FYASHOP - BLACK NOVEMBER (((ATÉ R$ 200,00 DE DESCONTO)))

FYASHOP - BLACK NOVEMBER (((ATÉ R$ 200,00 DE DESCONTO)))
Descontos progressivos na loja de até R$ 200,00.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

A CONTROVÉRSIA DO FYA BURN

A CONTROVÉRSIA DO FYA BURN: 
O Uso do Fogo em uma Cultura de Amor e Rebelião
Por Gregory Stephens
Traduzido e Adaptado por RAS Wellington

"Fire is for the purificaton"
[Fogo é para a purificação]

Capleton, "More Fire"
"No water can put out this fire"
[Nem a água consegue apagar esse fogo]

Bob Marley, "Ride Natty Ride"
"God gave Noah the rainbow sign:
o more water, the fire next time."
[Deus deu a Noé o arco íris como sinal;
Não a água, o próximo tempo é o fogo]

Canção folclórica Afro-Americana
"The roof, the roof, the roof is on fire,
We don’t want no water, let the m.....f..... burn!"
[O teto, o teto, o teto está em chamas,
nós não queremos água, deixe esse f...d...p... queimar]

Parece que chegou a isso: O Fogo Vai Queimar de verdade agora. Alguns jovens dessa geração nutrida pelo dancehall na forma do modismo do “taca fogo” dividiram a linha entre a retórica e a realidade. Alguns zealots começaram queimando igrejas. Os incendiários verbais estão prensando e vendendo discos pedindo pela execução de todos os homossexuais. Bun Dem [Queimem Eles]! E pessoas em lugares privilegiados ou não começaram a se perguntar; aonde isso vai acabar?

DJ RJ e eu gravamos um documentário especial a respeito da controvérsia do “Fya Burn”[Taca Fogo] intitulada “Love and Rebellion:Fya Fi Purification”[Amor e Rebelião: Fogo para Purificação]. É uma parte companheira deste texto. Leitores podem ouvir a sessão de Daniel Frankston’s no site IReggae.com, no link http://www.ireggae.com/djrj&mc.htm. Em uma audição abrangente de “fire burn tunes”, desde os idos roots de 1970 até o dancehall do século XXI, a sessão contém comentários de vários artistas jamaicanos falando sobre o uso do fogo para a destruição e para a purificação.

A “grande controvérsia” sobre as letras Fire Burn[Taca Fogo] esteve crescendo durante vários anos. No verão de 2000 consegui arquivar uma massa critica, e notei em um comentário nas sincronizes entre este sinal e outros impetuosos sinais dos tempos no site RootzReggae. Mas no Ano Novo de 2001, o “oficial” inicio do novo milenium, a controvérsia rapidamente escalou, dando provas que um fusível tinha sido iluminado e que estava queimando bem distante dos dancehalls jamaicanos.

Algumas horas antes do DJ RJ e eu gravarmos nosso “Fire Burn Special” em Austin, Texas em 02 de Janeiro de 2001, um Rasta de 20 anos chamado Kim John e um outro cúmplice começaram o ano novo entrando em uma catedral na ilha Santa Lucia no Caribe, e colocaram a filosofia do Fya Burn [TACA FOGO] em pratica. De acordo com o repórter Mark Fineman do Los Angeles Times: “Chegando em roupões e armados com pontaletes, tochas acesas e galões de gasolina, os atacantes entraram pelo corredor, e aleatoriamente incendiaram uma dúzia de imagens. Um dos ataques ateou fogo no padre e no altar. Outro ataque causou a morte da irmã Theresa Egan, uma irlandesa que trabalhou na ilha por 42 anos, porque ‘ele viu o demônio’ nos olhos azuis dela.”

De acordo com a investigação da policia, John teve uma visão em que Haile Selassie anunciou ele como “escolhido” e o comandou ele para livrar seu povo do Sistema Babilônico. E a igreja católica – 80% da população da ilha de Santa Lucia são membros da igreja católica – e obviamente o principal símbolo da Babilônia para muitos rastas, especialmente para os Boboshantis, que clamam que o fogo queime o Papa e o Vaticano com uma ferocidade que aumenta nesses últimos anos.

Algumas pessoas entenderam esse incidente como uma ação representada pelos “reais” Rastas. Outros perguntaram, juntamente com o Primeiro Ministro Kenny Anthony de Santa Lucia: “A questão é, se a igreja é a primeira vitima, quem será a próxima?”

A Obsessão contra o Battyman (Homossexuais)

O battyman seria uma boa batalha. Os battyman, isto é homossexuais, tem sido o principal ponto para se lançar mais fogo do que qualquer outro grupo ou instituição. Tendência esta que tem ficado cada vez mais feia. Um das canções no especial “Love and Rebellion” com Beenie Man, chamada “Damn”, em suas primeiras palavras ele diz: "I’m dreaming of a new Jamaica, come to execute all the gays [Eu estou sonhando com uma nova Jamaica, vindo para executar todos os gays]”.

Vem outra vez?

