell all your friends
[Corre e conta para todos seus amigos]

An ancient civilization has bee born again
[Uma civilização anciente nasceu outra vez]

It's a fact
[É um fato]


I come back
[Eu voltei]

Every year I'm the Strongest
[Todo ano eu sou o mais forte]

Krs-one, Marley Marl
Yup we last the longest
[Sim somos os que duram mais]

Let's go
[Vamos lá]
I come back
[Eu voltei]

Cause I'm not in the physical
[Porque eu não estou no fisico]

I create myself man I live in the spiritual
[Eu criei a mim mesmo, eu vivo no espirito]

I come back through the cycles of life
[Eu voltei através dos ciclos da vida]

If you been here once you gone be here twice
[Se você esteve aqui uma vez você estará aqui duas]

So I tell you
[Então eu te digo]

I come back
[Eu voltei]

Cause you must learn too
[Porque você você precisa aprender também]

Hip Hop culture is eternal
[Cultura Hip Hop é eterna]



Hip Hop (Shan!)



Her Infinite Power
[Seu poder infinito]

Helping Oppressed People
[Ajudando o povo oprimido]

We are unique and unequaled
[Somos únicos e inigualáveis]

Hip Hop

Holy Integrated People
[Sagrado povo integrado]

Having Omnipresent Power
[Possuidor do poder onipresente]

The watchman's in the tower of
[O vigia está na torre do]



Hip Hop

Hip Hop

Hydrogen Iodine Phosphorous
[Hidrogênio Iodo Fósforo]

Hydrogen Oxygen Phosphorous
[Hidrogênio Oxigênio Fósforo]

That's called
[Isto é chamado]



Hip Hop



The response of cosmic consciousness
[A responsabilidade da consciência cósmica]

To our condition as
[Para a nossa condição é o]


Hip Hop


We gotta think about the children we bringing up
[Nós precisamos pensar nas crianças que nós estamos trazendo]

When Hip and Hop means intelligence springing up
[Quando Hip e Hop significa inteligência surgindo]

We singing what?
[Nós cantamos o que?]



Sickness Hatred Ignorance and Poverty
[Doença, ódio, ignorância e pobreza] 

Or Health Love Awareness and Wealth
[Ou Saúde, Amor, conscientização e riqueza

Follow me
[Sigam-me]

I come back
[Eu voltei]

Every year I get newer
[Todo ano volto renovado]

I'm the dust on the moon
[Eu sou a poeira da lua]

I'm the trash in the sewer
[Eu sou o lixo no esgoto]

Let's go
[Vamos lá]

I come back
[Eu voltei]

Every year I get brighter
[Todo ano eu volto mais brilhante]

If you thinking Hip Hop is alive hold up your lighter
[Se você pensa que o Hip Hop está vivo levanta seu isqueiro]



Let's go
[Vamos lá]

I come back
[Eu voltei]

Every year I'm expanding
[Todo ano eu estou expandindo]

Talking to developers

[Falando com os desenvolvedores]
About this city we planning, c'mon!
[Sobre a cidade que nós planejamos, chega ai!]

I come back
[Eu voltei]

Through any endeavor
[Através de todo esforço]

This is Hip Hop
[Isto é Hip Hop]


We gone last forever
[Nós vamos durar para sempre]


We will be here forever
[Nós vamos estar aqui para sempre]

We will still be here forever
[Nós vamos continuar aqui para sempre]

Get what I'm saying
[Se liga no que eu estou dizendo]

Forever
[Para sempre]
Marley!

I come back
[Eu voltei]

Every year I get newer
[Todo ano volto renovado]

That's That
[Sumêmo]

That's That
[Sumêmo]


quarta-feira, 20 de abril de 2011

FREE DOWNLOAD - MISTER BOMBA DE PONTA A PONTA + ENTREVISTA




Depois de alguns anos de estrada ao lado do SP Funk, Mr. Bomba lança seu primeiro disco solo, intitulado "De Ponta a Ponta". O CD, com direções para o rap radiofônico, foi produzido por ele e está encartado na revista Soma 21, em parceria com a Matilha Cultural. Se você ainda não pegou a sua, mas tá curioso, pode baixar o discão aqui.

Na sequência, leia a entrevista com Mr. Bomba abaixo. E clique aqui para fazer o download do disco. 



O Tranco do Mr. Bomba


Por André Maleronka . Fotos por Fernando Martins Ferreira

Mr. Bomba está lançando um primeiro disco solo cheio de direções para o rap radiofônico. E isso faz todo o sentido: o SP Funk, grupo do qual veio, sempre teve um olho nas novidades e outro nos bailes, e conseguiu aliar formatos inovadores e penetração no circuito do rap brasileiro. Neste bate-papo com a SOMA, ele fala sobre o início de sua carreira, sobre a situação atual da cena do hip-hop nacional e sobre as perspectivas e possibilidades do gênero no Brasil.



