terça-feira, 22 de novembro de 2011

25/11/2011 - LAB ANN DUB CONVIDA RAS WELLINGTON [FYADUB]

Dia 25/11/2011 participo do evento do pessoas do Lab Ann Dub em frente a faculdade Metodista em São Bernardo do Campo.

Promessas são de boas vibrações, e 2h30min só com RAS Wellington tocando... Pois bem, vamos tirar o pó do case e coloca discos velhos e novos para rodar.

No set talvez um pouco de roots, dancehall e hip hop, mas certeza absoluta de steppers e dubstep no analógico, e também com alguns plates gravados lá nos nosso estúdios da vida e correria, com Mr. Bomba, Zulusouljah, Funk Buia, Criolo e algumas outras coisas que vierem surgindo.

O bote é em frente a  FACULDADE METODISTA, no Campus Rudge Ramos: Rua do Sacramento, 230 - São Bernardo e o evento é bem na entrada principal, não paga nada de entrada, leve somente suas boas vibrações ok.

Fortaleça os músicos independentes, de o total respeito a quem faz música ou qualquer tipo de arte. O dinheiro não faz a engrenagem do mundo girar, dinheiro só substitui o respeito na ausência dele. 

sábado, 19 de novembro de 2011

FYASHOP :: DISCOS :: DUBPLATES :: FONES :: CASES :: SLIPMATS :: HEADSHELL :: ADAPTADORES


FYASHOP :: DESDE 2007

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DUB :: REGGAE :: HIP HOP :: SKA :: STEPPERS :: DANCEHALL


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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

DUBATAK @ FYASHOP

O Dubatak Sound System trabalha desde 2007 lançando produções independentes criadas e finalizadas em seu próprio estúdio. Com cooperações musicais vindas da Jamaica, Inglaterra, França e Brasil, essas músicas foram lançadas em cd e vinil através do selo Dubatak, e hoje são amplificadas por um potente sistema de som fábricado artesanalmente.

Uma combinação única de reggae, dub, rub-a-dub, stepper e dancehall une produtores do Rio de Janeiro e São Paulo no sound system e selo Dubatak.
Formado em 2006 pelo engenheiro de som e cantor Mateus Pinguim e o produtor Jeff Boto, a equipe de som ganhou depois o reforço do produtor e selecta Prince Leo, um dos mais atuantes da cena reggae carioca.
Em 2008, o selo Dubatak lançou seu primeiro disco “É Só Querer", interpretado e produzido por Mateus Pinguim, com shows de lançamento em várias capitais brasileiras.

No ano seguinte saiu o segundo lançamento, “Braziliang”, o primeiro single em vinil 7" prensado na Alemanha, que contém a faixa título mixada pelo chinês Jiang Liang, além da versão instrumental (lado B).

Em Junho de 2010, o selo lançou mais dois singles. "Dancehall Culture", com o cantor jamaicano Earl Sixteen (que tem no lado B a versão melódica do francês Shaky Norman), virou hit nos maiores festivais de reggae e dub da Europa.

Já o single "High Grade", que tem no lado A a faixa título interpretada pelo singjay londrino Ruben da Silva, emplacou em mixtapes chapando seletores e ouvintes por todo o Reino Unido. No lado B, Experienza Riddim, versão instrumental contagiante com a cara do reggae anos 2000.

Em março de 2011 o selo lança no mesmo Experienza Riddim um 7" com duas big tunes, no lado A o consagrado dj jamaicano Tippa Irie indica qual o melhor caminho em "Righteous Way", enquanto no lado B o singjay revelação no Brasil Dada Yute defende a mulher negra em "Black Woman".

Além dos lançamentos em vinil, o sound system também produziu músicas e dubplates com outros artistas internacionais, como os jamaicanos Johnny Clarke, Bushman, Andrew Tosh, Suga Roy, Horace Andy, a MC escocesa Soom T, os franceses Pigments Libre, entre outros. O sound também gravou com os brasileiros Jimmy Luv, Funk Buia, Jr. Ramos, Comando Selva, entre outros.

Ao vivo, o Dubatak já se apresentou ao lado de nomes como Ranking Joe, Deeder Zaman, Mungos Hi-Fi, Digitaldubs, Bocafloja (Mexico-DF), King Tubby Sound System (Uk), Riddim Culture (Portugal) e Jahspora sounds (França).

Em 2011 o Dubatak Sound vem sendo residente de festas como a THE Groov ! no Rio de Janeiro, e o Projeto Patois em São Paulo, e em outubro lança seu segundo título em cd na coletânea Experienza Riddim, que está disponível para download gratuito, clicando aqui.


EXPERIENZA RIDDIM - MEGAMIX


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Earl Sixteen - Dancehall Culture [dubatak] R$ 15


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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

FREE DOWNLOAD :: DUB IRATION - THE LOST BOOK OF DUB CHAPTER 1

"Cada um depende do outro, aprender com os outros e você vai alcançar seus objetivos se você fizer em conjunto, certamente, o livre intercâmbio de idéias e apoio de idéias positivas é uma condição essencial para o progresso no mundo."

É isso mesmo, é assim que o post desse álbum me interessou, e encurtando a frase acima, nada mais que é se abdicar da "viagem do ego" ou "ego trip" que expressa o mesmo sentido. 

Enfim, foi uma das grandes surpresas no quesito free download desse ano - talvez o melhor até agora. 18 músicas que você vai ouvir do início ao fim, se for um dj que usa Serato ou CD pode levar para o seu set que não é por se tratar de um disco para download gratuito que deve estar de fora, pelo contrário, fortalecer os discos de download gratuito vai contra a usurpação de direitos autorais e intelectuais dos artistas. 

Penso que disponibilizar um disco por conta própria para downoad sem o consenso do artista deixou de ser varias coisas, para ser apenas desrespeito, seja discos de artistas antigos ou contemporâneos.

Bem, voltando ao The Lost Books Of Dub - Chapter 1 (clique aqui para fazer o download), é um disco de stepper, lançado pelo Dub Iration (México), que traz um cast de músicos conhecidos - pelo menos pelo fyadub. Primeiramente pelos brazucas Digitaldubs (que acabou de lançar seu LP "Digitaldubs #1") e Dubiterian residente na Alemanha.

Pois bem, hoje podemos dizer que a qualidade da nossa música, não fica atrás de nenhum gringo, não que estejamos a milhares de anos luz, longe disso, mas conseguimos hoje ter produções e qualidade de sets tão bons quantos esses músicos de fora, que ajudaram bastante no intercâmbio de informações e formatos de produção, ou seja, voltamos ao primeiro parágrafo.

Um dos grupos, que por aqui infelizmente não é muito lembrado é o Alpha And Omega, um dos primeiros trabalhos de reggae que eu realmente gostei, devido a forma de produção no inicio dos anos 90, e me serviu de inspiração para tocar stepper e trabalhar com reggae, já que como era habituado ao Hip Hop, o reggae de Marley não me atraía muito, logo após Vibronics, Zion Train e Roots Hitek, muito bom ouvir Roots Reggae Journey em nova roupagem lançado originalmente pelo selo Black Redemption produzida em trio por Ras Kush, Jah Shaka e Idren Natural.

Temos agora um trupe de músicos que surgiram, ou melhor dizendo, se tornaram conhecidos em meados dos anos 2000 como Kanka, Mungo's Hi Fi, Solo Banton, Soom T que estão despontando algum tempo já com discos que não podem faltar no set de ninguém que gosta de stepper, ou 2step ou dubstep para os mais recentes, já que essa rapazida desse disco (pelo menos a maioria) é a vanguarda do dubstep produzido hoje em dia. Bom, isso dá um texto muito extenso, mas para outro post. Aproveitem, e bons sons a todos. Enjoy!


domingo, 13 de novembro de 2011

ELECTRO ROCK - 1985 UK HIP HOP

É fácil olhar para trás, o Hip Hop nos anos oitenta era o underground com óculos escuros. Foi um tempo de feitos realmente grandes para a époica. Mas, para ser capaz de vê-lo e de voltar como uma fita vhs e mostrar o melhor da classe direto da velha escola. Electro Rock é um show de verdade; um filme seminal de um evento de Hip Hop realizado em 1985, que capta a nata do talento do movimento Hip Hop da época.

Realizado no Hipódromo de Londres e apresentado pelo então DJ Mike Allen da radio Capital, Electro Rock foi um evento-primordial no moviento devido a cinergia capturada em película e liberada através Polygram. O filme apresenta uma série de danças break, popping, beat box e rap do Reino Unido e alguns ativistas dos Estados Unidos. Estes incluem o lendário Afrika Bambaataa, London All Star Breakers, Broken Glass, Rock City Crew, Family Quest e um pouco do estranho Loose Bruce!

Apoiado pela Polygram, alguns dos expoentes do Hip Hop partiram em uma turnê promocional ao Reino Unido. Como eles acabaram no Hall do St George, em Exeter, em meados dos anos oitenta eu não tenho idéia, talvez um convite ou show fora da agenda da turnê. O salão é um último vestígio do tipo de local que teria hospedado eventos de luta livre na década de oitenta.