Há muitos Djs e ouvintes que compartilham essa virulenta homofobia, é claro. Outros estão apenas interessados na vibração passada pela música, nas batidas, e não questionam a mensagem. Outros mantêm sua escolha de ver com outros olhos, mesmo que descordem. Especialmente para os estrangeiros (é como os jamaicanos chamam o mundo fora de sua ilha), muitos querem provar que eles caíram. Criticando o fogo contra os battymans nas musicas é uma prova de que estão amolecendo, ou foram corrompidos pela Babilônia. Na Jamaica, é visivelmente impossível criticar tais letras devido à cultura, sem acusações frontais evitando o conflito face a face (tal como intelectuais, etc.) ou gays. Beenie Man passou por isso há alguns anos atrás. Clamando pela execução dos gays pode ser apenas uma forma que Beenie Man, o sempre camaleão, buscou para restabelecer sua credibilidade, após produzir algumas músicas (como “Better Learn”) uma mentalidade que criticava e mandava “taca fogo nos estranhos”.

Mas a cultura está mudando, em partes devido o ponto inicial do reggae e dos artistas não estar mais evidentemente localizada na Jamaica. A Jamaica se espalhou para o mundo em varias comunidades como Miami, Toronto, Londres, e Nova Iorque. E os que não são jamaicanos, especialmente europeus e americanos, fazem um papel cada vez mais importante na produção, promoção, distribuição e consumo da música. O ouvinte da música está mudando, e ai está uma evolução da conscientização do público com a cultura. Por exemplo, meu Idren [irmão] DJ RJ um texano que por muitos anos compartilhou essa homofobia que se espalhou pelo centro americano. Contudo os valores espirituais e filosofia de direitos iguais do reggae rastafari tiveram um poder de transformação em sua vida, levando ele a explorar outras espiritualidades e filosofias políticas. Então quando nós fizemos o “Love and Rebellion” especial, RJ sentiu que nesse tempo é correto “chamar Beenie Man para a realidade”. “Eu não acho que essa música seja de amor e retidão”, RJ falando sobre o modismo de mandar fogo nos battymans.

As letras sobre matar os battymans é claro não é novidade na cultura jamaicana. Buju Banton causou um furor internacional em 1992 com seu hit “Boom Bye Bye” (in a battyboy’s head [na cabeça do battyboy]). Você pode ter uma noção de como a raiz é profunda com o tema anti-gay na Jamaica, a cultura que é observada por Isaac Julien no filme “A Darker Shake of Black”, filme que trata das criticas dos estrangeiros contra Buju. Eu penso o que mudou na maioria é o crescimento da consciência entre promotores de longa data no reggae que no está é nossa cultura também. Se for uma cultura que vivemos, em toda parte, então devemos ter um discernimento e pensar de forma a criticar as formas de mensagem que passamos para nosso publico; para a próxima geração.

Está chegando um tempo em que a intolerância se tornara intolerável. Conseguiremos tolerar o intolerante? Talvez, mas cada vez mais, muitos de nós nos sintamos impossibilitados de resistir à intolerância, não a condenando, mas trazendo alternativas. Isto quer dizer que não podemos por nossas cabeças na areia. Nós devemos ter uma visão cristalina a respeito da fonte da intolerância na cultura que amamos, isto para muitos de nós se tornou como um lar.

Há uma enorme abertura dentre o público do dancehall, o Yard (como o jamaicano chama a sua ilha nativa), e o publico internacional que consome reggae, que está dominada pelos fans do “roots n culture” (raiz e cultura). O publico assíduo que é denominado como homofobico e militante, tem orgulho disso. Eu raciocinei com artistas jamaicanos que realizaram e expuseram com sua voz esses sentimentos em turnês na Europa ou nos Estados Unidos. Mas isso não muda a forma que eles pensam, ou em mais ao ponto, o caminho que eles tocam e produzem as músicas para a demanda do fogo-battyman na Jamaica.

“Um virulento vírus anti-gay infectou a Jamaica, um amor demasiado pela doença para qualquer um erradicado facilmente”, escreveu Stephen Foehr em seu novo livro, Jamaican Warriors. Isto é uma verdade, um doença muito amada. Uma das suspeitas é que a elite na Jamaica ou fans estrangeiros tentam excluir o ácido rootsman que persegue o battyman, mais e mais lugares intensificam essa guerra retórica contra o battyman. Sobretudo, porque eles sabem que a uma grande audiência para esse tipo de mensagem.

Neste caso; em março de 2001, uma canção mandando fogo nos battymans produzida pelo quarteto TOK, chamada “Chi Chi Man”, canção que alcançou a posição número 1 do dancehall em Kingston, Miami, e Nova Iorque. Como Beenie Man e sua música “Damn”, esta carta magma não é sobre a intolerância contra os gays, e sim invoca a sua erradicação. A canção se tornou rapidamente popular, e foi usada recentemente em campanhas políticas na Jamaica. Mas ninguém conseguiu culpar esse fenômeno nas ilhas, TOK esteve em turnê nos Estados Unidos, e algumas das mais entusiásticas platéias foram em lugares como Nova Iorque e Miami, onde o cruzamento entre o dancehall e o hip hop, em sua essência de estilo musical, onde compartilham estilos e pontos de vista (incluindo a divergência contra os gays) está incrivelmente evidente.

Muitos artistas e consumidores do dancehall e rap dividem uma tendência de posar como revolucionários e críticos do mainstream, e se nivelam nos excessos do materialismo no mainstream. E em ambos os lados, encontramos ambos artistas e fans que se enamoraram pelo gangsterismo, e o bad boy bidness (dinheiro e negócios), o estilo de vida rude boy, como ficamos conhecendo na juventude de Bob Marley. A linha entre a retórica e a vida real no gangsterismo é difícil de extrair. Muitos artistas que negam que suas palavras tem influência, admitiram que essa imagem causa um grande beneficio, em ambos os termos, na credibilidade artística e no que isso oferece em termos de vendas, para ter um respaldo na bandidagem da vida real. Devido a essa imagem, Tupac Shakur se tornou postumamente uma combinação de revolucionário/messias negro, ele teve tremendamente um perfil de ícone tendo alto status após sua violenta morte, mas por intenção e solicitação de suas glorias na bandidagem.

