terça-feira, 29 de maio de 2012

PODCAST FYADUB #23 FEAT. KING NINO BROWN

E nesse podcast nosso convidado muito especial é King Nino Brown. Nossa fundação do Hip Hop nacional falando das antigas festas black, o Funk, James Brown, Hip Hop, a fundação da Zulu Nation. Nós aqui do FYADUB gostamos muito do programa com o King Nino Brown que é o conhecimento vivo da nossa cultura e o set é totalmente dedicado ao Hip Hop Golden Era e ficou na responsa de Peter Muhammad alicerce da nossa fundação. Deixamos também o espaço para sugestões, criticas (positivas e negativas) e qualquer coisa liga nóis, PAZ A TODOS. 

PS. Ficamos aqui na campanha de trazer o Funk Buia de volta ao podcast, manda sua mensagem se sentiu falta dele no programa que a gente manda pra ele. 

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segunda-feira, 28 de maio de 2012

REALITY SHOCK @ FYASHOP


Já falei sobei sobre o selo Reality Shock aqui algumas vezes, sobre lançamento dos singles, do concurso de dubplates com Solo Banton, enfim.. mas é sempre bom saber um pouco mais.

Reality Shock é um selo com base em UK, um estúdio e produtora que agência diversos músicos de UK - se tratando de reggae. Fundado por Kris Kemist em 2004, a família Reality Shock cresceu gradativamente com força, espalhando a mensagem pela música ao redor do globo e ganhando reputação internacional e reconhecimento.

A fundação do selo Reality Shock começou muito antes do lançamento do selo. Quando jovem, Kris Kemist começou colecionando disco de reggae e seu sound system "Psalms 1 Sound" em Reading na Inglaterra. Reading é uma cidade pequena com uma grande comunidade caribenha com uma história rica no reggae.

Durante os anos 80 e 90, Reading foi cheia de sound systems e músicos ligados ao reggae que consolidaram seus trabalhos em UK. O mais famoso centro comunitário de Reading era o "Central Youth Provision" que recebia todos os sound systems para fazer apresentações e artistas vindo da Jamaica e de outros lugares de UK. Tristemente, o local foi fechado e a cidade perdeu um dos seus centros de entretenimento devido a perda da licença para funcionar nos final dos anos 90, assim como em todo o restante de UK, os municípios foram fechados todos os locais que sound systems poderiam colocar suas caixas e tocar. 

Apesar de muitos contratempos muitos sounds, artistas e produtores se permaneceram em Reading, apesar de estarem muitos menos ativos do que em alguns anos passados. Trabalhando com o Psalms 1 Sound o jovem Kris Kemist ficou amigo de muitos deles...

"Tinha muitos talentos em Reading... artistas como Mikey Murka, Deadly Hunta, Prince Livijah, Aqua Levi e muitos outros... eles realmente me inspiraram a começar a fazer música."


Ainda vivendo na casa de sua mãe, Kemist começou a estudar produção de música e construir riddims, gravando com artistas locais em seu pequeno estúdio no quarto. As vibrações da família cresceram em força e os músicos trouxeram outros músicos.

Eventualmente, alguns nomes consagrados vieram a bordo, como Errol Bellot e Afrikan Simba, que foram um grande apoio na fundação do selo Reality Shock.

"As vibrações no estúdio foi como um imã, atraindo todas as pessoas certas nos momentos certos, enquanto ao mesmo tempo, repelir todas as forças negativas que inevitavelmente vieram ao redor."

Como a família ficou mais forte, os apoios começaram a aparecer em todas as direções, tanto local como (graças à net) também internacionalmente: Ring The Alarm, Reuben Addis, Deal Jah, Ben Sounsty, Stout System, Neeko, Dub Soljah, JAHNO, System Failure, Christian Cowlin, os antigos membros da comunidade Versionist riddim, General Smiley e muitos mais para mencionar.

Com uma base sólida, o próximo passo lógico foi criar um selo e começar a divulgar alguns registros. Em 2004 nasceu o Reality Shock e o resto é história.