Mas naquela noite St George estava cheia de bboys, em seus melhores agasalhos Fila. Estranhamente justapostos contra o Hip Hop, palco do salão era mais adequado para teatro amador e as danças no desgastado piso de madeira. Mas a equipe lá em cima balançou a casa e a tripulação de Nottingham Rock City sacudiu o chão. Sem um toque de arrogância, o grupo da "Cidade do Rock" teve uma sessão master sem quebrar, enquanto o público todo, se misturava com os bboys formando multidão. Soa como nostalgia provavelmente,  olhando para trás com um brilho de saudade e um certo sentimentalismo.

Tinha visto esse video com alguns outros do DMC em meados da década de 90, e vê-lo de volta hoje é impressionante com toda a nostalgia lírica da batalha final (Londres contra o resto). É uma exposição fantástica sobre o estilo e força física de break e popping.

Hip Hop é um movimento que não para, continua evoluindo, construindo pontes e destruindo obstáculos, fazendo com que as pessoas se movimentem intelectualmente e politicamente. Através do Hip Hop - não do rap apenas, o engajamento de diversas pessoas tanto sendo parte Zulu Nation, das antigas equipes de som e dos jovens que mantém um movimento verdadeiro ativo e crescente, falando de história, respeitando a verdadeira escola (o novo e o velho é relativo), se faz com que a preservação de nossa história se sustente.

Sem prolongar muito mais, enjoy!!!



sábado, 12 de novembro de 2011

A REVOLTA DOS MALÊS

A Revolta dos Malês em 1835

Por João José Reis
Universidade Federal da Bahia

  
Africano Nagô, que pode ser identificado pelas marcas étnicas no rosto.
Na madrugada de 25 de janeiro de 1835, um domingo, aconteceu em Salvador uma revolta de escravos africanos. O movimento de 1835 é conhecido como Revolta dos Malês, por serem assim chamados os negros muçulmanos que o organizaram. A expressão malê vem de imalê, que na língua iorubá significa muçulmano. Portanto os malês eram especificamente os muçulmanos de língua iorubá, conhecidos como nagôs na Bahia. Outros grupos, até mais islamizados como os haussás, também participaram, porém contribuindo com muito menor número de rebeldes.

A revolta envolveu cerca de 600 homens, o que parece pouco, mas esse número equivale a 24 mil pessoas nos dias de hoje. Os rebeldes tinham planejado o levante para acontecer nas primeiras horas da manhã do dia 25, mas foram denunciados. Uma patrulha chegou a uma casa na ladeira da Praça onde estava reunido um grupo de rebeldes. Ao tentar forçar a porta para entrarem, os soldados foram surpreendidos com a repentina saída de cerca de sessenta guerreiros africanos. Uma pequena batalha aconteceu na ladeira da Praça, e em seguida os rebeldes se dirigiram à Câmara Municipal, que funcionava no mesmo local onde funciona ainda hoje.

A Câmara foi atacada porque em seu subsolo existia uma prisão onde se encontrava preso um dos líderes malês mais estimados, o idoso Pacifico Licutan, cujo nome muçulmano era Bilal. Este escravo não estava preso por rebeldia, mas porque seu senhor tinha dívidas vencidas e seus bens, inclusive Licutan, foram confiscados para irem a leilão em benefício dos credores.

O ataque à prisão não foi bem sucedido. O grupo foi surpreendido no fogo cruzado entre os carcereiros e a guarda do palácio do governo, localizado na mesma praça. Daí este primeiro grupo de rebeldes saiu pelas ruas da cidade aos gritos, tentando acordar os escravos da cidade para se unirem a eles. Dirigiram-se à Vitória onde havia um outro grupo numeroso de malês que eram escravos dos negociantes estrangeiros ali residentes.

Após se unirem nas imediações do Campo Grande, os rebeldes atravessaram em frente ao Forte de São Pedro sob fogo cerrado dos soldados, indo dar nas Mercês, de onde retornaram para o centro da cidade. Aqui atacaram um posto policial ao lado do Mosteiro de São Bento, outro na atual Rua Joana Angélica (imediações do Colégio Central), lutaram também no Terreiro de Jesus e outras partes da cidade. Em seguida desceram o Pelourinho, seguiram pela Ladeira do Taboão e foram dar na Cidade Baixa. Daqui tentaram seguir na direção do Cabrito, onde tinham marcado encontro com escravos de engenho. Mas foram barrados no guartel da cavalaria em Água de Meninos. Neste local se deu a última batalha do levante, sendo os malês massacrados. Alguns que tentaram fugir a nado terminaram se afogando.

A revolta deixou a cidade em polvorosa durante algumas horas, tendo sido vencida com a morte de mais de 70 rebeldes e uns dez oponentes. Mas o medo de que um novo levante pudesse acontecer se instalou durante muitos anos entre os seus habitantes livres. Um medo que, aliás, se difundiu pelas demais províncias do Império do Brasil. Em quase todas elas, principalmente na capital do país, o Rio de Janeiro, os jornais publicaram notícias sobre o acontecido na Bahia e as autoridades submeteram a população africana a uma vigilância cuidadosa e muitas vezes a uma repressão abusiva.

Salvador tinha na época da revolta em torno de 65.500 habitantes, dos quais cerca de 40 por cento eram escravos. Entre a população não-escrava a maioria era também formada por africanos e seus descentes, chamados na época de crioulos quando eram negros nascidos no Brasil, além dos mestiços de branco e negro, chamados de pardos, mulatos e cabras. Juntando os negros e mestiços escravos e livres, os afro-descendentes representavam 78 por cento da população. Os brancos não passavam de 22 por cento. Entre osescravos, a grande maioria (63 por cento) era nascida na África, chegando a 80 por cento na região dos engenhos de açúcar, o Recôncavo.

Esses escravos eram trazidos de diversos portos da costa africana. Um grande número vinha de Luanda, Benguela, Cabinda, mas na época da revolta de 1835 a grande maioria era embarcada nos portos do golfo do Benim (portos de Ajudá, Porto Novo, Badagri, Lagos). Foram alguns desses últimos grupos os mais diretamente ligados à revolta. Eles podiam ser de diversas origens, segundo a língua que falavam: iorubá, haussá, fon, mahi, nupes, bornus etc. Na Bahia a maioria desses escravos era conhecida por nomes diferentes daqueles que tinham na África: os de língua iorubá chamavam-se nagôs, os fon e mahi eram conhecidos como jejes, os nupes como tapas.

Em 1835 a grande maioria dos escravos da Bahia nascidos na África era realmente de língua iorubá, cerca de 30 por cento. Eram como nagôs. Muitos deles professavam a religião muçulmana, embora a maioria dos nagôs fosse de fato adepta do candomblé dos orixás.

A cidade de Salvador tinha uma economia baseada na escravidão, que girava em torno da cana-de-açúcar produzida na região denominada de Recôncavo, terras que circundam a Baía de Todos os Santos. Ali também se plantava o fumo, que era exportado paraa Europa e para a África. Na África o fumo era utilizado na compra de escravos.

No Recôncavo, os escravos eram empregados em todo tipo de atividade rural, não apenas no setor açucareiro e fumageiro. Eles também labutavam na criação de gado e no cultivo da mandioca. A farinha de mandioca já era naquela época um item fundamental da dieta de ricos e pobres, senhores e escravos. Como o fumo, a farinha estava também ligada ao tráfico, pois constituía um dos principais alimentos a bordo dos navios negreiros.

Da mesma forma, os escravos eram utilizados nas vilas e cidades, sobretudo na capital, onde se ocupavam no trabalho doméstico, nos diversos ofícios (pedreiro, sapateiro, ferreiro), nas atividades do mar (marinheiro, remador, canoeiro, pescador). Eles lavravam a terra em pequenas plantações existentes na periferia da cidade, trabalhavam em variados tipos de construção pública e privada, vendiam uma grande variedade de pequenas mercadorias, principalmente comida pronta, verduras, peixe, carne. E eram empregados no transporte de volumes grandes e pequenos, como caixas de açúcar, barris de cachaça, mercadorias importadas, água de gasto e potável, dejetos humanos, balaios de compras e até cartas eram levadas ao correio por escravos. Eles também transportavam pessoas nas cadeiras de arruar, talvez a mais típica atividade dos escravos nas ruas de Salvador.

As ocupações dos presos por suspeita de participação na revolta de 1835 refletem a variedade de atividades desempenhadas pelos escravos urbanos. Havia entre eles lavradores, remadores, domésticos, pedreiros, sapateiros, alfaiates, ferreiros, armeiros, barbeiros, vendedores ambulantes, carregadores de cadeira, entre outras atividades. A grande maioria dos rebeldes se empregava em ocupações tipicamente urbanas. Foram pouquíssimos os ocupados na lavoura, por exemplo. Um ou outro tinha vindo do Recôncavo para participar do levante em Salvador.