Quando escutei a primeira demo do SP Funk, já era um som diferente. Era descontraído, de baile.


É quente. Fomos os primeiros. O Zé Gonzales falou isso pra mim esses dias, que o SP Funk foi o primeiro [grupo] a fazer música de pista. E desde o começo a gente tinha preocupação com flow, letras com mais assuntos, estudar antes de falar, usar comparativos. Fomos os primeiros, os mais arrojados.



E como você começou a produzir?


Logo no primeiro [disco] do SP Funk. A primeira música que gravamos foi com o João Marcelo Bôscoli. A Trama nem existia, era pra uma coletânea da [gravadora] Velas. Então na primeira vez que entrei no estúdio foi um puta estúdio. Isso foi lá atrás, eu, o [Tio] Fresh e o Primo [Preto, então MC do grupo] no tempo do [baile] Sub Club. O MRN foi o primeiro grupo com qual nos coligamos, eram nossos aliados. O Fresh era do MRN, que tinha contrato com a [gravadora] Zimbabwe, com o Edu K produzindo - depois do Pivete e do Racionais, era o mais avançado que estava se produzindo no rap da época. Eu já tinha visto samplers em fotos. Fazia uma ideia do funcionamento do negócio. MPC vi pela primeira vez com o Nuts ou o Zé [Gonzales]. Era como eu pensei, o jeito que funcionava. Em 99 catei e aprendi sozinho. Quando tinha dúvidas dava uma ligada pro Zé. Fiz o disco do SP Funk assim. Antes a gente fez um contrato com o DJ Hum pra coletânea Rima Forte, [na qual] entrou nossa música "Fúria de Titãs". Quem se destacasse ganhava um disco inteiro. Fomos nós. E eu achava que a gente tinha que ter a nossa cara de produção. Hoje esse é um lado que curto muito e quero trabalhar. E em qualquer estilo - agora teve uma música minha que foi pro Exaltasamba.



"Eu não tenho preconceito na música. Não quero nenhum limite. Quero fazer música boa, que chacoalha. Músicas fáceis de cantar, mas inteligentes, com letra boa."


Da hora.

É uma música minha com o Oscar, que era do Broz. Ninguém queria trabalhar com o moleque do Broz, aí passaram pra mim. Eu faço. Lógico, o moleque canta pra caralho! Eu sei qual é a do Broz. Se fosse outro cara do Broz eu não fazia, mas como era aquele que vi cantando na TV e falei "Ó que zica esse moleque". Cantando R&B não tem, nunca vi assim no Brasil. Eu não tenho preconceito na música. Não quero nenhum limite. Quero fazer música boa, que chacoalha. Músicas fáceis de cantar, mas inteligentes, com letra boa.

Depois dos discos do SP Funk você fez aquela batida do som do D2 com o Catra.

É, eram alguns samples e um beat. Ele retocou o sample com o Caldato produzindo. É igualzinha, os breaks, a ponte. E eu nem sabia que ia ter o Catra. A parte dele é só uma ponte, e aquela base... Ele ia comer aquela base. Podia fazer um remix, comigo, com ele e o D2. Na minha versão da batida, ia ficar doido.

Hoje o rap tá com um nível bom, várias pessoas fazendo bem várias coisas diferentes.

No rap agora, ou você é bom ou nem faz, tá ligado? Imagina o Sabotage hoje em dia. Ele era o cara, mas vou te falar que agora tá nascendo uma safra boa. Mas ele era o cara, "number one". De flow, de tudo, de conceito. Ele ia ser rap até os 50 anos. Tinham que fazer um filme da história dele. Se fizerem direitinho, a hora que sair é estouro. E hoje tem vários caras. O Criolo [Doido] é fodido, tá no meu disco. Agora, essas tretas de Cabal e Emicida, isso é uma merda. O Cabal é foda. Sempre acreditei nele, mas às vezes a gente tem que pensar direitinho no que vai fazer.

Tem que entender melhor o Brasil.

Tem que entender melhor o Brasil, exatamente. É outro ritmo. Tem outros jeitos de fazer a mesma coisa. Essas musiquinhas... Música de picuinha não é música de carreira, tio. Você não vai ser lembrado por isso. A "Hit ‘Em Up" do Tupac não é a música pela qual ele ficou conhecido. Você tem sempre que estar atrás da música que vai te fazer ser reconhecido.



E teu disco vem como?