Desde entãoo selo Reality Shock se estabeleceu em todo o mundo,produzindo uma série de lançamentos bem sucedidos e trabalhando com alguns dos nomes mais respeitados na música. Os artistas viram o sucesso, tendo tocado em todos os cantos do globo espalhando a mensagem musical, trabalhando tanto no 'Reality Shock Sound' e ​​com a banda 'Upper Cut Band'.

Reality Shock continua a crescer em força, como uma família e um movimento musical, com a missão de entreter, educar e inspirar. Damos graças a todos que apoiaram o selo Reality Shock ao longo dos anos e fez dele o que é hoje.

One blessed love.






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quinta-feira, 24 de maio de 2012

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES - GENETON MORAES ENTREVISTA GERALDO VANDRÉ



Geneton Moraes entrevistando Geraldo Vandré
"O problema é que você quer falar com Geraldo Vandré. E Geraldo Vandré não existe mais, foi um pseudônimo que usei até 1968." Ele estava particularmente irritado naquela noite, em agosto de 1985. Há pouco, ficara sabendo que não haviam permitido o acesso ao prédio a um antigo porteiro. Naquela noite, conheci um pouco da fúria daquele homem de voz grave, que estava prestes a completar 50 anos e vivia, como ainda vive, em um antigo prédio na região central de São Paulo, com o apartamento mergulhado na penumbra e cheio de livros por todos os lados. E pelo menos um violão.

O próprio Geraldo havia ligado para mim, meses antes, depois que eu, ainda estudante de Comunicação, tinha conseguido localizar o seu telefone na hoje extinta Superintendência Nacional de Abastecimento (Sunab), em que ele trabalhava como fiscal — cassado em 1968, havia sido anistiado em 1979. Deixei recado ao doutor Geraldo Pedrosa, e na manhã seguinte uma voz empostada fala comigo. "Aqui é Geraldo. Você ligou para mim?" Combinamos de nos encontrar à noite, por volta de 19h. "Por volta, não. Às 19h", decretou Geraldo.

O paraibano Geraldo Pedrosa de Araújo Dias completou 70 anos no dia 12 de setembro de 2005. Nascido em João Pessoa, aos 16 anos foi para o Rio de Janeiro. Entre ginásio e colégio, passou por Nazaré da Mata (PE) e Juiz de Fora (MG), em escolas de padres, de educação rígida. No Rio, estudou Direito (de 1957 a 1961) para satisfazer a família, mas depois pendurou o diploma e foi viver de música. Ou de arte.

O sobrenome artístico veio do segundo nome do pai, o médico José Vandregíselo. Começou usando o nome artístico de Carlos Dias, homenagem aos cantores Carlos Galhardo e Carlos José. O Dias era de seu próprio sobrenome. Foi influenciado pela Bossa Nova, mas depois introduziu outros elementos em sua música — "em termos musicais, ele começava a travar uma luta sonora com o meio ambiente da bossa nova e com suas próprias influências jazzísticas", escreveu o crítico Tárik de Souza, em artigo publicado no livro Oitenta (L&PM Editores, 1979).

E os seus 70 anos passaram despercebidos. Geraldo andava, inclusive, meio sumido até poucas semanas atrás, quando os atendentes de uma padaria na região central de São Paulo, reencontraram o antigo freqüentador, que continua no mesmo velho apartamento, mas costuma se ausentar com freqüência. Sempre de camisa branca, normalmente com símbolos da Força Aérea Brasileira (FAB). Também é assim que os funcionários de um restaurante na rua Xavier de Toledo, perto dali, costumam vê-lo. Camisa branca e vastos cabelos brancos. Um homem magro, que normalmente almoça sozinho.

Vandré, militares, Força Aérea? A relação parece estranha, mas vem dos tempos de criança. O pequeno Geraldo tinha 4 anos quando explodiu a 2ª Guerra Mundial, e ele gostava de imitar o vôo de caças. "Porque só tu soubeste enquanto infante/ As luzes do luzir mais reluzente/ Pertencer ao meu ser mais permanente" são os versos finais de "Fabiana", escrita em 23 de outubro de 1985 "em honra da Força Aérea Brasileira". Daí o nome, "Fabiana". Em 1995, ele esteve presente a uma comemoração da Semana da Asa, em que cadetes da FAB cantaram a sua composição. "Musicalmente é uma valsa. Literariamente, compõe de três estrofes de seis decassílabos e um refrão de três versos de seis sílabas", explicou, didático, em entrevista ao jornal paulistano Diário Popular (atual Diário de São Paulo) em 26 de julho de 1991.