Na escravidão urbana os cativos gozavam de maior independência do que na escravidão rural, e isso facilitou muito a organização do movimento de 1835. Em geral, os escravos percorriam por toda a cidade trabalhando para seus próprios senhores ou, principalmente, contratados por terceiros para serviços eventuais. Muitos escravos sequer moravam na casa senhorial. Chamados negros ou negras de ganho, e também de ganhadores ou ganhadeiras, esses homens e mulheres escravizados contratavam com seus senhores entregar certa quantia diária ou semanal de dinheiro, e tudo que ultrapassasse esta quantia podiam embolsar. O escravo que trabalhasse muito e poupasse muito podia após cerca de nove longos anos comprar sua liberdade, e muitos assim o fizeram. Alguns chegavam se tornar prósperos homens de negócio, que era a ocupação mais comum dos que prosperavam.

Muitos africanos, depois de libertos da escravidão, tornavam-se eles próprios senhores de escravos. Calcula-se em cerca de 7 por cento a proporção dos africanos libertos na população de Salvador na época da revolta dos malês. Eles representariam em torno de 25 por cento da população africana na cidade.

Africanos escravos e libertos com freqüência trabalhavam e viviam juntos, desempenhando as mesmas tarefas, morando nas mesmas casas. No trabalho de rua organizavam-se em associações chamadas cantos de trabalho, nos quais se reuniam principalmente os da mesma etnia chefiados por um “capitão” encarregado de acertar os serviços desempenhados pelo grupo. Assim associados enfrentavam o trabalho diário e desenvolviam laços de amizade e solidariedade que constantemente se desdobravam em ações políticas. Esses grupos de trabalho foram essenciais na mobilização dos africanos para a revolta em 1835 e em outras ocasiões. Enquanto esperavam por serviço nas esquinas onde se reuniam, os africanos iam formulando e aperfeiçoando suas idéias de liberdade e de ataque à escravidão na Bahia.

Infelizmente não sabemos detalhes do que planejavam fazer os rebeldes depois de vitoriosos. Há indícios de que não tinham planos amigáveis para as pessoas nascidas no Brasil, fossem estas brancas, negras ou mestiças. Umas seriam mortas, outras escravizadas pelos vitoriosos malês. Isso refletia as tensões existentes no seio da população escrava entre aqueles nascidos na África e aqueles nascidos no Brasil. Que fique bem claro: os negros nascidos no Brasil, e por isso chamados crioulos, não participaram da revolta, que foi feita exclusivamente por africanos.

Por isso, se o levante tivesse sido um sucesso, a Bahia malê seria uma nação controlada pelos africanos, tendo à frente os muçulmanos. Talvez a Bahia se transformasse num país islâmico ortodoxo, talvez num país onde as outras religiões predominantes entre os africanos e crioulos (o candomblé e o catolicismo) fossem toleradas. De toda maneira a revolta não foi um levante sem direção, um simples ato de desespero, mas sim um movimento político, no sentido de que tomar o governo constituía um dos principais objetivos dos rebeldes.

Apesar de apoiados por africanos não-muçulmanos, que também entraram na luta, os malês foram os responsáveis por planejar e mobilizar os rebeldes. Suas reuniões — feitas nas casas de libertos, nas senzalas urbanas, nos cantos de trabalho — misturavam conspiração, rezas e aulas em que se exercitavam a recitação, a memorização e a escrita de passagens do Corão, o livro sagrado do islamismo. O próprio levante foi marcado para acontecer no final do mês sagrado do Ramadã, o mês do jejum dos muçulmanos. Os malês foram para as ruas guerrear usando um abadá branco, espécie de camisolão tipicamente muçulmano, além de também carregar em volta do pescoço e nos bolsos amuletos protetores, que eram cópias em papel de rezas e passagens do Corão dobradas e enfiadas em bolsinhas de couro ou pano. Esses amuletos eram confeccionados por mestres muçulmanos, muitos deles líderes da revolta, que teriam dado a seus seguidores suas bênçãos e a certeza da vitória.

Cientes de que constituíam minoria na comunidade africana da Bahia, composta de escravos e libertos de diferentes grupos étnicos e religiosos, os malês não hesitaram em convidar escravos não-muçulmanos para o levante. Neste sentido, a identidade e a solidariedade étnicas constituíram um outro fator de mobilização a entrar em jogo.

De fato identidade étnica e religiosa foi muito importante para deslanchar o movimento. A maioria dos muçulmanos que viviam na Bahia em 1835 era nagô. Apesar de na África, e mesmo no Brasil, outros grupos, como os haussás, serem mais islamizados do que os nagôs, coube a estes o predomínio no movimento de 1835. Os nagôs islamizados não só constituíram a maioria dos combatentes, como a maioria dos líderes. Mais de 80 por cento dos réus escravos em 1835 eram nagôs, sendo eles apenas 30 por cento dos africanos de Salvador; dos sete líderes identificados, pelo menos cinco eram nagôs. Eram nagôs os seguintes líderes: os escravos Ahuna, Pacifico Licutan, Sule ou Nicobé, Dassalu ou Damalu e Gustard. Também nagô era o liberto Manoel Calafate. Os outros eram o escravo tapa Luís Sanim e o liberto haussá Elesbão do Carmo ou Dandará, que negociava com fumo.

Vistos enquanto grupo étnico os nagôs eram na sua maioria não-muçulmanos, e sim devotos dos orixás, embora fizessem incursões no campo muçulmano. Por exemplo usavam os famosos amuletos malês, considerados de grande poder protetor, e provavelmente recorriam a adivinhos malês, entre outras práticas. Ou seja, naquela fronteira em que as duas religiões se encontrava, os nagôs como um todo, malês e filhos de orixá, também se encontravam. E se encontravam como entidade étnica, como pessoas que falavam a mesma língua, tinham histórias comuns, em muitos casos haviam obedecido aos mesmos reis africanos. Essas convergências facilitaram a mobilização em 1835 para além das colunas muçulmanas.

Os nagôs vinham de uma parte específica da África, qual seja a região sudeste da atual Nigéria e a parte leste da atual República do Benin. Eram de diversos reinos espalhados por esse território, como Oió, Queto, Egba, Yagba, Ijexá, Ijebu, Ifé entre outros. Esses reinos durante muito tempo viveram sob a égide do reino de Oió, embora numa espécie de federação imperial. Na época do levante de 1835 essa federação dominada por Oió estava em franca desintegração em função de lutas intestinas generalizadas. Os malês especificamente tiveram sua origem principalmente em Ilorin, que era uma dependência do reino de Oió que se rebelou sob a liderança de Afonjá. Este homem se aliou aos muçulmanos haussás, fulanis e iorubás contra o alafin, que era o título do rei de Oió. Essas guerras foram responsáveis pela transformação de milhares dos habitantes locais em prisioneiros, que eram vendidos como escravos aos traficantes do litoral, e daí exportados para a Bahia.

Embora a grande maioria dos interrogados em 1835 respondesse que era apenas “nagô”, alguns fizeram questão de ser mais precisos, indicando também o local específico de onde vinham. O carregador de cadeira Joaquim de Mattos, por exemplo, respondeu ser de “nação Nagô Gexá”, quer dizer de origem Ijexá, um grupo étnico do leste do território iorubá. Joaquim havia se alforriado há pelo menos sete anos e portanto deveria estar na Bahia há cerca de nove anos no mínimo. A liberta Edum disse ser de “nação nagô-bá” e um outro africano interrogado disse ser ela apenas “Bá”, significando ser oriunda de Egba ou Yagba. O liberto Lobão Machado foi bem claro: era de nação “Nagô-Ebá”, ou seja de Egba.

Francisco, cerca de 25 anos de idade, escravo doméstico e comprador, que vivia em Salvador há cerca de 6 anos, era Yaba, ou, segundo suas próprias palavras, “Nagô-Abá”. E o escravo José se disse “nagô jabu”, provavelmente natural de Ijebu. A expressão nagô remetia à África descoberta no Brasil, pois só aqui eles se tornariam conhecidos por aquela expressão, enquanto Ijebu, Egba, Yagba, Oyo, Ijexá (ou Ilesha) representavam a África deixada do lado de lá do Atlântico. O escravo nagô Antônio, doméstico e carregador de cadeira, resumiu bem a questão quando afirmou: “ainda que todos são Nagôs, cada um tem sua terra”.

Ao deporem sobre o grau de envolvimento com o islamismo, muitos interrogados se reportaram a suas experiências africanas. Alguns disseram abertamente que haviam recebido instrução islâmica na África, possivelmente em escolas corânicas ou madrasas. O nagô Pedro, ao ser perguntado sobre um livro e vários manuscritos em árabe encontrados em seu poder, respondeu: “o livro continha rezas de sua terra e os papéis várias doutrinas cuja linguagem e sua ciência ele sabia antes de vir de sua terra”. Pompeo da Silva, nagô forro, com cerca de 30 anos de idade, “perguntado se ele sabia ou entendia das letras arábicas que usavam os Nagôs, disse, que tendo aprendido em sua terra pequenino que agora quase nada se lembrava”. Antônio, escravo Haussá, pescador, disse que sabia escrever em árabe, mas só escrevia “orações segundo o cisma de sua terra”. Ou seja, não escrevia coisas subversivas, políticas, só orações. Acrescentou que “quando pequeno em sua terra andava na escola”. 

O escravo nagô Gaspar, preso com grande quantidade de escritos árabes, amuletos, um tessubá (o rosário malê) etc, disse ter sido ele autor dos escritos, e que aprendera o árabe em sua terra. Ele leu trechos do que havia escrito, embora alegasse não saber traduzir para o português.