O disco não é todo dançante, tem minhas viagens de base, o que eu gosto de fazer. Chama Mr. Bomba De Ponta A Ponta, porque sou eu que tô fazendo tudo. Fiz várias músicas, várias produções, pra chegar até as que vão pro disco. Várias ficaram de fora. Quando eu lançar tem amigos que vão falar: "Cê é louco!".

"Eu tenho carimbo do funk. Já fiz vários bailes funk, e eu era o único de rap. As bases são tudo meio no tranco: catei a batida do crunk, do dirty south, e coloquei os timbres de funk, no ritmo do rap. Por isso deve ter dado algum estalo nos DJs de funk, que começaram a tocar."



Tem a "Biriri", que é foda.


Um amigo meu tinha acabado de cumprir uma sentença de um ano e dois meses. Aí ele veio com umas gírias novas. Quando escutei essa falei "Biriri? Isso é rap, e do mais cabuloso". Fiz a música, fui feliz no refrão, nas ideias. E quem abraçou o foi o gueto, o submundo. A molecada começou a fazer vídeos e postar no YouTube. Já viu que tem três nego veio? Aí chega tipo uma tia, ela tá filmando, é um Natal, deve ser 2007. Foi no final de 2007 que lancei e estourou - foi só dar na mão de dois DJs "xis", do gueto mesmo, que tocam no centro pra toda galera do gueto que vem curtir rap e funk. Daí que meu rap tocou no funk, é o único que tocou - eu tenho carimbo do funk. Já fiz vários bailes funk, e eu era o único de rap. Faz o "Biriri", faz mais duas - vai mudando de acordo com a aceitação. Tem músicas estilo "Biriri", que é o "tranco". Botei esse nome porque as bases são tudo meio no tranco: catei a batida do crunk, do dirty south e coloquei os timbres de funk, no ritmo do rap - ninguém sabe de onde vieram aquelas percussões, mas é isso. Por isso deve ter dado algum estalo nos DJs de funk, que começaram a tocar. Tem três ou quatro com essas batidas. Tem umas duas lentas, lentas mesmo. Não sei se vai encaixar na pista, mas acho que são minhas preferidas atualmente, uns balanços nervosos. A "Gênesis", que abre o disco, é estilo SP Funk - é o que a gente vai fazer, ano que vem vamos nos juntar, lançar disco ou mixtape e marcar datas. 



"Pique Meninão", a música do DJ QAP com o Maionese (ambos membros do SP Funk) e mais outro MC é nesse pique "tranco" e é foda também.


É foda pra caralho. Esse estilo aí, no baile vai que nem uma luva. Tava trocando ideia com o D2. Ele disse que tava tentando escrever letra pra passar batido, pra nego se ligar mais na música. Música pra dar certo no baile tem que passar batido. Não é pra escrever um livro ou uma tese sobre um tema. Pra mim tem que ser singelo o bagulho - se você consegue fazer um som como o "Biriri", que pode ser pra criança, pra adulto, pra sacanagem, pra ladrão, é isso. Eu falei pros caras quando eles estavam fazendo "Pique Meninão": "Porra, vocês tão esculachando". Mas deu certo, os caras ouvem. Em baile de ladrão tem uns caras que se mordem, dá pra perceber os caras incomodados, mas toca muito.



Com tanta gente boa fazendo rap e o funk dominando São Paulo, o que você vê de perspectiva?


Agora quero ver como vai ser essa retomada. Porque pra mim é dividir espaço, fazer show junto. Funk é hip-hop. É conseguir espaço pra todo mundo. Conseguir que o fã do Emicida escute e goste do Menor do Chapa. Se a gente conseguir isso, aí vai ser da hora, aí o rap vai tomar mesmo. Na marra, separado, não vai. Porque o espaço do funk é muito grande, inclui samba, axé - é mais festeiro, e o Brasil é festeiro. Aí entra aquela discussão do que é intelectual e o que é brega, povão. É foda, tem uma barreira fodida, é pouca gente que não torce o nariz. Na mídia prevalece quem tem um lance mais intelectualizado, não quem tem um lance mais povão, como o Catra, que conseguiu, como Calipso, que conseguiu. Eu sou fã de tecnobrega, de funk, e o rap tem muito que aprender com esses caras. Alguém vai ter esse estalo - porque os caras colocam uns raps, mas são uns raps toscos, mas se fizesse uma fusão com os caras... Se eu tivesse baile hoje, tinha tecnobrega, funk e rap numa mesma noite, só pra neguinho começar a olhar pra isso aí. É tudo gueto, música do gueto.



Saiba mais:



domingo, 10 de abril de 2011

A LENDÁRIA ETIÓPIA :: ENSAIO EM HOMENAGEM AO IMPERADOR HAILÉ SELASSIÉ :: Por Mario de Meroé


Imperador Haile Selassie
No curso da História, houve três reinos, independentes e distintos entre si, os quais, em épocas próprias, foram denominados Etiópia: Napata, Méroe e Aksun (ou Axum).