Dez entre dez pessoas citarão "Pra não Dizer que não Falei das Flores" (subtítulos "Caminhando" e "Sexta Coluna") como a sua música mais famosa. Outros lembrarão de "Disparada", celebrizada por Jair Rodrigues. Poucos, certamente, lembrarão de "Pequeno Concerto que virou Canção", "Samba em Prelúdio", "Quem Quiser Encontrar Amor", "Canção Nordestina". E quem lembrará que foi Vandré quem primeiro defendeu uma música de Chico Buarque em um festival? Pois foi ele quem cantou "Sonho de um Carnaval", do novato Chico, no 1° Festival de Música Popular Brasileira, em 1965. Os dois dividiriam o prêmio do Festival da Música Popular Brasileira em 1966, quando "A Banda", de Chico, e "Disparada", de Vandré e Théo de Barros, dividiram a torcida. "A Banda" ganhou no júri, mas o prêmio foi dividido por imposição do próprio Chico.

Em setembro de 1968, seria a vez de Vandré sair em defesa de Chico — e de Tom Jobim —, diante de milhares de pessoas no Maracanãzinho (jornais da época falam em 30 mil), no Rio de Janeiro. A maioria queria ver "Pra não dizer que não falei das Flores" ou "Caminhando" como vencedora da fase nacional do 3° Festival Internacional da Canção, promovido pela TV Globo, e por isso vaiava a decisão do júri, que escolhera "Sabiá". "Antônio Carlos Jobim e Chico Buarque de Hollanda merecem o nosso respeito. (...) Pra vocês que continuam pensando que me apóiam vaiando... (...) A vida não se resume em festivais", disse Vandré, enquanto a multidão acenava com lenços brancos.

Pouco depois, em dezembro de 1968, ele sumiu dos palcos. Naquele período, "Pra não Dizer que não Falei das Flores" foi proibida e sua cabeça, posta a prêmio. Em artigo publicado em outubro daquele ano no jornal O Globo, Nélson Rodrigues chegou a afirmar que "nunca se viu uma Marselhesa tão pouco Marselhesa". Sentindo-se ameaçado, Vandré decidiu desaparecer (na mesma época, Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos). No dia em que foi decretado o Ato Institucional 5 (13 de dezembro de 1968), Vandré e o Quarteto Livre (formado por Franklin da Flauta, Geraldo Azevedo, Naná Vasconcelos e Nélson Ângelo), tinham feito show em uma escola em Anápolis. No dia seguinte, 14, iriam se apresentar em Brasília. Ao saber do AI-5, nas primeiras horas do dia 14, voltaram às pressas para São Paulo. Depois de permanecer escondido por amigos, ele fugiu disfarçado e com passaporte falso no carnaval de 1969.

No Chile, seu primeiro destino, Vandré manteve contatos com artistas locais e gravou um compacto com as músicas "Desacordonar" e "Caminando" — quem recebeu da mão dele um desses compactos tem o exemplar numerado pelo próprio autor. De lá, viajou para a Europa — no final de 1970, gravaria na França o pungente "Das Terras de Benvirá", seu quinto LP — e seria o último, lançado no Brasil apenas em 1973 (na França, foi lançado um compacto, "La Passion Bresilienne"). "Foi algo quase de improviso", conta Marcelo Melo, que participou da gravação e pouco depois formaria o grupo Quinteto Violado. Em 1971, Vandré voltou ao Chile. Em 1972, ganharia um festival no Peru com "Pátria Amada Idolatrada, Salve, Salve", parceria com Manduka (falecido em 2004), filho do poeta Thiago de Mello e da jornalista Pomona Politis. O retorno oficial ao Brasil aconteceu em 21 de agosto de 1973. "Quero agora só fazer canções de amor e paz", declarou ao Jornal Nacional, na chegada, em Brasília, lembrando que nunca esteve vinculado a qualquer grupo político.