A uma similaridade dinâmica entre o trabalho do dancehall jamaicano, junto com o contexto social que valorize as lendas emotivas decorrentes pelos artistas ligados ao fogo. Existem documentos e queixas de igrejas que foram queimadas na Jamaica, e jovens pondo fogo nas roupas uns nos outros em shows. Uma mãe informou que ao acordar encontrou sua casa pegando fogo, e sua filha cantando as letras de Capleton “More Fire”. Concertos públicos com a influencia incendiaria dos firemans[homens do fogo] do dancehall alcançou um nível tão elevado que P.J. Patterson, o Primeiro Ministro da Jamaica negro, criticou publicamente a mania e idolatria pelo fogo, e encontrou-se com Capleton para encorajá-lo (em vão) para diminuir a sua rotina levada pelo fogo.

Você também Garnett? O que vai, volta!!!!

Em meados de 2001, o selo Greensleeves lançou um disco single 12” de uma gravação o póstumo Garnett Silk, “What Do You Say?[O Que Você Disse?]”. A letra causou ondas de choque em algumas partes da comunidade internacional do reggae, depois do acontecido e sabendo a respeito das novas vindas a respeito do assassinato em Santa Lucia, e outras reportagens a respeito dos adeptos ao fya burn. O gancho de Garnett na música era repetido varias e varias vezes, era:

“You don’t love Haile Selassie?
Fire Gonna burn You and Your Family”
[Você não ama Haile Selassie]?
[O fogo vai queimar você e sua família]

As letras causaram certo furor entre alguns fans americanos, que para mim deu a impressão de ter sido fora das proporções com as letras, mas que foi bastante inofensivo, pelo estandarte jamaicano. Eu discuti sobre isso com meu Idren Scottie McDonald, que promoveu um show de reggae no KTRU em Houston. Ele teve a sensação de ter sido traído, como se essa música tivesse destruído ou manchado todo o restante do trabalho de Garnett. Minha caixa de e mail lotou de mensagens similares de outras pessoas no reggae, que estão conectadas pelas comunidades eletrônicas. Claramente a reação a Garnett pelo uso do fogo em suas letras se direcionou pelo contraste da reputação internacional de Garnett, qual era tido como um Profeta Rasta.

Para os fans do reggae roots, aqui se oferece um sobre tom com aspirações messiânicas nos sentimentos expressados por artistas como Garnett. Como Tupac, Garnett se tornou um ícone por ter morrido jovem. O critério, o misticismo social, esses profetas e revolucionários morrem cedo, e morrer cedo se torna uma prova de um status profético ou revolucionário. Mas Tupac traçou em sua “vida de bandidagem” uma reputação que postumamente traria uma reputação de um revolucionário [contra o sistema da supremacia branca e/ ou capitalismo, reinvidicando explicitamente ou implicitamente], Garnett em vida se cobriu pelo manto da espiritualidade profética. Isso se ampliou em sua pós-morte, com sobreposições messiânicas. 

Que choque então, para alguns crentes da verdade, quando recentemente uma figura mais completa emergiu de Garnett Silk como um artista de dancehall. Na matéria Garnett Silk Meets the Conquering Lion, fiz o contraste dentre a cena e algumas comparações, com Garnett emergindo como “Novo Messias do Reggae”, e suas letras atuais em alguns dubplates, muitos deles são tidos como “sound boy murders” (matadores de sound boys), com Garnett cantando “matem” os sounds rivais.

Isto poderia ser “perdoado”, devido esses dubplates terem sido prensados quando Garnett ainda era um jovem artista, emergindo do dancehall. Em contraste, “What Do You Say” se supõe que tenha sido uma das ultimas músicas de Garnett. Para alguns que o vêem como um profeta de paz e retidão, essa parece trabalhou de encontro contra tudo que ele ergueu. A uma estranha ironia soando em sua letra como um boomerang que vai e vem: Garnet e sua mãe morreram queimados em sua casa em chamas. Eu hesitei em colocar a verdadeira moral da historia, mas merece ser falado; Viva pelo fogo, e pelo fogo você vai morrer. “Fire Gonna Burn You and Your Family” (O Fogo vai queimar você e sua família).

Mas eu penso que há outra moral aqui. A extensão que um “profeta” como Garnett Silk desejou, foi enraizada no dancehall pela mentalidade do “fya burn”, deve ser um toque para despertar todos os fans de reggae internacional. Demasiadamente, alguns se fecharam primeiramente para uma “versão de exportação” do reggae, e perderam de vista, o lugar e a cultura de onde essa música surgiu. Felizmente, o interesse no dancehall e na Cultura Jamaicana tem aumentado. Inúmeros livros sobre esse frisson tem sido publicados nos últimos dois anos. Um dos melhores é o Wake The Town and Tell The People de Norman Stolzoff’s. O livro de Stolzoff’s é persuasivo, estudado historicamente e aprofundado na Cultura do Dancehall Jamaicano. E ajuda os fans do reggae (e críticos) com argumentos, e o uso retórico dos fenômenos do Fiya Bun e dos Sound Boy Killings (matadores de soundboys). Um profunda compreensão dessa cultura, penso eu, devera nos dar uma grande apreciação pela evolução de artistas como Garnett Silk, a distancia que ele percorreu para compor canções visionarias como “The Rod”.