Ao exame dos textos históricos, parece ressaltar que a denominação de Etiópia aplicava-se, mais apropriadamente, ao reino de Aksun (Axum), enquanto para Méroe e Napata representava apenas uma designação greco-romana.

O termo Etiópia (Ethiopia) parece ter resultado do esforço dos escritores gregos antigos para designar essa região da África Oriental, cujo nome originário, indígena, era ininteligível para eles. Seu significado é, aproximadamente, “país das gentes de rostos queimados”, ou seja, genericamente, a raça negra.

A designação indistinta de Etiópia para designar, genericamente, todos os países antigos situados ao sul do Egito, praticada por escritores antigos, dificulta a compreensão exata da localização geográfica de eventos registrados pela história, ocorridos naquela parte do mundo. Observe-se a narrativa bíblica (Atos dos Apóstolos, cap.VIII, 27/39) onde um dos personagens seria um “alto funcionário de Candace, rainha da Etiópia”. Um rápido exame dos mapas da região nos convence que, em época tão remota, longe das conquistas dos atuais meios de transporte, seria improvável que um alto funcionário ousasse ausentar-se de suas funções para cumprir tal viagem, dada a enorme distância entre o local do encontro com Felipe (Jerusalém) e o reino da Etiópia (atual).

O termo Candace, comum aos textos bíblicos e de História, originário do grego Kandakê é a forma latina, com influência francesa, de Kantakai. Representava o título real comum às raínhas do império etíope. Os gregos e os romanos usavam essa denominação como nome próprio das soberanas com as quais mantinham relações políticas.

O império abissínio teve início mil anos antes da era cristã, e terminou em 1974, com a deposição do último imperador.

A origem lendária do império remonta ao filho de Salomão, rei dos judeus, com Balkis, rainha de Sabá. Esse filho é chamado, por alguns autores, por Menelik, e por outros, de David, e é apontado como origem dosnegus da Abissínia.

Ainda segundo a tradição abissínia, durante sua permanência em Jerusalém, a rainha de Sabá tornou-se mulher do rei Salomão. Teria retornado ao seu país grávida, e teve um filho, que foi educado em Sabá durante a infância. Na adolescência, foi enviado a Jerusalém, para aprimorar seus estudos e conviver com seu pai, por alguns anos, procurando absorver sua proverbial sabedoria. Nessa ocasião, teria sido ungido e sagrado no Templo, com o nome de David, em homenagem ao seu avô, retornando, após, para junto de sua mãe.

Finalmente estabeleceu-se na Abissínia, tendo subido ao trono e introduzido a religião judaica em seu país, originando as cerimônias que os abissínios ainda conservam.

Salomão (do hebraico Chélômôh), filho do rei David e de Bethsabá, viveu entre 1032 e 975 A.C. Sabá foi uma cidade da Arábia antiga (Arabia Felix), junto a costa ocidental do Mar Vermelho, capital do reino do mesmo nome, que os gregos chamaram de Miriaba. Esse país, posteriormente, passou a chamar-se Yemen.

A tradição árabe conta que a rainha Balkis (Belkis), atraída pela fama de riqueza e sabedoria que adornavam o rei dos judeus, resolveu visitá-lo, tendo sido sua hóspede e mantido o relacionamento que resultou no nascimento de um filho, do qual descendem os reis da antiga Abissínia.

O episódio é confirmado (parcialmente) pela narrativa bíblica (Reis, cap. 10, vers.1 a 13, e Crônicas, cap. 9, vers. 1 a 12), exceto no que se refere ao nascimento do filho mencionado nas tradições árabes e etíopes.

Os autores árabes atribuem à rainha de Sabá dessa narrativa, o nome de Balkis ou Belkis. Outros autores a denominam de Makeda, ou Makida.

A Abissínia teve origem no antigo reino de Aksum (Axum).Em 1941, reivindicou o nome do antigo território, e passou a denominar-se Etiópia.

Os soberanos da milenar Abissínia, desde a antiguidade, usavam o título de Negus, pretendendo descenderem do rei bíblico Salomão, e da lendária rainha de Sabá.

O último negus etíope, Hailé Selassié, que reinou de 1930 a 1974, usava os títulos da tradição bíblica de “O Eleito de Deus”, “Rei dos Reis”, “O Leão de Judá”, e timbrava os documentos oficiais com o “selo de Salomão”.