Na verdade, Vandré havia chegado ao Brasil um mês antes, em julho de 1973. A sua permanência no país teria sido condicionada à entrevista ao JN, organizada por agentes do governo. "Nunca fui preso, torturado, essas coisas que dizem por aí", afirmou à revista VIP Exame em março de 1995. Essa é uma parte obscura da vida do cantor, que enfrentou crises de depressão. De todos os artistas daquela geração, foi o único a não se apresentar novamente em um palco brasileiro, embora continue a fazer música.

No início de agosto de 1982, por volta de 200 pessoas testemunharam a volta de Geraldo Vandré aos palcos. Foi em uma sala de cinema em Puerto Stroessner, na fronteira do Paraguai com o Brasil. Cantou do lado paraguaio. Defendia a anulação de todos os atos praticados com base no AI-5 — o que, na prática, significaria o retorno à Constituição de 1946. "Não houve aplausos nem gritos (na entrada de Vandré)", contou a repórter Ruth Bolognese, do Jornal do Brasil, em texto publicado dia 9 de agosto. Foram dez músicas, quase todas inéditas. "E falam em liberdade, soldados, homens fracos e fortes, homens aprendendo a ser gente."

Era o mesmo Vandré capaz de, numa noite qualquer de um sábado de 1985, pedir para esperarmos diante de um Pronto-Socorro municipal na zona norte de São Paulo, de onde ele sairia uma hora depois disposto a discutir os motivos pelos quais a cadeira de dentista é tida como um local de sofrimento. Ou capaz de ser preso em novembro de 1974, após se desentender com um taxista em Mogi das Cruzes, interior paulista, e terminar o dia jantando na casa do delegado.

"Assim como outros grandes, o tronco Vandré resultou em vários galhos relevantes", escreveu, em 1999, o jornalista Luís Nassif, citando Quinteto Violado — que em 1997 gravaria um CD só com músicas dele —, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai. Sábado, dia 17 setembro, talvez tenha sido realizada a única homenagem pública a Vandré: Jair Rodrigues, que imortalizou "Disparada", e o próprio Quinteto Violado se apresentaram em Brasília, justamente onde haveria o show em 1968, quando a carreira de Vandré foi interrompida. "Sinto falta dele", diz Jair.

Um homem que recusou delicadamente um pedido de entrevista, feito anos atrás, com a seguinte resposta, escrita à mão: "Trata-se de uma sociedade para a qual a BELEZA cumpre função secundária e dispensável. Aqueles que se ocupam da beleza têm, portanto, função secundária e dispensável". Mas ele termina a mensagem dizendo que "sem beleza não existe O HOMEM FELIZ". E assina: Vandré, com um PS datado de 14 de junho de 1995: "Cada vez mais distante".

Muitos o consideram louco. Certamente, ele não tem certas convenções sociais. Nassif chamou-o de "solitário e desconexo", "triste como a própria solidão na qual se meteu". Mas se Vandré sempre buscou a beleza, talvez seja um homem feliz.

Um PS. escrito em setembro de 2010: cinco anos depois do texto original, lido por tanta gente e que tanta emoção me causou, Vandré, agora com 75 anos, apareceu e deu entrevista. Na Paraíba, amigos e músicos o homenagearam com três dias de eventos. O homem e o artista estão vivos.

Matéria originalmente publica no site Digestivo Cultural - Geraldo Vandré, 70 anos, por Vitor Nuzzi

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domingo, 20 de maio de 2012

CULTURA BRASILEIRA É PRA QUEM TEM CORAGEM

Por Carlos Henrique Machado Freitas
Texto originalmente publicado no blog http://www.trezentos.blog.br/?p=7075

“Todo artista brasileiro que, no momento atual, fizer arte brasileira, é um ser eficiente com valor humano. O que fizer arte internacional ou estrangeira, se não for um gênio, é um inútil, um nulo. É uma reverendíssima besta.” (Mário de Andrade).

O critério estabelecido, melhor, conduzido pelo padrão do mercado necessitou fabricar, por meio de publicidade e de um patrulhamento regulado pelos interesses transnacionais, que os países deveriam obedecer à agenda de investimento das multinacionais como uma nova hierarquia estética. A partir daí a deformação empregada nas novas relações, a ideia de mercado internacional em relações pontuais criou em uma parcela ínfima da sociedade brasileira o reduzido pensamento de homem universal tal como o modelo da globalização tinha como padrão.