Observamos em todas essas declarações as lembranças de uma educação muçulmana na África, às vezes lembranças de quando estes escravos eram ainda crianças. Isso acontecia mesmo no caso dos nagôs, que vinham de um lugar onde o islamismo era adotado por uma minoria, ao contrário do país haussá, onde a religião estava arraigada há tempos.

Outras tradições islâmicas também atravessaram o Atlântico, como o já mencionado uso do amuleto. O liberto Lobão Machado acima mencionado, quando preso, levava diversos amuletos protetores em volta do pescoço. Perguntado para que usava aquilo, disse ser para proteger contra o vento. Provavelmente referia-se ao jinn ou anjonu, espécie de espíritos malês. Outros interrogados responderam como ele que os amuletos eram para proteger do vento. Pela quantidade de amuletos apreendidos pela polícia em 1835, muita gente se protegia desta forma contra espíritos malignos. O escravo haussá Antônio acima mencionado usava a educação muçulmana recebida em sua terra para escrever amuletos, que vendia por bom preço — equivalente ao jornal de um escravo de aluguel — a africanos que também desejavam se proteger dessas forças espirituais que haviam acompanhado os africanos ao Novo Mundo.

Tais informações têm o valor de explicitar, através da fala dos interrogados, tradiçõesaprendidas na África e mantidas na Bahia. Estes depoimentos mostram com muita nitidez uma projeção da história africana na história brasileira.

É preciso esclarecer que nem todos os africanos muçulmanos existentes na Bahia em 1835 participaram da revolta. As autoridades, porém, usaram a posse de papéis malês como prova de rebeldia e por isso muitos inocentes foram presos e condenados.

Os malês receberam diversos tipos de sentença. Foram elas: prisão simples, prisãocom trabalho, açoite, morte e deportação para a África. Esta última pena foi atribuída a muitos libertos presos como suspeitos mas contra os quais nenhuma prova definitiva foi encontrada. Mesmo assim, apesar de absolvidos, foram expulsos do país. A pena de açoites variava de 300 até 1.200 chicotadas, que foram distribuídas ao longo de vários dias. O idoso Pacifico Licutan foi sentenciado a 1.200 chibatadas. Sabe-se de pelo menos um condenado que morreu em decorrência desta pena de tortura, o escravo nagô Narciso.

A pena de morte, foi imposta, inicialmente a 16 acusados, mas posteriormente 12 deles conseguiram sua comutação. Quatro foram no final executados. Eram eles o liberto Jorge da Cruz Barbosa, cujo nome iorubá era Ajahi, carregador de cal; Pedro, nagô, carregador de cadeira, escravo de um negociante inglês; Gonçalo e Joaquim, ambos escravos nagôs. Todos quatro foram executados por um pelotão de fuzilamento no Campo da Pólvora, no dia 14 de maio de 1835. E assim se findava um dos episódios mais empolgantes da resistência escrava no Brasil.



BIBLIOGRAFIA

Sobre a África dos malês, ler Robin Law, The Oyo Empire, c. 1600-c. 1836: A West African Imperialism in the Era of the Atlantic Slave Trade, Oxford: Claredon, 1977; Paul Lovejoy, A escravidão na África, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2003, capítulo 9; Pierre Verger, Fluxo e refluxo do tráfico de escravos entre o golfo do Benim e a Bahia de Todos os Santos, Salvador, Corrupio, 1987; e Alberto da Costa e Silva, A manilha e o libambo, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2002, pp. 451-562.

Sobre trabalho escravo urbano, alforria e africanos libertos na Bahia, leia Maria Inês C. de Oliveira, O liberto: seu mundo e os outros, Salvador, Corrupio, 1988; João José Reis, “A greve negra de 1857 na Bahia”, Revista USP, nº 18 (1993), pp. 6-29; Stuart B. Schwartz, “A Manumissão dos escravos no Brasil Colonial – Bahia 1684-1745, Anais de Historia, nº 6 (1974), pp. 71-114; Kátia M. de Queirós Mattoso, “A propósito de cartas de alforria”, Anais de História, nº 4 (1972), pp. 23-52.
Sobre a Revolta dos Malês especificamente, ler Joâo José Reis, Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês em 1835, São Paulo, Companhia das Letras, 2003; Décio Freitas, Insurreições escravas, Porto Alegre, Movimento, 1976; e o livro de Pierre Verger, Fluxo e refluxo, capítulo IX.

Os depoimentos dos malês presos em 1835 se encontram nos inquéritos policiais e processos judiciais depositados no Arquivo Público do Estado da Bahia. Esses documentos já foram publicados em diversos números dos Anais do Arquivo do Estado da Bahia. Também estão sob a guarda do Arquivo o que sobrou dos documentos escritos em árabe.


João José Reis (Salvador, 24 de junho de 1952) é um dos mais importantes historiadores do Brasil, é escritor de diversos livros públicados, dentre eles "A morte é uma festa" que lhe rendeu o prêmio Jabuti. É graduado em história pela Universidade Católica de Salvador, tem Mestrado e Doutorado pela renomada Universidade de Minnesota e dois pós doutorados, que incluem a Universidade de Londres e a Universidade de Stanford, atualmente é professor do departamento de história da Universidade Federal da Bahia.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

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domingo, 6 de novembro de 2011

HIM HAILE SELASSIE :: NAÇÕES UNIDAS :: 6 DE OUTUBRO DE 1963


H.I.M. Haile Selassie :: Nações Unidas em 6 de outubro de 1963

Sr. Presidente, Distintos Delegados:
Vinte e sete anos atrás, como o Imperador da Etiópia, montei a tribuna, em Genebra na Suíça, para tratar da Liga das Nações e de apelar para o alívio da destruição que tinha sido desencadeada contra minha nação indefesa, pelo invasor fascista. Eu falei em seguida para ambos, na forma e para a consciência do mundo. Minhas palavras não foram ouvidas, mas a história comprova a precisão do aviso de que eu dei em 1936.

Hoje, estou aqui diante de mundo que a organização conseguiu ao manto descartado pelo seu antecessor desacreditado. Neste corpo está consagrado o princípio de segurança coletiva que eu, sem sucesso invoquei em Genebra. Aqui, nesta Assembléia, repousa o melhor - talvez a última - a esperança para a sobrevivência pacífica da humanidade.

Em 1936, declarei que não era o Pacto da Liga que estava em jogo, mas a moralidade internacional. Empresas, eu disse então, são de pouco valor se a vontade para mantê-las está faltando. Da Carta das Nações Unidas expressa as aspirações mais nobres do homem: abjuração de força na resolução de litígios entre estados, a garantia dos direitos humanos e liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião; a salvaguarda do direito internacional, paz e segurança.

Mas estes, também, como foram as frases do Pacto, são apenas palavras, o seu valor depende inteiramente da nossa vontade para observar e honrá-las e dar-lhes conteúdo e significado. A preservação da paz e a garantia das liberdades fundamentais do homem e dos direitos requer coragem e eterna vigilância: coragem de falar e agir - e, se necessário, para sofrer e morrer - a verdade e a justiça; a eterna vigilância, que a transgressão, pelo menos o da moralidade internacional, não devem passar despercebidos e impunes. Estas lições devem ser aprendidas de novo por cada nova geração, e que as gerações sejam realmente afortunadas, que aprendam com outras do que com a sua própria experiência amarga. Esta Organização e cada um de seus membros têm uma responsabilidade esmagadora e terrível: para absorver a sabedoria da história e para aplicá-la aos problemas do presente, a fim de que as futuras gerações possam nascer e viver, e morrer em paz.

O registro das Nações Unidas durante os poucos anos de sua vida proporciona a humanidade uma base sólida para o encorajamento e esperança para o futuro. As Nações Unidas se atreveu a agir, quando a Liga não se atreveu na Palestina, na Coréia, em Suez, no Congo. Não há um entre nós hoje que não conjectura sobre a reação do corpo quando este motivos e ações são postas em causa. O parecer desta Organização hoje atua como uma poderosa influência sobre as decisões dos seus membros. O centro das atenções da opinião pública mundial, focado pela Organização das Nações Unidas sobre as transgressões dos renegados da sociedade humana, até agora provou uma proteção eficaz contra a agressão desmarcada e irrestrita violação dos direitos humanos.

As Nações Unidas continuam a sentir como o fórum onde as nações cujos interesses confrontam podem fixar seus casos perante a opinião mundial. Ele ainda oferece a válvula de escape essencial sem a qual o lento acúmulo de pressões resultariam em uma explosão catastrófica. Suas ações e decisões têm acelerado a conquista da liberdade por muitos povos nos continentes da África e Ásia. Os seus esforços têm contribuído para o avanço do nível de vida dos povos em todos os cantos do mundo.

Para isso, todos os homens devem dar graças. Como eu por estar aqui hoje, como um desmaio, como são as memórias remotas e diferentes de 1936. Como em 1963 são as atitudes dos homens. Nós então existia em uma atmosfera de pessimismo sufocante. Hoje, um otimismo cauteloso ainda flutuante é o espírito predominante. Mas cada um de nós aqui sabe que o que foi realizado não é suficiente.