Selassié nasceu em 1891, e tinha o nome civil de Tafari Makonen. Seu pai, o rás Makonnen, era um dos filhos do imperador Menelik II. Exerceu o cargo de rás (governador civil e militar) do Choá, uma importante unidade política e administrativa do país. Foi regente da coroa, durante a menoridade da princesa Zauditu, elevada ao trono durante a primeira guerra mundial. Com o falecimento desta, assumiu o poder e foi sagrado imperador, em 1930, com o nome de trono de Hailé Selassié. Como monarca poderoso, introduziu a primeira constituição no país, criou um Parlamento, modernizou o exército e aboliu a hereditariedade dos cargos de rás das províncias.

Em 1935, a Itália, contaminada pelos ímpetos expansionistas de Mussolini, invadiu a Abissínia e forçou onegus ao exílio. Nessa ocasião, no ano de 1936, proferiu corajoso discurso, junto a Liga das Nações, protestando contra a omissão dos Chefes de Estados das demais nações, face ao perigo nazista iminente. Foram suas palavras:

”Eu jamais acreditaria que todas as nações do mundo, entre as quais as mais poderosas da terra, pudessem acovardar-se diante de um único inimigo. Mas, diante de Deus, nenhuma nação é melhor do que outra”. E profetizou: “Hoje fomos nós, amanhã serão vocês”.

Em 1974, um golpe militar aboliu o regime monárquico e depôs o imperador, já velho e doente, que faleceu (há indícios de que foi assassinado) em 1975, um ano após ter sido despojado do milenar trono abissínio.

Nota: Este artigo foi publicado, em espanhol, no boletim de setembro/2000, do Instituto de Estudos Históricos da Catalunha (Espanha).


Glossário Básico

Absalão. Filho de David, 2º rei de Israel, assassino de seu irmão Amon, conspirou contra seu pai, obrigando-o a fugir para Jerusalém, e foi vencido por Joab, no bosque de Ephraim. Na fuga, seus cabelos se enredaram nos galhos de uma árvore, ficando pendurado, do que aproveitaram-se seus perseguidores para matá-lo, contrariando as ordens do rei David.

Datas. Não há uniformidade entre autores, sobre a exatidão das datas informadas.

Filisteus (do hebraico Pelichtim). Provavelmente oriundos das regiões cretenses, os filisteus habitaram a Palestina, ou parte dela, antes da conquista dessa terra pelos hebreus. A história dos filisteus é conhecida somente através das narrativas bíblicas.

“Os filisteus apareceram na história (bíblica, n. do a.) no tempo dos juizes, submetendo os judeus após o governo de Abimelech. Ao cabo de meio século de cativeiro, os judeus recuperaram a liberdade, depois de uma luta cujos episódios mais conhecidos são a história de Sansão, a tomada da Arca Santa pelos filisteus, que a restituíram em seguida a uma epidemia; enfim o desafio entre Davi e Golias. Os filisteus tiveram vantagens quando da luta de Davi seu aliado, contra Saul; mas foram definitivamente vencidos por Davi, quando rei de Israel...”. [2]

Hebreus. Nome primitivo do povo judaico.

Israel. Na antiguidade, povo descendente de Jacó, o qual foi denominado Israel (em hebraico significa: o que lutou com Deus). Radicado na Palestina desde aproximadamente 1230 AC, os israelitas foram chamados hebreus pelos povos que habitavam primitivamente o país. Depois da divisão do reino salomônico (932 AC), a região ao N. passou a chamar-se Israel, a fim de diferenciá-la da que ficava ao Sul (Judá). Após o cativeiro babilônico (588-538), generalizou-se o nome judeus. Hoje, Estado Soberano instituído sob a forma de república, criada em 14.05.1948, em terras da antiga Palestina, compreendendo a faixa costeira do extremo SE do mar Mediterrâneo, entre o Líbano ao N, a Síria a NE, a Jordânia ao E., o golfo de Ácaba ao S., e o Sinai ao SO.[3]

Patriarca era a denominação dos chefes de família dos povos primitivos, em especial, do povo judaico. Segundo a tradição, Jacó foi o genearca, ou seja, o tronco imediato das doze tribos de Israel. Nos eventos narrados na Bíblia, o povo de Israel adotou, sucessivamente, formas de governo, sob a chefia dos patriarcas, dos profetas, dos juizes, e finalmente, dos reis. Todos os governantes dessa era recebiam a “unção”, ou seja, uma consagração, de caráter divino e instituíam seus governos sob inspiração teocrática.

Roboão: Rei de Judá, filho de Salomão e da amonita Néâmah, n. pelo ano de 1016 a.C., m. 958, a.C. Sucessor de seu pai, provocou a cisão das dez tribos, por sua tirania e uma questão tributária não resolvida. Com a sublevação das tribos, Jeroboão foi coroado rei de Israel, e Roboão conservou o domínio de Judá e de Benjamin. No ano IV do seu reinado, Sheshon I, rei do Egito, tomou Jerusalém e roubou os tesouros do templo e do rei.