O abandono da própria imagem social por uma outra “redescoberta” fundada pelos interesses econômicos, a partir da metade do século passado, manteve implacáveis e radicais racionalidades exigindo uma flexibilização tropical para a adaptabilidade de uma nova ordem econômica nas relações empresariais da cultura. E é dessas combinações, segundo a fórmula sugerida pelo poder hegemônico global, que todo um processo cheio de circunstâncias fabricadas impôs uma constituição do espaço geográfico das instituições brasileiras. Isso, em certa medida, dificultou as relações interpessoais, dentro do Brasil, desestimulou a solidariedade social entre os indivíduos e a sociedade, e entre esta e o Estado.

Falida esta onda globalitária – conceito empregado por Milton Santos – este modelo não tem mais razão de ser. E é o próprio Milton Santos que nos dá uma ideia clara do que ele chama de “a centralidade periférica”.

“A ideia da irreversibilidade da globalização atual é aparentemente reforçada cada vez que constatamos a inter-relação atual entre cada país e o que chamamos de “mundo”, assim como a interdependência, hoje indiscutível, entre a história geral e as histórias particulares. Na verdade, isso também tem a ver com a ideia também estabelecida, de que a história seria sempre feita a partir dos países centrais, isto é, da Europa e dos Estados Unidos, aos quais, de modo geral, o presente estado de coisas interessa.” (Milton Santos).

O Brasil vive um momento histórico em que as liberdades aparecem em cada passo e compasso das manifestações da sociedade. Isso torna o Brasil uma nova fonte de riqueza aproveitando essas novas possibilidades para que um maior número de cidadãos discuta a sua realidade e assuma um quinhão de responsabilidade na execução de um novo país.

O governo tem cumprido uma agenda majoritária seguindo de forma considerável as próprias correntes populares, introduzindo um ritmo novo nas relações nacionais e internacionais, mantendo livres os movimentos da sociedade para que eles determinem como tornar cada ponto específico de suas escolhas em realidade na atual gestão do governo Dilma, assim como foi no governo Lula.

Há, no entanto, dentro do MinC, uma peculiaridade anti-nacional feita por uma falsa leitura de timbração europeia que importa conceitos de desnacionalização de nossa cultura para aplicar um vocabulário economicista sem condições de sair da própria vulgarização do termo, mercado cultural global.

Então, o Ministério da Cultura celebra um projeto hegemônico limitado à globalização cultural para tentar se constituir em uma nova promessa de reformulação da ordem mundial. Isso significa que, depois de oito anos de avanço do governo Lula, nós da cultura deixamos de discutir um elenco de políticas sociais para nos jogarmos aos níveis inferiores de uma governança global em que o fator nacional é deixado de lado para, num retrocesso retumbante, tentar jogar a sociedade numa visão de mundo, uma espécie de volta à velha noção do status quo.

O Ministério da Cultura tenta de forma impossível construir um discurso de liberação do artista brasileiro censurando toda a base intelectual e política embutida nos processos que orientam a nossa criação. Com isso, além de ampliar, via relações culturais, uma histórica dívida social marginalizando e renegando a função inserida na base da sociedade, o MinC tenta colocar a mesma a serviço de uma nova etapa de consumo ambicionado por um bloco mecânico que é difundido no mundo a partir de um cenário econômico que estabeleça um mercado via empresas e devolva a cultura à competitividade sempre buscando o mercado.

Ocorre que o Estado, assim como o atual mercado, não tem mais um estatuto político que imponha mais os elementos fundamentais de uma técnica hegemônica. A presença do cidadão a partir das novas tecnologias, criou novos movimentos sociais, novos símbolos de baixo para cima. Tudo isso somado, é produto da cultura popular e é ela a portadora de uma nova verdade da existência do homem no planeta e, portanto, a cada dia é revelado pelo próprio movimento uma nova forma de ação.

Mas parece que essa tendência crescente de aglomeração popular que, assim como no Brasil, está presente em variados pontos do planeta, não é identificada pelo Ministério da cultura. Talvez por comodidade ou por uma pretensão vinda de uma força anti-nacional que falsifica o sentido do Ministério da Cultura do Brasil.

