quarta-feira, 20 de abril de 2011

FREE DOWNLOAD - MISTER BOMBA DE PONTA A PONTA + ENTREVISTA




Depois de alguns anos de estrada ao lado do SP Funk, Mr. Bomba lança seu primeiro disco solo, intitulado "De Ponta a Ponta". O CD, com direções para o rap radiofônico, foi produzido por ele e está encartado na revista Soma 21, em parceria com a Matilha Cultural. Se você ainda não pegou a sua, mas tá curioso, pode baixar o discão aqui.

Na sequência, leia a entrevista com Mr. Bomba abaixo. E clique aqui para fazer o download do disco. 



O Tranco do Mr. Bomba


Por André Maleronka . Fotos por Fernando Martins Ferreira

Mr. Bomba está lançando um primeiro disco solo cheio de direções para o rap radiofônico. E isso faz todo o sentido: o SP Funk, grupo do qual veio, sempre teve um olho nas novidades e outro nos bailes, e conseguiu aliar formatos inovadores e penetração no circuito do rap brasileiro. Neste bate-papo com a SOMA, ele fala sobre o início de sua carreira, sobre a situação atual da cena do hip-hop nacional e sobre as perspectivas e possibilidades do gênero no Brasil.



Quando escutei a primeira demo do SP Funk, já era um som diferente. Era descontraído, de baile.


É quente. Fomos os primeiros. O Zé Gonzales falou isso pra mim esses dias, que o SP Funk foi o primeiro [grupo] a fazer música de pista. E desde o começo a gente tinha preocupação com flow, letras com mais assuntos, estudar antes de falar, usar comparativos. Fomos os primeiros, os mais arrojados.



E como você começou a produzir?


Logo no primeiro [disco] do SP Funk. A primeira música que gravamos foi com o João Marcelo Bôscoli. A Trama nem existia, era pra uma coletânea da [gravadora] Velas. Então na primeira vez que entrei no estúdio foi um puta estúdio. Isso foi lá atrás, eu, o [Tio] Fresh e o Primo [Preto, então MC do grupo] no tempo do [baile] Sub Club. O MRN foi o primeiro grupo com qual nos coligamos, eram nossos aliados. O Fresh era do MRN, que tinha contrato com a [gravadora] Zimbabwe, com o Edu K produzindo - depois do Pivete e do Racionais, era o mais avançado que estava se produzindo no rap da época. Eu já tinha visto samplers em fotos. Fazia uma ideia do funcionamento do negócio. MPC vi pela primeira vez com o Nuts ou o Zé [Gonzales]. Era como eu pensei, o jeito que funcionava. Em 99 catei e aprendi sozinho. Quando tinha dúvidas dava uma ligada pro Zé. Fiz o disco do SP Funk assim. Antes a gente fez um contrato com o DJ Hum pra coletânea Rima Forte, [na qual] entrou nossa música "Fúria de Titãs". Quem se destacasse ganhava um disco inteiro. Fomos nós. E eu achava que a gente tinha que ter a nossa cara de produção. Hoje esse é um lado que curto muito e quero trabalhar. E em qualquer estilo - agora teve uma música minha que foi pro Exaltasamba.



"Eu não tenho preconceito na música. Não quero nenhum limite. Quero fazer música boa, que chacoalha. Músicas fáceis de cantar, mas inteligentes, com letra boa."


Da hora.

É uma música minha com o Oscar, que era do Broz. Ninguém queria trabalhar com o moleque do Broz, aí passaram pra mim. Eu faço. Lógico, o moleque canta pra caralho! Eu sei qual é a do Broz. Se fosse outro cara do Broz eu não fazia, mas como era aquele que vi cantando na TV e falei "Ó que zica esse moleque". Cantando R&B não tem, nunca vi assim no Brasil. Eu não tenho preconceito na música. Não quero nenhum limite. Quero fazer música boa, que chacoalha. Músicas fáceis de cantar, mas inteligentes, com letra boa.

Depois dos discos do SP Funk você fez aquela batida do som do D2 com o Catra.

É, eram alguns samples e um beat. Ele retocou o sample com o Caldato produzindo. É igualzinha, os breaks, a ponte. E eu nem sabia que ia ter o Catra. A parte dele é só uma ponte, e aquela base... Ele ia comer aquela base. Podia fazer um remix, comigo, com ele e o D2. Na minha versão da batida, ia ficar doido.

Hoje o rap tá com um nível bom, várias pessoas fazendo bem várias coisas diferentes.

No rap agora, ou você é bom ou nem faz, tá ligado? Imagina o Sabotage hoje em dia. Ele era o cara, mas vou te falar que agora tá nascendo uma safra boa. Mas ele era o cara, "number one". De flow, de tudo, de conceito. Ele ia ser rap até os 50 anos. Tinham que fazer um filme da história dele. Se fizerem direitinho, a hora que sair é estouro. E hoje tem vários caras. O Criolo [Doido] é fodido, tá no meu disco. Agora, essas tretas de Cabal e Emicida, isso é uma merda. O Cabal é foda. Sempre acreditei nele, mas às vezes a gente tem que pensar direitinho no que vai fazer.

Tem que entender melhor o Brasil.

Tem que entender melhor o Brasil, exatamente. É outro ritmo. Tem outros jeitos de fazer a mesma coisa. Essas musiquinhas... Música de picuinha não é música de carreira, tio. Você não vai ser lembrado por isso. A "Hit ‘Em Up" do Tupac não é a música pela qual ele ficou conhecido. Você tem sempre que estar atrás da música que vai te fazer ser reconhecido.