Ainda, não quero fazer baixar um espírito de intolerância que tomou conta de muitos. Jovens andam mandando fogo sem muita distinção; queimando Jesus e a Bíblia, mesmo sabendo que Selassie era um Cristão devoto (ouça Morgan Heritage falando sobre isso em “Dem a Bawl”); de acordo com Jabulani Tafari, queimar Marcus Garvey é queimar também aqueles que mandam fogo, como Capleton.

Esse não é um problema que esta confinado apenas ao dancehall, mas é parte de uma tendência muito abrangente, o que Deborah Tannen chamou de The Argument Culture [O Argumento da Cultura]. Tentando destruir o que não concordamos, ou aqueles que são meramente diferentes, então veio um caminho de vida. Isso é parte do Sistema Babilônico que alguns vêem na TV, nas ruas, todos os dias da semana: guerras tribais, EUA vs Eles, sendo passado varias e varias vezes, um ciclo de violência, ambos líricos e literais. Isto é um fenômeno que nos desafia a não apenas condenar, mas a criar outras alternativas mais atrativas.

Nesse contexto, eu vejo algumas coisas positivas vindo fora da Controvérsia do Fire Burn: um novo senso de comunidade esta emergindo entre os que produzem, promovem, e consomem o reggae e o dancehall. Pessoas na comunidade estão fazendo algo necessário na busca espiritual sobre o estado cultural, e sobre o lugar onde ele está. Eu penso que essa atenção está emergindo enquanto esta musica providencia fórum para discussão de importantes pontos que vão muito além da música. Então os críticos da mentalidade do fogo, não o fazem conscientemente, mas apenas uma auto critica, e criticam o mundo em que nos vivemos. Em um e mail para o meu Idren DJ RJ, Marlon Regis, autor do livro The Beat chamado “Musical Murder”, escreveu: “A sociedade não é uma reflexão da música, existe outro caminho a não ser esse. Os riddims podem ser nervosos, o flow rítmico, mas a mensagem está ESTAGNADA, não mencionando DEGRADATIVA. A reflexão dessa SOCIEDADE PRECISA DE UMA MUDANÇA.”

Como Cocoa Tea canta em “Blood a Run”, uma musica criticando as conseqüências sociais de uma mentalidade sem conhecimento do Fire Burn; “We need a change attitude. [ Precisamos de uma mudança de atitude].” 

AS RAIZES DO FIRE BURN: NEM A ÁGUA CONSEGUE APAGAR ESSE FOGO

Uma das maravilhas de participar do “bass culture” a tempos é ter o que um contexto histórico provem, um sentido de continuidade com tradição e uma continuidade com uma raiz profunda. O dancehall é o gramado de um modismo-consciente, e por ser continuao recicla riddims e letras do passado. Scractch e você, descobre uma perspectiva histórica da coqueluche do presente. 

No ano passado, eu perguntei aos meus amigos “roots-n-culture”, “existe um lugar de fogo em Zion?”. Quase que inevitavelmente, ele disseram não. Eles entendem que a essência da mensagem do reggae feito pelo rasta é a unicidade do amor e retidão. Ainda a noção do “fya bun” está longe de ter um lugar central na imaginação de alguns artistas do reggae. O fogo ilumina a visão desses artistas que cantam para um Zion que estamos marchando. As torres mais atrativas do mundo erguido de nosso Exodus da Babilônia. Se o fogo não tem lugar em Zion, eles estão dispostos a por Bob Marley para fora dos portões de Zion?

Eu penso em muitos exemplos desse ultraje, da violência lírica, do fogo, ao contradizer as canções de Marley. Em "Talkin’ Blues, ele professou: "I feel like bombing a church, now that I know the preacher is lying [Eu sinto como bombardeasse uma igreja, agora eu sei que o padre é um mentiroso]." O primeiro álbum dos The Wailers lançado pelo selo Island foi chamado Catch a Fire, titulo pego do refrão de “Slave Driver”, em sumo, a vingança pelo fogo é clara.

“Slave Driver, the tables are turning
Catch a Fire, you’re gonna get burned”
[Capitão do Mato, as mesas estão virando
Pega Fogo, você vai se queimar]

O segundo álbum dos Wailers Burnin com a música “Burning and Looting”. Marley ainda era um mestre das letras e do discurso em diferentes níveis, combinando noções de revolução física e evolução espiritual. Sua própria interpretação da música, fez com que jovens a cantassem durante manifestações em Los Angeles, gangues até saquearam algumas lojas, e Marley interferiu: “Não se trata literalmente de por fogo abaixo na cidade, trata-se de queimar certas ilusões em sua mente para que se viva em harmonia”. Marley claramente compreendeu que há o uso construtivo e destrutivo do fogo. Embora ele alertou sobre a destruição, ele clamou por uma reconstrução. Essa mente reconstrutiva é clara no remix de “Burning And Lootin” no disco Chant Down Babylon, quando se ouve os sons de sirenes, Bob entoa "stop them” [parem eles], e "it’s not the music of the ghetto” [ não é a música do gueto ]. I.E., o uso destrutivo do fogo, pode não ser de uma música que vem do gueto. Devemos impedi-los de destruir a si mesmos. 