É nítido que o Ministério da Cultura não tem coragem de ser brasileiro. Por isso busca e rebusca um discurso pitoresco em torno da pira econômica para tentar se fazer perceber diante da fraqueza crua da tônica da chamada indústria criativa. E o resultado não é outro, estamos diante de um ministério socialmente primitivo, economicamente perdido e conceitualmente falido.

Carlos Henrique Machado Freitas é músico, compositor e bandolinista. 

terça-feira, 15 de maio de 2012

RASCLAAT - AONDE O ELO ESTÁ PERDIDO?

Kool Herc, Coxsone Dodd e U Roy
RASCLAAT - AONDE O ELO ESTÁ PERDIDO?

Lendo a matéria no site da Trip publicado sobre as origens do Hip Hop e a Jamaica, existem diversas lacunas no texto que não fazem jus a história por completo. 

Existem inúmeros historiadores a respeito e muitos desses vivem no Brasil que podem explicar a origem do Hip Hop e as influências da jamaica, pessoas como King Nino Brown (fundador da Zulu Nation Brasil), Peter Muhamad (remanescente de um dos primeiros grupos de hip hop nacional a ter uma influência real no flow em suas letras que hoje vive em UK), e eu que pesquiso e agrupo material desde 1990 sobre a história do Hip Hop e o Reggae. Sem falar sobre grupos que palestram sobre essa influência como o Z'Africa Brasil.

Primeiramente a influência é inversa, é da música dos EUA sobre a música jamaicana e não da jamaicana na música dos EUA. Lost Poets já era um grupo formado e dentre seus integrantes estava Gil Scott Heron, o primeiro a literalmente declarar poesia sobre um ritmo, o originador do termo RAP (rythm and poetry) e não por influência dos toasters jamaicanos do principio como Count Machucki, King Stitt <<< estes foram da época que o Reggae nem mesmo existia e faziam apresentações com os sounds tocando Blues, R&B e Soul americano e principalmente as orquestras de jazz (maior influência para Skatalites - Don Drummond fez diversas versões para obras do maestro Peres Prado por exemplo) que foi de onde surgiram seus primeiros registros. 

U Roy e tantos outros que faziam na verdade o que é chamado de "caco" (ou peps que seja) - era o que James Brown fazia também em diversas de suas músicas, colocando gritos e frases curtas nos espaços que cabiam fazer dentro da música. Nos primórdios o deejay jamaicano falava sobre os discos sem as partes melódicos dos vocais e dizia o nome da música, do seletor (dono do sound) e do próprio sound mas não era uma letra ou poesia em si, eram freestyles. O papel do deejay mudou consideralvelmente a partir dos 70 (U Roy gravou Version Galore em 1970) e vieram a fazer músicas por completo nas versões dub ou takes gravados inteiros para eles e a partir daí surgiram Dennis Alcapone, I Roy, afilhados como Dillinger, Trinity, Ranking Joe e por ae vai e esses vieram a ser considerados os primeiros mc's jamaicanos. Mas até ai já existia Lost Poets.

Em 1971 Aretha Franklin gravou a música "Rock Steady" literalmente um dos primeiros discos a ser chamado de break beat e foi acompanhada por um grupo de dançarinos que depois iriam formar o Rock Steady Crew, a semelhança entre a música chamada Rock Steady e uma das vertentes do reggae chamada de Rock Steady não é mera coincidência, Lee Perry já produzia funk com os Upsetters nessa mesma linha e na mesma época junto com diversos outros músicos.

A partir dos anos 70 os sistemas de som já ocupavam o Bronx em NY com as Black Panthers Party's que eram praticamente idênticas aos sistemas de som (sistemas de som esses que era usados para fazer manifestações e palestras) e junto a um grupo chamado The Black Messenger numa mesma linha dos Lost Poets de Gil Scott Heron. Em 1969 Kool Herc faz seu primeiro sound, ele se mudou para NY em 1967 e nasceu em 1955 - senão ele teria fundado o Hip Hop com 14 anos de idade. As primeiras festas vieram Coke La Rock (existem rumores que era jamaicano), e depois com Afrika Bambaat e Grandmaster Flash (que nasceu nas Bahamas) fundou o maior alicerce do Hip Hop que é a Zulu Nation em 1973 com princípios e pilares não só para a música, mas para toda uma comunidade e não se resumem em apenas 4 (rap, dj, break e graffiti). Em 1974 Lovebug Starsky criou o termo Hip Hop, ambos celebrados no dia 12 de Novembro de cada ano respectivamente.