Os julgamentos das Nações Unidas têm sido e continuam a ser objeto de frustração, como indivíduos estados-membros têm ignorado seus pronunciamentos e ignorou as suas recomendações. Tendões da Organização foram enfraquecidas, como estados-membros se esquivaram de suas obrigações para com ele. A autoridade da Organização foi escarnecida, como indivíduos Estados-Membros têm procedido, em violação de seus comandos, para perseguir seus próprios objetivos e fins. Os problemas que continuam a atormentar-nos praticamente todos surgem entre os Estados membros da Organização, mas a Organização permanece impotente para impor soluções aceitáveis. Como o criador e executor da lei internacional, que as Nações Unidas tem conseguido fica lamentavelmente, ainda curta a nossa meta de uma comunidade internacional de nações.

Isto não significa que as Nações Unidas falharam. Eu vivi muito tempo para apreciar muitas ilusões sobre a alta intelectualidade essencial dos homens, quando trazidos para o confronto gritante como a questão do controle sobre a sua segurança, e os seus interesses de propriedade. Nem mesmo agora, quando tanto está em perigo seria de bom grado muitas nações confiarem os seus destinos a outras mãos.

No entanto, este é o ultimato apresentado a nós: garantir as condições em que os homens vão confiar sua segurança a uma entidade maior, ou aniquilação de risco; persuadir os homens que a salvação repousa na subordinação dos interesses nacionais e locais para os interesses da humanidade, ou colocar em perigo o futuro do homem. Estes são os objetivos, ontem inalcançável, hoje essenciais, que devemos trabalhar para conseguir.

Até que isso seja realizado, o futuro da humanidade e a paz continua em perigoso e permanente uma questão de especulação. Não há fórmula mágica, não um simples passo, nenhuma palavra, que seja escrita em uma Carta da Organização ou em um tratado entre Estados, que podem garantir automaticamente a nós o que buscamos. A paz é um problema do dia-a-dia, o produto de uma infinidade de eventos e julgamentos. A paz não é um "é", é um "dever". Não podemos escapar da terrível possibilidade de uma catástrofe por erro de cálculo. Mas nós podemos alcançar as decisões corretas sobre os problemas miríade subordinados que cada novo dia possuímos, e podemos, assim, dar a nossa contribuição e talvez o que mais pode ser razoavelmente esperado de nós em 1963 para a preservação da paz. É aqui que as Nações Unidas nos serviu - não perfeitamente, mas bem. E no aumento das possibilidades que a Organização possa servir-nos melhor, servimos e aproximamos nossos objetivos mais queridos.

Gostaria de mencionar brevemente hoje duas questões específicas que são de profunda preocupação para todos os homens: o desarmamento e o estabelecimento de uma verdadeira igualdade entre os homens. Desarmamento tornou-se o imperativo urgente do nosso tempo. Eu não digo isso porque eu equacionei a falta de braços para a paz, ou porque acredito que trazendo um fim à corrida armamentista nuclear automaticamente garantimos a paz, ou porque a eliminação de ogivas nucleares dos arsenais do mundo trará o seu acordar que a mudança de atitude necessária para a solução pacífica de controvérsias entre as nações. Desarmamento é vital hoje em dia, muito simplesmente, por causa da imensa capacidade destrutiva do que os homens dispõem.

A Etiópia apóia o tratado de proibição de testes nucleares atmosféricos como um passo para esse objetivo, mesmo que apenas um passo parcial. Nações ainda podem perfeitamente construir armas de destruição em massa por meio de testes subterrâneos.Não há garantia contra a retomada súbita, sem aviso de testes na atmosfera.

O real significado do tratado é que ele admite um impasse tácito entre as nações que o negociou, um impasse que reconhece o fato, sem corte inevitável que ninguém sairia da destruição total que seria a sorte de todos em uma guerra nuclear, um impasse que nos oferece e as Nações Unidas um espaço de respiração em que atuar.

Aqui é a nossa oportunidade e nosso desafio. Se as potências nucleares estão preparadas para declarar uma trégua, vamos aproveitar o momento para fortalecer as instituições e os procedimentos que serviram como meio para a solução pacífica das controvérsias entre os homens. Conflitos entre as nações continuarão a surgir. A verdadeira questão é se eles devem ser resolvidos pela força, ou por recurso a métodos pacíficos e procedimentos, administrados por instituições imparciais. Esta organização muito própria é a maior instituição de tal, e é a Organização das Nações Unidas o mais poderoso que nós procuramos, e é aqui que vamos encontrar, a garantia de um futuro pacífico.

Fora um desarmamento efectivo e alcançados e os fundos agora gastos na corrida armamentista dedicada à melhoria do estado do homem; estávamos para se concentrar apenas sobre os usos pacíficos do conhecimento nuclear, com muito e o pouco tempo poderíamos mudar as condições da humanidade. Este deve ser nosso objetivo.

Quando falamos da igualdade do homem, encontramos, também um desafio e uma oportunidade, um desafio para insuflar nova vida a ideais consagrados na Carta, uma oportunidade para levar o homem mais perto de liberdade e igualdade verdadeira. e assim, mais perto de um amor de paz.

O objetivo da igualdade do homem que buscamos é a antítese da exploração de um povo por outro com o qual as páginas da história e, em especial aqueles escritos dos continentes Africano e Asiático, falando em tal extensão. Exploração, assim visto, tem muitas faces. Mas qualquer disfarce que assume, este mal deve ser evitado, onde ela não existe e esmagada, onde ela se faz. É o sagrado o dever desta Organização para garantir que o sonho da igualdade seja finalmente realizada por todos os homens a quem ainda é negada, para garantir que a exploração não seja reencarnada em outras formas, em lugares onde ele já foi banida.

Como uma África livre emergiu durante a última década, um novo ataque foi lançado contra a exploração, onde quer que ela ainda existe. E em que a interação tão comum à história, este por sua vez, estimulou e encorajou os povos restantes dependentes a esforços renovados para se libertar do jugo que os oprimia e sua reivindicação como seu patrimônio os ideais gêmeos de liberdade e igualdade. Esta luta é uma luta muito para estabelecer a paz, e até a vitória está assegurada, que a fraternidade e compreensão que alimentam e dão vida à paz, mas pode ser parcial e incompleta.

Nos Estados Unidos da América, o governo do presidente Kennedy está liderando um ataque vigoroso para erradicar o vestígio remanescente de discriminação racial deste país. Sabemos que este conflito será vencida e que o triunfo será certo. Neste tempo de julgamento, esses esforços devem ser encorajados e apoiados, e devemos dar a nossa solidariedade e apoio ao Governo americano hoje.

Em maio passado, em Addis Abeba, eu convoquei uma reunião com Chefes de Estado e de Governo Africano. Em três dias, as 32 nações representadas na Conferência que demonstrou ao mundo que quando a vontade e a determinação existe, nações e povos de diversas origens pode e irá trabalhar em conjunto, na unidade, para a consecução de objetivos comuns e a garantia de que a igualdade e a fraternidade que nós desejamos aconteça.

Sobre a questão da discriminação racial, em Addis Ababa a Conferência ensinou, para aqueles que vão aprender, ainda mais esta lição: Até que a filosofia que sustenta uma raça superior e outra inferior, seja finalmente e permanentemente desacreditada e abandonada: Isso até que não haja mais primeira classe e cidadãos de segunda classe de qualquer nação; Até que a cor da pele de um homem seja de maior importância do que a cor de seus olhos; Até que os direitos humanos básicos sejam igualmente garantidos para todos, sem distinção de raça, ate esse dia , o sonho de paz duradoura e de cidadania mundial e do Estado de moralidade internacional, continuará a ser uma ilusão fugaz, a ser perseguida mas nunca alcançada; E até que os regimes ignóbeis e infelizes, que aprisionam nossos irmãos em Angola, em Moçambique e na África do Sul em escravidão sub-humanas forem derrubadas e destruídas; Até a intolerância e os preconceitos mal-intencionados e desumano, os auto-interesses foram substituídos pela compreensão e tolerância e boa vontade; Até que todos os africanos estejam de pé e falem como seres livres, iguais aos olhos de todos os homens, como eles são aos olhos do Céu; Até esse dia, o continente Africano não conhecerá a paz. Nós, africanos vamos lutar, se necessário, e sabemos que venceremos, pois estamos confiantes na vitória do bem sobre o mal.

As Nações Unidas tem feito muito, tanto direta como indiretamente para acelerar o desaparecimento de discriminação e opressão da terra. Sem a oportunidade de focar a opinião pública mundial sobre a África e Ásia, que fornece esta Organização o objetivo, para muitos talvez, ainda pela frente e a luta teria levado muito mais tempo. Para isso, estamos verdadeiramente gratos.

Mas mais pode ser feito. A base da discriminação racial e do colonialismo tem sido econômico, e é com armas econômicas que esses males têm sido e podem ser superados. Nos termos das resoluções aprovadas na Conferência de Addis Ababa Summit, Africano Estados comprometeram-se algumas medidas no campo econômico que, se adotada por todos os Estados membros das Nações Unidas, em breve reduzir a intransigência à razão. Eu pergunto, hoje, para a adesão a estas medidas por todas as nações aqui representadas que é verdadeiramente dedicado aos princípios enunciados na Carta.

