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terça-feira, 1 de setembro de 2026

COMO O REGGAE (NÃO) CHEGOU NO MARANHÃO

O reggae não chegou por ondas de Rádio da Jamaica, ou pelo Porto nem de Belém, nem no Maranhão. 

O Norte do Brasil (o Brasil em si) era extremamente pobre na época, viviamos uma Ditadura Militar, num país governado pelo Médici, Geisel e Figueiredo, e nenhum deles abria por questões politicas o acesso irrestrito a Rádio e TV na época. Não é possível pensar, que num pais com intervenção dos EUA (com a CIA vivendo entre nós) teríamos acesso irrestrito a rádios do exterior. Os EUA tinham dominância nos espaço aéreo do Nordeste, inclusive, o aeroporto Internacional de São Luis, era uma base militar estadunidense.

Na Jamaica nos anos 1970 tinham 2 rádios, a JBC e a Antilles (essa financiada pela França e Alemanha), num momento que a Jamaica ainda era recém independente da Inglaterra. Essas rádios eram rádios politicas, a JBC falava a visão politica de quem estava governando a ilha. E a Antilles um braço Eurocêntrico numa queda de braço ideológica da Guerra Fria, visando estabelecer e aumentar território junto a outras ilhas como Cuba, Guadalupe e Martinica por questões militares. E essas rádios não tocavam reggae, a popularização dos sistemas de som e selos jamaicanos, a partir dos anos 1970 é justamente pela música jamaicana não ter espaço na rádio, mesmo após a independência. O que escutava majoritariamente eram músicas estadunidenses. 

Nunca na época a Jamaica teria dinheiro suficiente para estabelecer uma antena HF, de alta intensidade - independente da rádio, e fazer esse sinal chegar até o Maranhão, onde seria necessário ter um receptor HF - você teria que ser muito RICO para ter um receptor PX na época. A miséria da época impedia ter esse tipo de equipamento, quiça a população vivia com um rádio AM, a rádio FM se popularizou no Brasil nos anos 1980, e até TV era um artigo cobiçado e de luxo nos anos 1970. Mal se ouvia na época a Rádio Nacional de Brasília, que era ali do lado. 

Do Porto também não chegou, porque não se sabe qual embarcação, não se sabe qual marinheiro, e isso é um registro histórico no Porto, se sabe desde o Dia 1, qual barco atracou, quem era o capitão da embarcação, saída e entrada da tripulação, se teve ou não quarentena, digo isso porque por muitos anos fui securitário e a história dos seguros, está ligada a história da navegação. Nem mesmo pequenas embarcações são possíveis, não existia estrutura na época - e ainda não existe um doido jamaicano, que sai da ilha e navega num barquinho pra chegar no Maranhão com um pack de compactos, a estória é bonita, mas é um fábula. 

Para uma breve comparação, Amir Klink fez sua primeira travessia em 1984, demorando 100 dias para chegar a Camaçari saindo da Namíbia. E não existe registro histórico de nenhum Caribenho ter cruzado qualquer oceano em um pequena embarcação. 

O Reggae só chegou ao Maranhão, a Belém, e outros estados do norte do Brasil, entre 1970 e 1980 através da migração dos nordestinos e nordestinas para o RJ e SP que voltavam para sua cidade - com discos não só de reggae, essa migração teve seu auge nos anos 1980. Após esse período com investimento principalmente politico nas radiolas - o que também aconteceu em SP nos anos 2000 em diversos sistemas de som, começaram as viagens dos maranhenses a Jamaica para buscar discos.

As principais gravadoras que mantinham suas fábricas de vinil entre SP e RJ, a Island Records distribuída pelas gravadoras  Fontana / Phonogram / Polygram nos anos 1970 e nos anos 1980 pela Ariola / Polygram. A Trojan Records tinham seu catálogo distribuído pela gravadora Discos Continental e pelo selo Copacabana. Algumas coisas da Pama foram lançadas em coletânes (compilações) nos anos 1970 e 1980.

Só se dança agarradinho, porque o público do inicio das radiolas, era o público do forró, do xote, xaxado, o reggae tem o andamento e o tempo mais lentos, então ao invés do rodopios, passos rápidos, o dançar 'reggae agarradinho' era a forma de continuar dançando, só que na batida mais lenta, diferente do andamento do forró. 

A Terra é curva!