Lloyd Barnes nunca foi um ícone ou menestrel do Hip Hop até porque não influenciou o Hip Hop em si, ele produzia reggae e o selo Wackies sempre foi um sêlo de Reggae, lançando pouquíssimo material que pudesse se tocar em festas de Hip Hop, dos poucos pode-se dizer (talvez) que o Hip Hop de Kool Herc e o ritmo (influenciado por Gil Scott Heron de Lost Poets) tenha influenciado na produção de Wack Rap que divide junto com Rappers Delight do Sugarhill Gang, King Tim III (Personality Jock) produzido pela Fat Back Band (que é duvidoso também por não ser um grupo de Hip Hop), enfim todos foram lançados no mesmo ano e mesmo assim já existiam as mixtapes (fitas k7) gravadas ao vivo nas festas e em casa pelos mc's que já circulavam em NY, do Bronx ao Brooklyn. Dos primeiros a fazer essas fitinhas estão Dj Disco Wiz de Porto Rico que já usava diversos sons e efeitos e o primeiro produtor de um dubplate de Hip Hop já em 1977.

A produção do Wackies pode ser considerada mais um flerte com o Rap do que um ícone no Hip Hop por assim dizer. Nada tira seu valor, por ter sido produzido realmente por "born jamericans". Alguns dos deejays do selo Wackies eram remanescentes da ilha e posteriormente vieram a ser chamados como Jah Batta e Skatee que lançaram Style e Fashion isso já em 1988 que pegou um pouco da influência de Kool Herc (não o contrário novamente). Se Lloyd Barnes tivesse lançado algo mais nessa linha, poderia dizer que realmente foi ícone nos primórdios dos registros de Hip Hop, até então, não é. 

Lloyd Barnes foi uma influência na verdade na forma de gravar e utilizar um instrumental (chamado de versão no lado b dos singles e a partir do final dos 70 na jamaica chamado de Riddim). O Hip Hop veio a aprimorar esse formato de gravação rebatizando o uso de músicas de outros para fazer uma própria como sampler. Alguns dos maiores ícones descendentes diretos das ilhas do caribe são Kid Creole, Kangol Kid, Tito, Special Ed, Star (of The Star And Bucwild Show), Jazzy Joyce, Big Pun, Mad Lion, Trugoy (of De La Soul), Crazy Legs, Mr. Wiggles, Karl Kani, Mello Man Ace, Shakim Compere, Herbie “Love Bug” Azor e muitos outros. Esses caras não cresceram ouvindo o Gospel da Motown, suas raizes são realmente do Salsa, Meringue, Compas, Calypso, Reggae que posteriormente vieram a agregar no Hip Hop já nos 80 - esses sim, diferente de Lloyd Burnes foram caribenhos que agregaram no Hip Hop abraçando o movimento e a cultura. 

Existe um termo muito utilizado no Hip Hop que é o Cypher, observar todas as coisas num ângulo de 360 graus. Se a maior influência dos seletores/produtores e deejays da jamaica nos anos 40, 50 e 60 foi a música produzida nos EUA agregada a diversas orquestras em todo o Caribe, obviamente os interessados (e possibilitados) fariam a migração para ter mais acesso a cultura e a música produzida, e obviamente levariam a sua própria cultura que influenciaria toda uma geração a partir dos anos 70 e criariam raízes a partir daí. 

Já no final dos anos 70 e início anos 80 essa troca continuaria com a produção do dancehall e a influência novamente do contexto da música produzida nos EUA e por remanescentes do Hip Hop no reggae jamaicano. Diversas produções que já não mais seriam feitas com bandas, mas sim com programações a partir de baterias eletronicas e samplers (ai sim entra o sleng teng). KRS One (Boogie Down Productions) talvez seja o que mais deu vazão e exposição a esses descendentes jamaicanos e caribenhos apresentando Jamalski, o próprio Mad Lion e Born Jamericans (que já vieram para o Brasil) e participaram constantemente das produções, shows e eventos da Boogie Down Productions.