Marley pensou a respeito do fogo de varias maneiras, mas se expressou de forma memorável em “Ride Natty Ride”. Ele contou uma parábola de um líder tentando discursar em uma praia, mas um dread o interrompe dizendo: "fire is burning, man pull your own weight” [o fogo esta queimando, homem empurre seu próprio fardo]. Ele claramente da voz a inestimáveis recursos e noções do uso do fogo.

“there is something that they can never take away,
and that’s the fire, burning down everything…
No Water can put out this fire.”
[aqui está uma coisa que nunca irão conseguir tirar,
e é este fogo, queimara tudo abaixo
nem água conseguira apagar este fogo]

Aqui a concepção de fogo de Marley combina com um fogo revolucionário, que manda fogo em um mundo corrupto, mas também fala de um fogo intimo, sobre a passionalidade da justiça, o fogo de uma visão espiritual que ilumina o nosso passado.

Isto é uma visão bíblica do fogo. Que foi transmitida por vários artistas contemporâneos que usam Marley como um ponto de referencia espiritual, e há uma potencialidade forte par uma reconstrução. Como exemplo, o verso de Marley "no water can put out this fire" [nem a água consegue apagar este fogo], foi repetida por Jah Mali em “No Water” e por Morgan Heritage em “don’t Haffi Dread”. Mas há tempos em que o velho deve ser destruído para fazer um caminho para o novo. Este é o contexto de Márcia Griffits na sua versão da música de Bob Andy “Fire Burning” e a “Fire (Is The Desire)” de Justin Hinds e The Dominoes. O fogo do “progresso” da incontrolável evolução e ganância humana, queimando fora de controle. O povo aguarda por mudanças. O tempo do dread é agora, e quando a mesa virar "the haves will want to be in the shoes of the have nots. [eles vão querer estar onde eles não poderão estar].

Capleton foi fortemente criticado por suas letras inspiradas pelo fogo. Mas sua defesa da importância do fogo é persuasiva. Capleton insiste que ele não encoraja ninguém a incendiar sua próprias roupas, ou incendiar uma igreja. Ele enfatiza, como Marley, que “não é um fogo literal, é um fogo espiritual, o fog é sobre vivencia”. O fogo é um recurso para purificação, Capleton diz repetidamente: “A água limpa, mas continua o fogo queimando a água para purifica-la. A erva é a cura de uma nação, mas o fogo precisa queimar a erva para que a erva consiga curar. O fog é a fonte principal de uma vida universal. Fogo faz tudo se mover, e onde não há vida não há fogo.”

Como muitos artistas rastas, Capleton usa o exemplo bíblico de Sadraque, Mesaque e Abedi-Nego, que em Daniel cap. 3 andaram dentro de uma fornalha de fogo sem se queimar. Nesse sentido, fogo é uma força para testar nossa fé, e se nossa fé for forte o suficiente, não apenas sobreviveremos em momentos de crise, mas também emergiremos mais fortes.

Por acaso esse pode ser o melhor caminho para chegarmos a outros aspectos problemáticos da controvérsia a respeito do fogo, o que é a filosofia da supremacia negra dos Bobos, e a condescendência de alguns artistas de queimar as pessoas brancas, ou Europeus, contida em algumas ramificações do Rastafari, que continuam a ver um inimigo que deve ser expelido, junto com o battyman e o vaticano.

ESTA É MINHA CULTURA TAMBÉM: EUROPEUS ESTÃO NA ÁREA 

Uma das primeiras nascentes da energia criativa da “Renascença Rasta” em meados da década de 90 foi à emergência de um grupo com um fôlego de fogo autodenominado BoboShanti, artistas como Sizzla, Anthony B e Capleton. ("The Bobo Dread" por Barry Chevannes) Se as principais vozes do inicio dos anos 90 faziam um reggae consciente onde artistas como Luciano e Garnett Silk trabalhavam com o “One Love” Rasta, os Bobos partiram para uma vibração diferente. Em contraste dando ênfase na unicidade e espiritualidade crescente no ramo Rasta 12 Tribos de Israel, os Bobos advogavam a filosofia da Supremacia Negra. Eles semeavam um interesse maior na condenação dos inimigos, do que na unificação dos aliados. 

Sizzla ganhou rapidamente a reputação de “jovem raivoso” dos Bobo Dreads. Sua paixão e seu indubitável talento energizava muitos dos ouvintes do reggae no mundo todo, deste modo se oferecia mais proximidade a raiva de Sizzla de que a “I-nity” de Luciano. Mas o afrocentrismo de Sizzla tinha um lado Sombrio; “povo branco”.

No Sunfest de 1998, de acordo com uma repórter da revista “Reggae Núcleos Magazine” por Rudegal. Sizzla entrou num alvoroço após cantar “Near a Far”. Ele disse: “Vêem todo o povo branco na Jamaica? Eles não pertencem aqui. Vão embora! Fogo no povo branco, na Jamaica! Fogo em todos no bastidores. Fogo em todos lá fora. Fogo neles. Fogo neles!”

O incidente inspirou uma intensa discussão em listas da Internet (gravadoras, músicos, reggae) por meses após o fato, alguns dj’s disseram que eles não tocariam mais Sizzla, e alguns de fato nunca o perdoaram. Num balanço, que seja, esta atitude pareceu não afetar muito a reputação de Sizzla. Uma repórter perguntou a Sizzla como ele pensa que tocou os europeus após as reações de seu fogo afrocentrico. 

“Não sinta medo do fogo”. Ele respondeu.