Sabá: Cidade da Arábia antiga, no país atualmente chamado Iemen. Foi capital de um reino do mesmo nome, que os gregos chamavam de Miriaba. Segundo as tradições árabes, é o berço da rainha Balkis (Belkis), que foi hóspede do rei Salomão, na narrativa bíblica. Há referências a esse personagem no texto denominado “A Lendária Etiópia”, nesta obra.

Salomão (do hebraico Chélômóh): Reis dos israelitas, n. em 1032 e m. por volta de 975 A.C. em Jerusalém. Era filho de David e de Bethsabá. O nome desse rei, na literatura histórica sacra, é dignificado por sua sabedoria. Há referências a esse personagem no texto denominado “A Lendária Etiópia”, nesta obra.

Samuel (do hebraico Shemuel: Deus o ouviu; posto por Deus). O último dos juízes[4] de Israel. Era sacerdote de um oráculo estabelecido em Rama, e viajando todos anos para Bethel, Guilgal e Mispar, onde reunia assembleias populares. A esse juiz é atribuída, pela narrativa bíblica, a escolha e sagração de Saul como rei de Israel.[5]
Saul (do hebraico Shaul: o desejado, alcançado por força das orações). Primeiro rei dos israelitas, nascido na tribo de Benjamim pelo ano de 1115 AC e morto na montanha de Gelboé, pelo ano de 1055 AC. Filho de Quis (Cis), foi designado aos hebreus pelo profeta Samuel. Face a fragorosa derrota militar frente aos filisteus, já prevista pela pitonisa de Endor, Saul suicidou-se. Seu reinado durou cerca de 40 anos.



Referências bibliográficas
(específicas)

» A Bíblia Sagrada - tradução de João Ferreira de Almeida, 1969
Sociedade Bíblica do Brasil. (trechos em itálico).

» Méroe, Mário de
Estudos sobre Direito Nobiliário - Ed. Centauro-SP/2000
Méroe: Um Legado Dinástico do Egito e da Núbia
Tradições Nobiliárias Internacionais e sua integração ao
Direito Civil Brasileiro

» Eban, Abba
A História do Povo de Israel - 4ª ed. Ed. Bloch - RJ

» Pequena Enciclopédia Melhoramentos

» Diccionario e Encyclopedia Internacional Jackson

» Arquivos do jornal Folha de São Paulo, edição de 07/08/1993

» Lucy R. Valentini e outros
Do Homem Primitivo até o Século IX - Cultura e Sociedade, I,

» Cotrim, Gilberto Vieira, Acorda Brasil, p.12, Ed. Saraiva, SP

» Carletti, Amilcare, Brocardos Jurídicos, vol. III, Ed. EUD, 1986,

» Cazelles, Henri. História Política de Israel, tradução de Cacio Gomes,
Ed. Paulus, São Paulo-SP, 2ª ed., 1986.


[1] Extraído de “Méroe: Um Legado Dinástico do Egito e da Núbia”, de Mário de Méroe

[2] Encyclopedia e Diccionario Internacional , vol. XV, p.8.833.

[3] Anotado da Pequena Enciclopédia Melhoramentos, 1978.

[4] Há escritores que os titulam como profetas.

[5] Diccionário e Encyclopédia Internacional, Jackson, vol.17, p. 10213.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

FREE DOWNLOAD - COLEÇÃO HISTÓRIA DA AFRICA



Resumo: Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.

Informações Adicionais:


Em 1964, a UNESCO dava início a uma tarefa sem precedentes: contar a história da África a partir da perspectiva dos próprios africanos. Mostrar ao mundo, por exemplo, que diversas técnicas e tecnologias hoje utilizadas são originárias do continente, bem como provar que a região era constituída por sociedades organizadas, e não por tribos, como se costuma pensar.

Quase 30 anos depois, 350 cientistas coordenados por um comitê formado por 39 especialistas, dois terços deles africanos, completaram o desafio de reconstruir a historiografia africana livre de estereótipos e do olhar estrangeiro. Estavam completas as quase dez mil páginas dos oito volumes da Coleção História Geral da África, editada em inglês, francês e árabe entres as décadas de 1980 e 1990.

Além de apresentar uma visão de dentro do continente, a obra cumpre a função de mostrar à sociedade que a história africana não se resume ao tráfico de escravos e à pobreza. Para disseminar entre a população brasileira esse novo olhar sobre o continente, a UNESCO no Brasil, em parceria com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (Secad/MEC) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), viabilizaram a edição completa em português da Coleção, considerada até hoje a principal obra de referência sobre o assunto.