Por uma das frases iniciais do texto "A influência caribenha no hip hop é sempre mal explicada e até agora não há nenhum material que faça essa ponte de um jeito convincente. Novamente, até agora." <<< Digo que para fazer essa ponte existe a Zulu Nation, e a forma ideal de saber essa história é realmetne ler e saber direto da fonte por quem está vivo e consegue contar a História toda de forma adequada. Deixo o link do site da Zulu Nation que volto a dizer, deve ser a primeira fonte do que se deve ser lido para se escrever sobre o Hip Hop, sua origem e a influência da Jamaica e na Jamaica >>> www.zulunation.com

Isso é uma parte, a História por completo vai ser contada pelo Afrika Bambaata, Kool Herc e Grandmaster Flash quando resolverem fazer um livro inteiro sobre.

terça-feira, 8 de maio de 2012

FYASHOP :: NOVOS TÍTULOS | ITENS DE VOLTA AO ESTOQUE



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segunda-feira, 7 de maio de 2012

PODCAST FYADUB #22 FEAT. MONKEY JHAYAM


Salve JAH, nesse programa RAS Wellington e Zulusouljah são acompanhados pelo nosso convidado Monkey Jhayam, diretamente da Zona Leste de São Paulo ele é atualmente um dos nossos melhores mc's e está na linha de frente no ativismo musical com diversos sound system's, dj's e produtores daqui do Brasil e do mundão afora. Enjoy!!!!

Visite o fyadub; http://www.fyadub.com
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sexta-feira, 4 de maio de 2012

ADAM YAUCH AKA MCA (BEASTIE BOYS) - RIP

Adam Yauch aka MCA, um terço do grupo pioneiro de Hip Hop Beastie Boys, faleceu hoje com 48 anos de idade. Adam estava tratando um câncer desde 2009. O mc foi diagnosticado em 2009 após descobrir um tumor em sua glândula salivar. 

Yauch ficou de fora da premiação dos Beastie Boys no Rock And Roll Hall Of Fame em abril, seu tratamento também atrasou o lançamento do album mais recente do grupo "Comité Hot Sauce, Pt. 2". Os Beastie Boys não tocam ao vivo desde 2009 e o tratamento de Yauch fizeram com que o grupo não aparecesse nos clips do novo disco. 

Yauch, é co fundador dos Beastie Boys cm Mike "Mike D" Diamond e Adam "Ad-Rock" Horowitz em 1979. A banda que começou como um grupo de punk rock hardcore e logo começou a experimentar com o Hip Hop. A banda fez um dos melhores discos de Hip Hop com Licensed To Ill em 1986, e mais vários grandiosos como Paul's Boutique, Check Your Head e Ill Communication sem perder em nenhum momento a qualidade e a criatividade. 

Além de sua carreira com os Beastie Boys, Yauch foi fortemente envolvido no movimento de liberação do Tibet e co-organizou os festivais Tibetan Freedom no final dos anos 90. 


Abaixo um dos melhores shows do Beastie Boys no final dos anos 90 em Glasgow com MCA, Mike D, Ad-Rock e Mister Master Mike nos toca discos... enjoy!

08/05/2012 - MOTIRÔ EM MOVIMENTO


Dia 08/05/2012 vamos estar reunidos com o Coletivo NASA na festa Motirô Em Movimento que está literalmente movimentando culturalmente as terças em Santo André. O evento reúne música, arte, interação, debates, enfim... tudo o que a gente precisa. A entrada é gratuita e eu somente recomendo levar um ou mais amigos.

Dança as 20h com Folia Urbana

Musical:

-Fyadub convida Monkey Jhayam, Igor Rolim e Afreekadu I

-Mc Stefanie

-BaBoom

Discotecagem:
- RAS Wellington

Live Paint
- TKS
- Jeff
- Jonas
- Derico
(Sorteio das Telas)


Mestre de Cerimonias
Bruno Cabrero

BAZART, CINEDOC, EMPRÉSTIMO DE LIVROS E VINIS
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