Me lembro da segunda visita que fiz a Jamaica em 1998 com minha noiva, uma afroamericana com dreads. Nós experimentamos uma inexorael hostilidade dos locais de Montego Bay. Dentre todas as coisas estampadas, eles me disseram coisas como: “vá para casa garoto branco, você não tem cultura”. Eu comprei “Death Before Dishonor” de Dennis Brown, que expressava o mesmo sentimento;

“Go Away and stay away, [“Vá embora e fique longe,]
you ain’t got no culture; [você não tem cultura;]
go away and stay away, [vá embora e fique longe,]
you’re acting like vulture.” [você age como um vulto.“]

Nosso anfitrião foi um Rasta que criava porcos em uma fazendo que ficava longe das montanhas rochosas vivendo junto a sua esposa Australiana. Ele nos pegou no aeroporto e nos perguntou como estávamos desfrutando a Jamaica. E lhe contei a respeito da hostilidade racial que encontramos. Ele me disse uma coisa que jamais esqueci: “Apenas relaxe mon”. E foi isso. “Não se desgaste, vá com calma, e tudo vai dar certo.”

Então fiquei pensando em sizzla em seu comentário rindo, relembrando meu anfitrião rasta. Ai está certamente um duplo estandarte envolvendo está cultura, como um tipo de dinâmica nos clubes de comediantes negros, onde há uma rotina para comediantes negros insultarem convidados brancos, de certo modo é impensável se as engrenagens se inverterem. 

Está também é uma ocasião para auto reflexão, e criticas dentre a audiência do reggae. Eu me lembro o quanto Mutabaruka declarava; “Não é muito bom viver em país de homens brancos por muito tempo”, soava verdade para mim, em todo caso para um descendente irlandês. Esta linha, ecoava de volta a Marcus Garvey, fazendo sentido para mim. Eu, igualmente nunca quis viver em uma cultura eurocentrica. 

Ainda como um participante de longa data no Bass Culture, eu ainda tenho uma incrível inconformidade com certas formas de racionalismo. Eu gostava de por algumas coisas em suas cabeças. Qual seria nossa reação se um artista europeu dissesse: “Queimem o povo negro”?este artista poderia virar e dizer “Não tenha medo do fogo” de forma honesta?

Eu toquei “Get We Out” de Sizzla, do cd duplo Reggae1Luv Liberate Yourself: Sizzla and Bredren, para o DJ RJ, as primeiras palavras da música eram: “Todos os subjetivos brancos fora da Etiópia”. “Eu não posso usar isso”, disse RJ, embora ele tenha amado o riddim. “Se você começar a censurar Sizzla porque ele é um racialista, você não vai encontrar muito mais coisas”, eu lhe disse. Eu sou uma pessoa confortável com expressões de orgulho negro, e ainda mais quando obssessivamente endereça a si mesmo para o povo negro de novo e de novo. Eu comecei a deixar a música de lado. Foi por isso que eu deixei de ouvir o hip hop no inicio dos anos 90. muitos artistas como o X-Clan, demonizavam o “garoto cavernoso opressor”. Eu dou suporte a artistas que falam para a comunidade que eu vivo, que é uma comunidade multi étnica. Sizzla em seus concertos não fala para uma comunidade multi étnica, diferente de Junior Reid, outro Bobo, nos puxando articuladamente para o Reggae Rasta em primeiro plano com o seu hino “One Blood”.

No reggae rasta, sempre houve uma dualidade de temas, expressões de unicidade racial, mas alem disso uma outra parte da cultura obsessiva com a oposição contra o homem branco. DJ RJ e eu fizemos outro estudo espcial, sobre este fenômeno, no chacoalhão controverso de Sizzla “Queimando Pessoas Brancas”. É chamado "White Boy a Follower? From Black Supremacy to ‘One Love’ in Rasta Reggae." [Garoto branco é um seguidor? Da Supremacia Negra para o “One Love” no Reggae Rasta].

Nós usamos muitos exemplos neste show para ilustrar estes temas dúbios, dos bobos discutindo o conceito da Supremacia Negra no show de Mutabaruka, ao Profeta Gad, o fundador da ordem Rastafari 12 Tribos de Israel citando “One Blood” do livro Atos Cap. 17 vers. 26 para argumentar contra qualquer noção de separatismo racial. Rasta é uma cultura que envolve um longo caminho, do cântico “more ao opressor branco” no inicio, partindo para o slogan “morte ao opressor negro e branco”, que foi repetido freqüentemente por artistas como Bob Marley a Capleton. Isto expressa a visão que está é uma força que transcende raças.

Eu penso que o reggae e o dancehall se tornaram muito mais internacionais, a audiência internacional em particular de salientar a questão; qual o nosso lugar na cultura? Isto aparenta ser uma particularidade irritante na questão para europeus e euro-americanos, mas ainda assim há artistas como Sizzla e grupos como os Bobos que definem suas alianças e seus inimigos primeiramente em termos raciais (http://www.oneworldmagazine.org/focus/etiopia/rasta.html). 