Eu não acredito que Portugal e África do Sul estão preparados para cometer um suicídio econômico ou físico se alternativas honrosa e razoável existe. Acredito que tais alternativas podem ser encontradas. Mas também sei que a menos que as soluções pacíficas são concebidos, conselhos de moderação e temperança vai valer para nada, e outro golpe terá sido dadas a esta Organização que irá prejudicar e enfraquecer ainda mais a sua utilidade na luta para garantir a vitória da paz e da liberdade sobre as forças de luta e opressão. Aqui, então, é a oportunidade que nos é apresentado. Temos que agir enquanto podemos, enquanto existe a ocasião para exercer essas pressões legítimas disponíveis para nós, para que o tempo esgotar-se e recorrer-se a meios menos felizes.

Organização faz isso hoje em dia e possuí a autoridade e a vontade de agir? E se isso não acontecer, estamos preparados para vesti-la com o poder de criar e impor o Estado de Direito? Ou é a Carta um mero conjunto de palavras, sem conteúdo e substância, porque o espírito essencial está faltando? O tempo em que ponderar essas questões é muito curto. As páginas da história estão cheios de exemplos em que o indesejado poderia ser evitado, no entanto ocorreu porque os homens esperaram para agir até que fosse tarde demais. Para nós não é possível adiar tais ações.

Se quisermos sobreviver, esta Organização deve sobreviver. Para sobreviver, tem que ser reforçada. Seu executivo deve ser investido de grande autoridade. Os meios para a execução de suas decisões têm que ser fortalecidas e, se eles não existem, eles devem ser criados. Procedimentos devem ser estabelecidos para proteger os pequenos e os fracos quando ameaçados pelos fortes e os poderosos. Todas as nações que cumprem as condições de adesão devem ser admitidas e permitidas de sentar-se nesta assembléia.

Igualdade de representação deve ser assegurada em cada um dos seus órgãos. As possibilidades que existem na Organização das Nações Unidas para fornecer o meio pelo qual os famintos podem ser saciados, os nus vestidos, os ignorantes instruídos, deve ser aproveitada e explorada para a flor da paz não ser sustentada pela pobreza e querer. Para alcançar este objectivo requer coragem e confiança. A coragem, creio eu, que possuímos. A confiança deve ser criada, e para criar confiança devemos agir corajosamente.

As grandes nações do mundo fariam bem em lembrar que na idade moderna até mesmo os seus próprios destinos não estão inteiramente em suas mãos. A paz exige os esforços unidos de todos nós. Quem pode prever quando uma faísca pode incendiar o rastilho? Não é só os pequenos e os fracos que devem observar escrupulosamente as suas obrigações com as Nações Unidas e uns aos outros. A menos que as nações menores são concedidas a sua voz adequadamente na resolução de problemas do mundo, a menos que a igualdade que a África e a Ásia têm se esforçado para alcançar reflita na associação ampliada nas instituições que compõem as Nações Unidas, a confiança virá só que de forma muito mais difícil. Ao menos que os direitos dos menores homens são tão assiduamente protegidos como os dos maiores, as sementes de confiança caíram em solo estéril.

A participação de cada um de nós é idêntica - vida ou morte. Todos nós desejamos viver. Todos buscamos um mundo em que os homens estão livres do fardo da ignorância, fome, pobreza e doença. E todos seremos duramente pressionados para escapar da chuva mortal de armas nucleares que caírem, devemos ultrapassar catástrofes.

Quando falei em Genebra, em 1936, não havia precedentes para um chefe de estado abordar a Liga das Nações. Não sou nem o primeiro nem serei o último chefe de Estado para tratar das Nações Unidas, mas só tenho abordado tanto a Liga e esta Organização nesta capacidade. Os problemas que nos confrontam hoje são, igualmente sem precedentes. Eles não têm contrapartida na experiência humana. Os homens buscam as páginas da história de soluções, de precedentes, mas não há nenhum. Este, então é o derradeiro desafio. Onde estamos a olhar para a nossa sobrevivência, para as respostas às perguntas que nunca foram colocadas? Devemos olhar, primeiro Deus Todo-Poderoso, que levantou o homem acima dos animais e o dotou de inteligência e da razão. Devemos colocar nossa fé nEle, que Ele não nos abandonará ou nos permitirá destruir a humanidade que Ele criou à Sua imagem. E devemos olhar para nós mesmos, nas profundezas de nossas almas. Devemos tornar-nos algo que nunca foram e para os quais a nossa educação e da experiência e do ambiente têm-nos mal preparado. Devemos nos tornar maiores do que temos sido: mais corajoso, mais em espírito, olha mais afora. Devemos tornar-nos membros de uma nova raça, na superação de preconceitos mesquinhos, devido a nossa lealdade final não às nações, mas para nossos semelhantes no seio da comunidade humana. "

Haile Selassie, Organização das Nações Unidas - 6 de outubro de 1963.



Tradução e Adaptação da versão em inglês do discurso na integra do acervo do FYADUB. Nenhuma tradução é fidedigna da língua original, ou seja, qualquer tipo de transliteração deixa lacunas, o esforço é deixar o mínimo de lacunas possível, devido a isso busque sempre ler os artigos originais; RAS Wellington.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

HAILE SELASSIE :: APELO A LIGA DAS NAÇÕES :: JUNHO/1936

APELO A LIGA DAS NAÇÕES
Haile Selassie
Junho 1936

"Eu, Haile Selassie I, Imperador da Etiópia, estou aqui hoje para reivindicar a justiça que é devida ao meu povo, e a assistência prometida a ele oito meses atrás, quando cinqüenta nações afirmaram que a agressão cometida foi  em  violação de tratados internacionais.

Não há precedente para um Chefe de Estado em pessoa falando nesta assembléia. Mas também não há precedente para um povo ser vítima de tal injustiça e sendo atualmente ameaçado pelo abandono ao seu agressor. Além disso, nunca antes foi um exemplo de qualquer Governo de prosseguir para o extermínio sistemático de uma nação por meio bárbaro, em violação das mais solenes promessas feitas pelas nações da terra que não deve ser usada contra seres humanos inocentes, o terrível veneno de gases nocivos. É para defender um povo que luta por sua independência antiga que o cabeça do Império Etíope veio a Genebra para cumprir este dever supremo, depois de ter lutado na frente de seus exércitos.

Peço a Deus Todo-Poderoso para que Ele possa poupar as nações os sofrimentos terríveis  que acabaram de ser infligida a meu povo, e do qual os chefes que me acompanham aqui foram horrorizadas testemunhas.

É meu dever informar aos Governos reunidos em Genebra, responsável como eles são para a vida de milhões de homens, mulheres e crianças, do perigo mortal que os ameaça, descrevendo-lhes o destino que foi sofrido pela Etiópia. Não é apenas sobre os guerreiros que o Governo italiano fez a guerra. Ele tem, acima de tudo as populações atacadas longe das hostilidades, a fim de aterrorizar e exterminá-los.

No início, no final de 1935, aviões italianos lançaram sobre meus exércitos bombas de gás lacrimogêneo. Mas seus efeitos foram ligeiros. Os soldados aprenderam a dispersão, esperando até que o vento dispersasse rapidamente os gases venenosos. O avião italiano então recorreu ao gás mostarda. Barris de líquido foram lançadas sobre grupos armados. Mas isso também não foi eficaz, o líquido afetou apenas alguns soldados, e os barris no chão eram eles mesmos um aviso às tropas e à população do perigo.

Foi no momento em que as operações para o cerco de Makalle estavam ocorrendo que o comando italiano, temendo uma derrota, seguindo o procedimento que agora é o meu dever de denunciar ao mundo. Pulverizadores especiais foram instalados a bordo das aeronaves de modo que pudessem vaporizar, sobre vastas áreas do território, uma chuva mortífera. Grupos de nove, quinze, dezoito aviões se sucederam de forma que o nevoeiro que emite a partir delas formaram uma folha contínua. Foi assim que, a partir do final de janeiro de 1936, soldados, mulheres, crianças, gado, rios, lagos e pastagens foram encharcados constantemente com essa chuva mortal. A fim de matar sistematicamente todas as criaturas vivas, a fim de mais seguramente as pastagens e a água se tornarem veneno, o comando italiano fez a sua aeronave passar por cima e outra vez. Isso foi o seu principal método de guerra.

Devastação e Terror

O verdadeiro refinamento do barbarismo consistia na realização de devastação  e terror nas partes mais densamente povoadas do território, os pontos mais distantes do cenário de hostilidades. O objetivo era espalhar o medo e morte sobre uma grande parte do território etíope. Essas táticas de medo conseguiram. Homens e animais sucumbiram. A chuva mortal que caiu das aeronaves fez todos aqueles a quem tocou gritar de dor. Todos aqueles que beberam a água envenenada ou comeram o alimento infectado também sucumbiu em sofrimento atroz. Em dezenas de milhares, as vítimas do gás mostarda italiano caiu. É para denunciar ao mundo civilizado as torturas infligidas ao povo etíope que resolvi vir para Genebra. Ninguém menos do que eu e meus companheiros corajosos nos braços poderia trazer a Liga das Nações a prova inegável. Os apelos de meus delegados dirigida à Liga das Nações havia permanecido sem qualquer resposta; meus delegados não tinham sido testemunhas. É por isso que decidi vir-me para testemunhar contra o crime perpetrado contra o meu povo e dar à Europa um aviso do castigo que o aguarda, devendo curvar-se diante do fato consumado.