O objetivo da iniciativa é preencher uma lacuna na formação brasileira a respeito do legado do continente para a própria identidade nacional.

© UNESCO

Promover o reconhecimento da importância da interseção da história africana com a brasileira para transformar as relações entre os diversos grupos raciais que convivem no país. Esta é a essência do Programa Brasil-África: Histórias Cruzadas, instituído pela UNESCO no Brasil, a partir da aprovação da Lei 10.639, em 2003, que preconiza o ensino dessas questões nas salas de aulas brasileiras.

Desde então, o processo de implementação da Lei da Educação das Relações Étnico-Raciais nos sistemas de ensino brasileiros vem enfrentando desafios, entre eles a necessidade de desenvolvimento de uma nova cultura escolar e de uma nova prática pedagógica que reconheça as diferenças étnico-raciais resultantes da formação da sociedade brasileira. Para contribuir com esse processo, o programa Brasil-África: Histórias Cruzadas da UNESCO atua em três eixos estratégicos, complementares e fundamentais:

1. Acompanhamento da implementação da Lei

2. Produção e disseminação de informações sobre a história da África e dos afro-brasileiros

3. Assessoramento no desenvolvimento de políticas públicas

O objetivo dessa atuação é identificar pontos críticos, avanços e desafios na implementação da Lei, bem como para cooperar para a formulação de estratégias para a concretização de políticas públicas nesse sentido, além de sistematizar, produzir e disseminar conhecimentos sobre a história e cultura da África e dos afro-brasileiros, subsidiando as mudanças propostas pela legislação.

Para a UNESCO, apoiar a implementação da lei da Educação das Relações Étnico-raciais é uma maneira de valorizar a identidade, a memória e a cultura africana no Brasil – o país que conta com a maior população originária da diáspora africana.

A partir do momento em que as origens africanas na formação da sociedade brasileira forem conhecidase reconhecidas e as trocas entre ambos disseminadas, se abrirão importantes canais para o respeito às diferenças e para a luta contra as distintas formas de discriminação, bem como para o resgate da autoestima e aconstrução da identidade da população. Somados, esses canais contribuirão para o desenvolvimentodo país.

Assim, o trabalho com esses tópicos nas escolas e nos sistemas de ensino proposto pela legislação nacional, em última instância, leva os alunos e a sociedade a valorizar o direito à cidadania de cada um dos povos. 
Tudo isso encontra uma forte convergência com o trabalho da UNESCO, que atua em todo o mundo declarando que conhecer melhor outras civilizações e culturas permite tanto compreender a segregação e os conflitos raciais como afirmar direitos humanos.


Download gratuito (somente na versão em português):

ISBN: 978-85-7652-123-5

ISBN: 978-85-7652-124-2

ISBN: 978-85-7652-125-9

ISBN: 978-85-7652-126-6

ISBN: 978-85-7652-127-3

ISBN: 978-85-7652-128-0

ISBN: 978-85-7652-129-7

ISBN: 978-85-7652-130-3


FREE DOWNLOAD - MONKEY JHAYAM - PLANET OF THE APES



Hoje sim fui surpreendido com um disco nacional que me atraiu da primeira a última música, o Monkey Jhayam já havia me mandado um som e coloquei no set do programa do RAS Sergião, na verdade o som dele fechou o programa. Em um primeiro momento somente fiz o download e depois fui ver quem produziu qual música. Vou falar, a gente deixa passar muita musica boa as vezes por não conhecer/ ou por conhecer o produtor e o artista e ter uma impressão que não é legal. 

Mas o disco do Monkey Jhayam me surpreendeu, primeiro que há algum tempo eu não ouço um disco de um artista jovem com conteúdo, mas tem uma carreira promissora dando continuidade a nessa pegada que ele está. Alguns dos produtores gringos eu já conheço e já publiquei alguns trabalhos, como o Moa Anbessa (Itália) e o Raggatak (Espanha) e conta com as produções da galera daqui como JAH Knomoh e Galo Rex aka Jimmy Luv. 

Muito boa continuidade de uma música para a outra, o EP é homogêneo, ou seja, você pode colocar no aleatório que uma música acaba casando com a outra, um detalhe difícil de acontecer com um número tão grande produtores, que as vezes tem lá suas peculiaridades de produzir e mixar, mas tudo alinhado e feito. Para não dizer que o EP é perfeito, poderia ter ao invés das versões estendidas, a versão dub propriamente dita, o que deixaria o EP com cara de Showcase - mas é só uma opinião minha.