O tempo chegou para os europeus clamarem por um lugar na cultura. Em meu livro On Racial Frontiers, fiz esse argumento baseado em fatos históricos, incluindo a evolução do rasta como parte da história internacional e dos movimentos de liberdade multi racial com citações da “Black Liberation” (libertação negra) e da redenção multi racial “One Blood” coexistentes. Para os europeus que irão agir como expectadores da cultura (ou que aceitem essa definição), meramente clamando “sobre a cultura do homem negro”, aparenta ser ainda outra forma de escravidão mental. Quando nós divulgamos conhecimento suficiente para dizermos que essa também é nossa cultura, isso nos traz um novo patamar de responsabilidades. Nesses termos no meu ponto de vista, isso se formos fazer parte da base de fans de Sizzla, então nós precisamos buscar meios de engajar Sizzla num diálogo sobre suas atitudes a fim de falar com aqueles que provém a ele com sua maioridade de seus royalties. Então vamos ver outra visão da antiga história de Sedraque, Mesaque e Abede-Nego. Sizzla predominantemente tem uma audiência européia que verdadeiramente não precisa temer o fogo, porque se forem checar a raiz da história com a luta por direitos iguais e justiça, eles irão encontrar o que sempre foi um movimento multi étnico internacional. Então seria justo se nós começássemos a especular que artistas como Sizzla começassem a admitir nossa presença em sua visão artística?

Voltando a 1929, falando no aniversario da Emancipação no Caribe-Inglês, Marcus Garvey disse: “Nós devemos criar uma segunda emancipação; a emancipação de nossas mentes.” Isto é um salto curto para Bob Marley parafrasear: “Emancipem a si mesmos da escravidão mental, ninguém a não ser nós mesmos conseguiremos libertar nossas mentes.” Isso ainda é uma grande evolução da conscientização. Uma das formas centrais da escravidão mental com a qual Marley travou sua luta foi a grande noção de racionalismo de si próprio. Marley foi um “Garveyista”, e ainda não auto denominou a si mesmo como um homem negro, mesmo como rasta. Ele disse repetidamente que europeus e asiáticos poderiam ser rastas, se colocassem em pratica os ensinamentos de Selassie, em particular a visão de um mundo de direitos iguais garantido para todos, “sem considerar a raça.”

Isto é uma evolução histórica comparável com a Cristandade evoluída da religião da tribal judia, para uma comunidade inclusiva que era: “Tão pouco judeu quanto gentiu, homem como mulher, escravo ou livre.” Este rasta não é mais para a “cultura do homem negro” quanto a cristandade é uma “religião judia”. Mas isto é uma revolução incompleta. “O problema da emancipação é o fato de que estas correntes na mente são freqüentemente muito mais atadas do que as correntes do corpo”, Caroline Cooper escreveu. E a escravidão mental da oposição do ódiopara esses que não pensam ou vêem como nós, se tornou uma forma de escravidão muito mais duradoura do que uma escravidão física. 

A controvérsia do fya burn chegou no tempo certo. Porque o tempo é um redemoinho para todos aqueles que como nós amam essa música e cultura, começarem a redefinir quem nós somos. Os jovens devem começar a saber muito mais claramente o que eles opõem, todos nós devemos ter uma posição, como meu I-rmão Norman Bonner disse, para criar uma atmosfera em que “produtores e artistas não irão criar, e dj’s irão tocar músicas que celebraram diversidade e compreensão, e condenem a intolerância e danos letais.”

A respeito da mentalidade de queimar pessoas brancas, eu me lembrei de uma outra peça, uma sábia advertência que veio de Ângela Davis, de quem eu ouvi um criticismo construtivo dado em um conferencia em que discurso após discurso foi-se obsessivamente entulhando o povo branco numa coalisão multi-etnica atuante, Davis disse, sendo aquele que “tampouco é centralizado ou excluído. Para aqueles que clamam pela criação de alternativas para a história do eurocentrismo não conseguirem, se no caso eles continuarem a centralizar os europeus, sempre e especificamente trazendo mera oposição.”

Ai estão duas formas de subserviência, o historiador David Hackett Fischer uma vez escreveu: “escrava imitação e refutação”. Igualmente extrema é a forma de escravidão mental. E certamente a obsessão pelo fogo queimando os inimigos chamados de battyman, o vaticano, ou o homem branco, é uma forma de subserviência. De novo eu acredito que toda a comunidade precisa chegar junta num raciocínio para obter uma clara definição sobre o que realmente nos opomos, e o qual é a nossa real expectativa para criarmos alternativas.

Somente se soubermos o que nós nos opomos, então apenas nos restarão as cinzas. Que é o fim do jogo do “fire burn”, uma vez ouvi uma mulher negra cantando em San Diego, a música “Oh How I love Jesus”:

"Oh how I love fire, oh how I love fire, oh how I love fire,
Cause Everything turns black when it burns.”
[oh como eu amo o fogo, o como eu amo o fogo, o como eu amo o fogo,
Porque tudo volta a ser negro quando queima.”]

QUEIME A BABILÔNIA SEM REMORSOS

Eu escrevi esta dissertação primeiramente para um público não-jamaicano tradicional em mente. Particularmente, aqueles que como nós vivem em lugares mais privilegiados. Eu penso que é fácil para perder a visão do porque que tantos jovens estão enfurecidos. E eu penso que nesses tempos de crise, nós precisamos nos lembrar da necessidade de raiva e rebelião.

Norman Stolzoff escreveu; “o reggae roots se tornou algo como uma ortodoxia para estes primários fans brancos, e isso os cegou para a larga abrangência da cultura musical”. A larga cultura a qual ele falou continua “mais raggamuffin para se manter vivo nesses tempos”. Jovens no Caribe, como muitos jovens suburbanos por ai, encaram abrangentemente o desemprego. Muitos vivem nos guetos em que a violência e a morte são cotidianas. Eles vão a escola, se todos forem, os professores os ensina uma informação ultrapassada. Lidres não falam para eles, e a maior parte aparentemente é corrupta. Os jovens têm desprezo por instituições de todos os tipos, sendo que todas investem em mero status. O mesmo que sempre foi: “o sistema babilônico é o vampiro, sugando o sangue dos sofredores.”