É necessário lembrar a Assembleia das várias etapas do drama Etíope? Há 20 anos passados, seja como herdeiro, Regente do Império, ou como Imperador, nunca deixei de usar todos os meus esforços para trazer o meu país os benefícios da civilização e, em particular para estabelecer relações de boa vizinhança com os poderes adjacentes. Em particular, concluindo com sucesso na Itália, o Tratado de Amizade de 1928, o que absolutamente proibia o recurso, sob qualquer pretexto, a força das armas, substituindo a força e pressão da conciliação e arbitragem em que as nações civilizadas são baseadas na ordem internacional.

Países Mais Unidos

No seu relatório de 05 de outubro 193?, o Comité dos Treze reconheceu meu esforço e os resultados que eu tinha conseguido. Os governos pensaram que a entrada da Etiópia na Liga, enquanto dando aquele país uma nova garantia para a manutenção da sua integridade territorial e independência, a ajudaria a chegar a um nível mais alto de civilização. Não parece que na Etiópia hoje haja mais desordem e insegurança do que em 1923. Pelo contrário, o país está mais unido e o poder central é mais obedecido.

Eu deveria ter obtido resultados ainda maiores para o meu povo se obstáculos de toda ordem não tivessem sido colocados no caminho pelo Governo italiano, o Governo, que despertou revolta armada e os rebeldes. Na verdade, o Governo de Roma, como tem hoje abertamente proclamou, nunca cessou de se preparar para a conquista da Etiópia. Os Tratados de Amizade que assinou comigo não eram sinceros; seu único objetivo era esconder a sua verdadeira intenção de mim. O Governo italiano afirma que há 14 anos ele vem se preparando para apresentar a sua conquista. É, portanto, reconhecido hoje que quando apoiou a admissão da Etiópia à Liga das Nações em 1923, quando concluiu o Tratado de Amizade, em 1928, quando assinou o Pacto de Paris proibindo a guerra, foi de enganar o mundo inteiro. O governo etíope foi, nestes tratados solenes, dadas garantias adicionais de segurança que lhe permitiria conseguir mais progressos ao longo do caminho específicamente de reforma em que se havia estabelecido seus pés, e para a qual estava dedicando toda a sua força e todo seu coração .

Pretexto de Wal-Wal

O incidente Wal-Wal, em dezembro de 1934, veio como um raio para mim. A provocação italiana foi óbvia e não hesitou em apelar para a Liga das Nações. Invoquei as disposições do tratado de 1928, os princípios do Pacto; exortei o procedimento de conciliação e arbitragem. Infelizmente para a Etiópia esse foi o momento em que um determinado governo considerou que a situação europeia tornou-se imperativa a todo custo em obter a amizade da Itália. O preço pago foi o abandono da independência da Etiópia à cobiça do Governo italiano. Este acordo secreto, ao contrário das obrigações do Pacto, exerceram uma grande influência sobre o curso dos acontecimentos. A Etiópia e todo o mundo sofreram e ainda sofrem hoje as suas consequências desastrosas.

Esta primeira violação do Pacto foi seguido por muitos outros. Sentindo-se encorajado em sua política contra a Etiópia, o Governo de Roma febrilmente fez preparativos de guerra, pensando que a pressão concertada que começava a ser exercida sobre o Governo etíope, talvez não, talvez, superar a resistência do meu povo à dominação italiana. O tempo tinha de vir, assim, todos os tipos de dificuldades foram colocados no caminho com vista a quebrar o procedimento; de conciliação e arbitragem. Todos os tipos de obstáculos foram colocados no caminho desse processo. Governos tentaram impedir que o Governo da Etiópia de encontrar árbitros entre seus nacionais: quando uma vez a um tribunal arbitral foi criado a pressão foi exercida de modo que um prêmio favorável ​​para a Itália deve ser dado.

Tudo isso foi em vão: os árbitros, dois dos quais eram oficiais italianos, foram forçados a reconhecer unanimemente que no incidente do Wal-Wal, como nos incidentes posteriores, nenhuma responsabilidade internacional foi atribuída a Etiópia.

Os Esforços de Paz

Seguindo por este prêmio. No Governo da Etiópia sinceramente pensei que uma era de relações de amizade poderiam ser abertas com a Itália. Eu lealmente ofereci minha mão ao Governo Romano. A Assembleia foi informada pelo relatório da Comissão dos Treze, datada de 05 de outubro de 1935, dos detalhes dos eventos que ocorreram após o mês de dezembro de 1934, e até 03 de outubro de 1935.

Será suficiente se eu citar algumas das conclusões desse relatório nº 24, 25 e 26; "O memorando italiano (contendo as queixas apresentadas pela Itália) foi colocado sobre a mesa do Conselho de 04 de setembro de 1935, enquanto primeiro apelo da Etiópia ao Conselho tinha sido feito em 14 de dezembro de 1934. No intervalo entre estas duas datas, o Governo italiano se opôs ao exame da questão pelo Conselho com fundamento em que o único procedimento adequado era o previsto no Tratado ítalo-etíope de 1928. Ao longo de todo esse período, além disso, o envio de tropas italianas para a África Oriental continuaram. Estes embarques de tropas estiveram representados ao Conselho pelo Governo italiano como necessárias para a defesa de suas colônias ameaçadas pelos preparativos da Etiópia. A Etiópia, pelo contrário, chamou a atenção para os pronunciamentos oficiais feitos na Itália que, na sua opinião, não deixou dúvidas "quanto às intenções hostis do Governo italiano."

Desde o início da disputa, o Governo etíope tem procurado uma solução por meios pacíficos. Ele apelou aos procedimentos da Aliança. O Governo italiano desejando manter rigorosamente os procedimentos do Tratado ítalo-etíope de 1928, o Governo da Etiópia concordou. Invariavelmente declarou que iria desempenhar fielmente a sentença arbitral mesmo que a decisão fosse contra ele. Ele concordou que a questão da propriedade da Wal-Wal não devem ser tratadas com os árbitros, porque o Governo italiano não iria concordar com tal curso. Ele pediu ao Conselho que observadores neutros fossem enviados e se ofereceu para dispor quaisquer perguntas sobre o qual o Conselho pudesse decidir.

Uma vez que a disputa de Wal-Wal tinha sido resolvida por arbitragem, no entanto, o Governo italiano apresentou seu memorando detalhado ao Conselho em apoio à sua reivindicação de liberdade de ação. Ele afirmou que um caso como o da Etiópia não pode ser resolvido pelos meios previstos pelo Pacto. Ele afirmou que, "desde que esta questão afetasse interesse vital e é de importância primordial para a segurança italiana e sua civilização" que "seria faltar ao seu dever mais elementar, não deixem de uma vez por todas colocar nenhuma confiança na Etiópia, reservando completa liberdade de adotar quaisquer medidas que possam se tornar necessárias para garantir a segurança de suas colônias e para salvaguardar seus próprios interesses."

Pacto Violado

Esses são os termos do relatório da Comissão dos Treze, o Conselho e a Assembleia aprovou por unanimidade a conclusão de que o Governo italiano tinha violado o Pacto e estava em um estado de agressão. Eu não hesitou em declarar que eu não desejo parar a guerra, que foi imposta sobre mim, e eu deveria lutar exclusivamente para a independência e integridade do meu povo, e que nessa luta eu era o defensor da causa de todos os pequenos Estados expostos à cobiça de um vizinho poderoso.

Em outubro de 1935, as 52 nações que estão me ouvindo hoje me deram uma garantia de que o agressor não teria o triunfo, que os recursos da Aliança seriam utilizados para garantir o reinado de direito e do fracasso da violência.

Eu peço as nações 52 para não esquecer hoje a política sobre a qual eles embarcaram há oito meses, e na fé de que eu dirigi a resistência do meu povo contra o agressor que tinham denunciado para o mundo. Apesar da inferioridade de minhas armas, a completa falta de aviões, artilharia, munições, serviços hospitalares, a minha confiança na Liga era absoluta. Pensei que fosse impossível que 52 nações, incluindo a mais poderosa do mundo, deve ser contrariada com êxito por um agressor único. Contando com a fé devido os tratados, eu não havia feito nenhuma preparação para a guerra, que é o caso de certos países pequenos da Europa.

Quando o perigo se tornou mais urgente, estando ciente das minhas responsabilidades para com o meu povo, durante os primeiros seis meses de 1935, tentei adquirir armamentos. Muitos governos proclamaram um embargo para evitar que eu o fizesse, ao passo que o Governo italiano através do Canal de Suez, foram dadas todas as facilidades para o transporte sem cessar e sem protestar de tropas, armas e munições.

Mobilização Forçada

Em 03 de outubro de 1935, as tropas italianas invadiram meu território.Poucas horas depois que eu decretei a mobilização geral. No meu desejo de manter a paz que eu tinha, seguindo o exemplo de um grande país na Europa nas vésperas da Grande Guerra, fiz minhas tropas se retirar 30 km, de modo a eliminar qualquer pretexto de provocação.