As musicas "Vastidão" e "Eu Já Lhe Disse" acabaram por se tornar minhas preferidas no EP, flow e letra na medida com os riddims sempre voltados ao stepper. Bom, abaixo está o link para download e o link de todo mundo que participou da produção do EP e a gente fica torcendo que mais discos assim cheguem pra gente. JAH Bless!!!!

Para fazer o download, clique aqui.

Colaboradores do EP:


CHIN DUB (http://www.myspace.com/chinbatera)
DUBPLAY (http://www.myspace.com/dubplaysistemadesom)
RADIOLA DUB (http://www.myspace.com/radioladub)
GALO REX (http://www.myspace.com/mcjimmyluv)
JAH KNOMOH (http://www.myspace.com/quilombohifi)
ALEX RAGGATACK (Espanha) - http://www.myspace.com/raggattackproducciones
BURI MAN (Italia) - http://www.myspace.com/moaanbessastudio
MOSHI KAMACHI (frança) - Moshi (DreadBull) Kamachi _ http://records.kingdub.com

quinta-feira, 7 de abril de 2011

09/04/2011 LANÇAMENTO DISCO SOLO TIO FRESH - BRAZIL HIP HOP CLUBE


9/4 - Show celebração do lançamento de trabalho solo de TIO FRESH. No palco com ele, Dj Hum, SP Funk, Dj Pathy de Jesus, Kamau, Sombra e as dancers Ana P. e Welida Queen. No mesmo dia da segunda sessão do filme do Banksy ... o centro vai ferver.

... a partir das 18h, o som estará rolando na galeria...


Tio Fresh faz show de lançamento de seu primeiro CD solo.

Integrante do SP Funk e Coletivo Motiro com mais de 20 anos de carreira, Tio Fresh apresentara ao publico seus "Hits" ja conhecidos nas pistas e "algumas ineditas " parte de seu CD solo " Brazil Hip Hop Clube" ( Humbatuque Discos)

Iniciou sua carreira nos anos 90 nos Bailes das Equipes de Som de Sao Paulo ( Gravou coletanea pela equipe Zimbabwe). Ja foi VJ da MTV, Dj na Casa Noturna Soweto e ja tocou com varios rappers, djs e musicos dos mais variados estilos. A lista é imensa se falarmos de suas participaçoes em discos, shows, oficinas ou projetos alternativos.
Seu estilo marcante, rimas improvisadas e voz forte marcou e serviu como referencia pra toda uma geraçao de Rappers e MCs de todo o Brasil marcando Historia no Hip Hop Nacional.

Agora chegou a hora de conferir seu primeiro trabalho solo ( afinal, sao 20 anos de espera! ) Um time seleto de produtores ( Dj Hum, MK, MaxnosBeatz, Pelezinho, Dj Luciano, Marcel Ortiz), contribuiram com suas ideias e " batidas " para fazerem as rimas do Tio Fresh fluirem o caminho "maravilhoso" do Soul ao Samba Rock e do R&B ao Underground ...tudo na batida mais " Quente do Hip Hop"

FREE DOWNLOAD - FYADUB SONS DE R-EVOLUÇÃO @ HOUSE OF DREADS [2005]

FIDEL CASTRO E MALCOM X
RAS WELLINGTON E ZULUSOULJAH @ HOUSE OF DREADS
Em 2005, penso eu que seja esta a data correta, eu (RAS) e meu mano Zulusouljah tocamos juntos na inauguração ou abertura da House Of Dreads, casa onde Jr. Dread e a rapá do Reggae Style se instalavam na época na zona norte de São Paulo. Lembro que ainda nessa noite tocaram conosco Planeta Dub, o próprio Jr. Dread, e mais uma galerinha. O que importa, está aqui uma parte da gravação da sessão feita por mim e pelo Zulu. 

Essa gravina estava meio perdida por aqui em casa então estou repassando a todo mundo, já que nessa época estavamos trabalhando em coisas bem interessantes, Zulu estava terminando o disco do Projeto Lunaia junto com Evaldo Luna e Funk Buia, eu estava escrevendo bastante, mesmo coisas que não foram postadas no FYADUB - e que talvez nem mesmo serão. Mas algumas coisas não mudaram, o intuito de resistência musical e música preta de vanguarda não mudaram em anda ao passar dos anos, pelo contrário, permanecem com raízes muito mais profundas. São mais de 20 anos de trabalho com música que seja chamada alternativa ou underground, junto com o puro instinto de sobrevivência e somado a aversão pela subsistencia, pelo zé povinho mal informado e pela sacos que aparecem pelo caminho. 

Bom é isso, aproveitem a sessão e enviem seus comentário. E também não deixem de ouvir os podcasts no link http://www.mixcloud.com/fyadub - e não deixe de enviar sua mensagem para gente ficar atualizado pelo e mail fyadub@yahoo.com.br


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