A babilônia foi descrita por Jack Johnson Hill em seu livro I-Sight: The World of Rastafari, como uma “sociedade artificial afluente que auto absorve indivíduos que cultuam ídolos e vivem de forma decadente as custas dos pobres”

E eu pergunto a meus leitores: fazendo isso se toca a campainha? Está é uma boa definição de “rat race” [corrida vil]? Em que a maioria de nós vive?

Então quando eu ouço Prince Malachi cantando “queimem a babilônia sem nenhum remorso”, eu digo “nós não precisamos de água, deixe o sistema babilônico queimar”. Os jovens de hoje devem olhar para o mundo que herdaram, e devem aparentemente concordar com Bob Marley em sua definição ruim da cena: “Isso aparenta ser como que a destruição total é a única solução.”

Eu penso que estamos aptos a concordar no mínimo com a metáfora “taco fogo” [burn down] na injustiça, o insustentável estilo de vida que apenas serve aos interesses dos ricos, e que está destruindo a terra, ou os ditos lideres que estão em contradição, ou que apenas não se importam, na sua busca pela grandiosidade política e ganho econômico. Nós não conseguiremos ter um diálogo com os jovens hoje se não conseguirmos afirmar que muitas coisas sobre todos nós nos deixam nervosos, e que queremos “melhoramentos”.

Talvez desse ponto inicial, nós poderemos começar a falar sobre como aprender a canalizar a raiva em direções mais construtivas. Talvez tenham o arsonista verbal que guspiu a verdade sobre o que Gandhi disse um dia, “olho por olho deixa o mundo todo cego”. O battyman, a Bíblia, e a burca não são os inimigos – de fato todos tem algo importante para contribuir para nossa emancipação coletiva.

“Não julgue para não ser julgado”, é um ensinamento que é encontrado em todas as religiões do mundo. E isto continua atual. Considerando os ateadores de fogo, Mikey General disse para a editora Laura Gardiner do Jahworks.org: “alguns desses estão julgando e condenando e não estão julgando a si próprios, isto não pode estar certo.”

Em uma entrevista com Carter Van Pelt, Luciano afirmou a necessidade de queimar retoricamente certas coisas. Ele notou isso quando “tacou fogo” em uma advertência contra cigarros que ele encontrou no backstage em uma de suas performances. Mas para “apenas por fogo sem razão, sem conhecimento, é perigoso para Eu e Eu também”, disse Luciano. “Eles dizem amor sem conhecimento também não é amor em totalidade. Temos de buscar mais recursos antes de derramar mais sangue do que já foi derramado”.

A influencia rasta na musica reggae, diz meu amigo Andrej Grubacic na Sérbia, é “uma cultura de amor e rebelião”. Ele e milhares de aliados usaram a música reggae como uma ferramenta de rebeldia contra a ditadura imposta por Milosevic. Mas o reggae rasta deu a eles um modelo não apenas do que eles estavam se opondo, mas também alternativas mais atrativas que são ambos parte de uma cultura em que eu vivo. E ambos compreendem que este fogo e rebelião podem ser usados ambos para purificação, ou para destruição. Ultimamente a forma que usam depende de nossa consciência. Buscando mais consciência no nosso tempo, quer dizer que devemos aprender como nos encorajar em uma rebelião controlada, e não apenas em oposição. Porque se apenas soubermos aquilo que nós nos opomos, então nos tornaremos assim como o que odiamos. Para criar uma alternativa mais atrativa par ao Sistema Babilônico, nossa rebelião deve ser guiada por amor. Amor pela justiça, e ultimamente, amor e respeito por todo tipo de vida.

“Para aquele que diz, “Eu amo JAH”, e odeia seus irmãos e irmãs, são mentirosos, para aquele que não ama seu irmão ou irmã que consegue ver, não pode amar seu criador que ainda não conseguiu ver (I João Cap. 4, Vers. 20 – adaptado.)

--------------------------------------------


Gregory Stephens é autor do livro On Racial Frontiers: The New Culture of Frederick Douglass, Ralph Ellison, and Bob Marley (Cambridge UP). Como jornalista Stephens publicou artigos em forums como Los Angeles Times, San Francisco Chronicle e Village Voice. Uma entrevista sobre seu livro pode ser lida aqui. Seu artigo "The Fiya Burn Controversy: On the Uses of Fire in a Culture of Love and Rebellion" pode ser lida aqui e um programa de radio especial pode ser ouvido aqui. Formado em literatura na Universidade da Califórnia e um Rockefeller Fellow na the University of North Carolina, ele é atualmente um professor bilingui em Oklahoma em escola publica. Show de radio, entrevistas e artigos on line podem ser lidos no site http://www.gregorystephens.com. Contato gstephen@email.unc.edu
DEIXE SEU COMENTÁRIO AQUI NO SITE

DISQUS NO FYADUB | FYASHOP

O FYADUB | FYASHOP disponibiliza este espaço para comentários e discussões das publicações apresentadas neste espaço. Por favor respeite e siga o bom senso para participar. Partilhe sua opinião de forma honesta, responsável e educada. Respeite a opinião dos demais. E, por favor, nos auxilie na moderação ao denunciar conteúdo ofensivo e que deveria ser removido por violar estas normas... PS. DEUS ESTÁ VENDO!