Guerra, em seguida, realizou-se nas atrozes condições que pus diante da Assembléia. Nessa luta desigual entre um governo comandando mais de 42 milhões de habitantes, tendo à sua disposição meios financeiros, industrial e técnica que lhe permitiu criar quantidades ilimitadas das mais mortíferas armas, e, por outro lado, um pequeno povo de 12 milhões de habitantes, sem armas, sem recursos tendo em seu lado apenas a justiça de sua causa própria ea promessa da Liga das Nações. Que tipo de assistência real foi dada para a Etiópia pelos 52 países que declararam o Governo de Roma culpado de uma violação do Pacto e se comprometeu a impedir o triunfo do agressor? Tem cada um dos Estados-Membros, como era seu dever fazer em virtude de sua assinatura anexada ao artigo 15 do Pacto, considerado o agressor como tendo cometido um ato de guerra dirigido pessoalmente contra si mesmo? Eu tinha colocado todas as minhas esperanças na execução dessas empresas. Minha confiança foi confirmada pelas declarações reiteradas do Conselho no sentido de que a agressão não deve ser recompensado, e que a força acabaria por ser obrigado a curvar-se diante direito.

Em dezembro de 1935, o Conselho deixou claro que seus sentimentos estavam em harmonia com as de centenas de milhões de pessoas que, em todas as partes do mundo, protestaram contra a proposta de desmembrar a Etiópia. Era constantemente repetida de que não era meramente um conflito entre o Governo italiano e pela Liga dos Nadons, e é por isso que eu, pessoalmente, recusou todas as propostas para o meu benefício pessoal que me foi feita pelo Governo italiano, se eu trairia meu povo e Pacto da Liga das Nações. Eu estava defendendo a causa de todos os povos pequenos que estão ameaçados de agressão.

Quais Promessas?

O que tornaram-se das promessas feitas a mim, em outubro de 1935? Notei com tristeza, mas sem surpresa que os três Poderes considerados os compromissos assumidos ao abrigo do Pacto como absolutamente de nenhum valor. Suas conexões com a Itália levava a recusar-se a tomar qualquer medida a fim de parar a agressão italiana. Pelo contrário, foi uma profunda decepção para mim aprender a atitude de um Governo determinado que, embora sempre protestando contra o seu apego escrupuloso ao Pacto, tem incansavelmente usado todos os seus esforços para impedir que sua observância. Assim como qualquer medida que corria o risco de ser rapidamente eficaz foi proposto, vários pretextos foram concebidos de forma a adiar até mesmo a consideração da medida. Será que os acordos secretos de janeiro de 1935, prevêem essa obstrução incansável?

O Governo etíope nunca esperava outros Governos para derramar o sangue de seus soldados para defender o Pacto quando seus próprios interesses pessoais imediatamente não estavam em jogo. Guerreiros etíopes pediram apenas meios para se defender. Em muitas ocasiões eu pedi ajuda financeira para a compra de armas e a assistência tem sido constantemente recusada. O que, então, na prática, é o significado do artigo 16 do Pacto e da segurança coletiva?

Usaram do Governo etíope a estrada de ferro de Djibouti para Adis Abeba, na prática, uma diz respeito aos transportes perigosos de armas destinadas às forças etíopes. No presente momento esta é a principal, se não o único meio de fornecimento dos exércitos de ocupação italiana. As regras de neutralidade deveria ter proibido transportes destinado a forças italianas, mas não há nem mesmo a neutralidade vez que o artigo 16 estabelece em cima de cada Estado-Membro da Liga o dever de não permanecer neutro, mas para vir para o auxílio não do agressor, mas do vítima de agressão. O Pacto foi respeitado? É hoje a será respeitado?

Finalmente uma declaração acaba de ser feita em seus Parlamentos pelos Governos de certos poderes, entre eles os membros mais influentes da Liga das Nações, que desde que o agressor conseguiu ocupar uma grande parte do território etíope que eles propõem não continuar a aplicação de quaisquer medidas econômicas e financeiras que podem ter sido decididas contra o Governo italiano. Estas são as circunstâncias em que a pedido do Governo argentino, a Assembléia da Liga das Nações se reúne para analisar a situação criada pela agressão italiana. Eu afirmo que o problema apresentado à Assembléia hoje é muito mais amplo. Não é meramente uma questão de liquidação da agressão italiana.

Liga Ameaçada

É a segurança coletiva: é a própria existência da Liga das Nações. É a confiança que cada Estado coloca em tratados internacionais. É o valor das promessas feitas aos Estados pequenos que a sua integridade e sua independência devem ser respeitados e assegurados. É o princípio da igualdade dos Estados, por um lado, ou caso contrário, a obrigação colocada sobre Powers smail a aceitar os laços de vassalship. Em uma palavra, é a moralidade internacional que está em jogo. Têm as assinaturas anexada ao Tratado um valor apenas na medida em que os Poderes signatários têm um interesse pessoal, directo e imediato envolvido?

Nenhuma sutileza pode mudar o problema ou mudar os fundamentos da discussão. É com toda a sinceridade que eu envio estas considerações à Assembléia. Numa época em que meu povo é ameaçado de extermínio, quando o apoio da Liga pode afastar o golpe final, que eu seja permitido falar com franqueza completa, sem reticências, com toda franqueza, como é exigido pela regra da igualdade como entre todos os Estados membros da Liga?

Além do Reino do Senhor não existe nesta terra qualquer nação que seja superior a qualquer outro. Se acontecer que um governo forte pode encontrá-la impunemente destruir um povo fraco, então, a hora para que as pessoas fracas apelam para a Liga das Nações a dão o seu acórdão de toda a liberdade. Deus e a história vão lembrar do seu julgamento.

Assistência Negada

Ouvi afirmações de que as sanções já aplicadas de forma inadequada não atingiram seu objetivo. Em nenhum momento, e sob nenhuma circunstância poderiam sanções que foram intencionalmente insuficientes, intencionalmente mal aplicadas, parar um agressor. Este não é um caso da impossibilidade de parar um agressor, mas da recusa de parar um agressor. Quando solicitado a Etiópia e pediram que a ela deve ser dada assistência financeira, era que uma medida que era impossível de aplicar. Considerando que a assistência financeira da Liga tenha sido concedida, mesmo em tempos de paz, para dois países e exatamente a dois países que se recusaram a aplicar sanções contra o agressor?

Enfrentados por inúmeras violações pelo Governo italiano de todos os tratados internacionais que proíbem a recorrer às armas, bem como a utilização de métodos bárbaros de guerra, é meu dever doloroso notar que a iniciativa foi hoje tomada com vista a aumentar sanções. Esta iniciativa significa na prática o abandono da Etiópia para o agressor? Na véspera do dia em que eu estava prestes a tentar um supremo esforço na defesa do meu povo perante esta Assembléia, esta iniciativa priva a Etiópia de uma de suas últimas chances de ter sucesso na obtenção do apoio e garantia de Estados-Membros? É que a orientação a Liga das Nações e cada um dos Estados-Membros têm o direito de esperar dos Poderes grandes quando eles afirmam seu direito e seu dever de orientar a ação da Liga? Colocado pelo rosto agressor a cara com o fato consumado, são Estados indo para configurar o precendent terrível de se curvar diante da força?

Vossa Assembleia, sem dúvida, têm lançado propostas para a reforma do Pacto e para tornar mais efetiva a garantia da segurança coletiva. É a aliança que precisa de uma reforma? Porque as empresas podem ter qualquer valor se a vontade para mantê-las é necessário? É a moralidade internacional, que está em jogo e não os artigos da Aliança. Em nome do povo etíope, e membro da Liga das Nações, peço a Assembleia para tomar todas as medidas adequadas para assegurar o respeito do Pacto. Renovo o meu protesto contra as violações dos tratados dos quais o povo etíope foi a vítima. Declaro a face de todo o mundo que o Imperador, o Governo e o povo da Etiópia não vão se curvar diante do vigor; que eles mantenham suas alegações de que eles vão usar todos os meios ao seu alcance para garantir o triunfo do direito e do respeito dos Aliança.

Eu peço as 52 nações, que deram ao povo etíope uma promessa de ajudá-los em sua resistência ao agressor, o que eles estão dispostos a fazer para a Etiópia? E as grandes potências que prometeram a garantia da segurança coletiva para pequenos Estados sobre os quais pesa a ameaça de que eles podem um dia sofrer o destino da Etiópia, peço que digam quais medidas pretendem tomar?

Representantes do mundo Eu vim a Genebra para dizer no meio de ti o mais doloroso dos deveres do chefe de um Estado. Que resposta devo ter para dizer de volta ao meu povo? "

HIM Imperor Haile Selassie - Junho de 1936. Genebra, Suíça.



Tradução e Adaptação da versão em inglês do discurso na integra do acervo do FYADUB. Nenhuma tradução é fidedigna da língua original, ou seja, qualquer tipo de transliteração deixa lacunas, o esforço é deixar o mínimo de lacunas possível, devido a isso busque sempre ler os artigos originais; RAS Wellington.
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