E teu disco vem como?


O disco não é todo dançante, tem minhas viagens de base, o que eu gosto de fazer. Chama Mr. Bomba De Ponta A Ponta, porque sou eu que tô fazendo tudo. Fiz várias músicas, várias produções, pra chegar até as que vão pro disco. Várias ficaram de fora. Quando eu lançar tem amigos que vão falar: "Cê é louco!".

"Eu tenho carimbo do funk. Já fiz vários bailes funk, e eu era o único de rap. As bases são tudo meio no tranco: catei a batida do crunk, do dirty south, e coloquei os timbres de funk, no ritmo do rap. Por isso deve ter dado algum estalo nos DJs de funk, que começaram a tocar."



Tem a "Biriri", que é foda.


Um amigo meu tinha acabado de cumprir uma sentença de um ano e dois meses. Aí ele veio com umas gírias novas. Quando escutei essa falei "Biriri? Isso é rap, e do mais cabuloso". Fiz a música, fui feliz no refrão, nas ideias. E quem abraçou o foi o gueto, o submundo. A molecada começou a fazer vídeos e postar no YouTube. Já viu que tem três nego veio? Aí chega tipo uma tia, ela tá filmando, é um Natal, deve ser 2007. Foi no final de 2007 que lancei e estourou - foi só dar na mão de dois DJs "xis", do gueto mesmo, que tocam no centro pra toda galera do gueto que vem curtir rap e funk. Daí que meu rap tocou no funk, é o único que tocou - eu tenho carimbo do funk. Já fiz vários bailes funk, e eu era o único de rap. Faz o "Biriri", faz mais duas - vai mudando de acordo com a aceitação. Tem músicas estilo "Biriri", que é o "tranco". Botei esse nome porque as bases são tudo meio no tranco: catei a batida do crunk, do dirty south e coloquei os timbres de funk, no ritmo do rap - ninguém sabe de onde vieram aquelas percussões, mas é isso. Por isso deve ter dado algum estalo nos DJs de funk, que começaram a tocar. Tem três ou quatro com essas batidas. Tem umas duas lentas, lentas mesmo. Não sei se vai encaixar na pista, mas acho que são minhas preferidas atualmente, uns balanços nervosos. A "Gênesis", que abre o disco, é estilo SP Funk - é o que a gente vai fazer, ano que vem vamos nos juntar, lançar disco ou mixtape e marcar datas. 



"Pique Meninão", a música do DJ QAP com o Maionese (ambos membros do SP Funk) e mais outro MC é nesse pique "tranco" e é foda também.


É foda pra caralho. Esse estilo aí, no baile vai que nem uma luva. Tava trocando ideia com o D2. Ele disse que tava tentando escrever letra pra passar batido, pra nego se ligar mais na música. Música pra dar certo no baile tem que passar batido. Não é pra escrever um livro ou uma tese sobre um tema. Pra mim tem que ser singelo o bagulho - se você consegue fazer um som como o "Biriri", que pode ser pra criança, pra adulto, pra sacanagem, pra ladrão, é isso. Eu falei pros caras quando eles estavam fazendo "Pique Meninão": "Porra, vocês tão esculachando". Mas deu certo, os caras ouvem. Em baile de ladrão tem uns caras que se mordem, dá pra perceber os caras incomodados, mas toca muito.



Com tanta gente boa fazendo rap e o funk dominando São Paulo, o que você vê de perspectiva?


Agora quero ver como vai ser essa retomada. Porque pra mim é dividir espaço, fazer show junto. Funk é hip-hop. É conseguir espaço pra todo mundo. Conseguir que o fã do Emicida escute e goste do Menor do Chapa. Se a gente conseguir isso, aí vai ser da hora, aí o rap vai tomar mesmo. Na marra, separado, não vai. Porque o espaço do funk é muito grande, inclui samba, axé - é mais festeiro, e o Brasil é festeiro. Aí entra aquela discussão do que é intelectual e o que é brega, povão. É foda, tem uma barreira fodida, é pouca gente que não torce o nariz. Na mídia prevalece quem tem um lance mais intelectualizado, não quem tem um lance mais povão, como o Catra, que conseguiu, como Calipso, que conseguiu. Eu sou fã de tecnobrega, de funk, e o rap tem muito que aprender com esses caras. Alguém vai ter esse estalo - porque os caras colocam uns raps, mas são uns raps toscos, mas se fizesse uma fusão com os caras... Se eu tivesse baile hoje, tinha tecnobrega, funk e rap numa mesma noite, só pra neguinho começar a olhar pra isso aí. É tudo gueto, música do gueto.



Saiba mais:



domingo, 10 de abril de 2011

A LENDÁRIA ETIÓPIA :: ENSAIO EM HOMENAGEM AO IMPERADOR HAILÉ SELASSIÉ :: Por Mario de Meroé


Imperador Haile Selassie
No curso da História, houve três reinos, independentes e distintos entre si, os quais, em épocas próprias, foram denominados Etiópia: Napata, Méroe e Aksun (ou Axum).

Ao exame dos textos históricos, parece ressaltar que a denominação de Etiópia aplicava-se, mais apropriadamente, ao reino de Aksun (Axum), enquanto para Méroe e Napata representava apenas uma designação greco-romana.

O termo Etiópia (Ethiopia) parece ter resultado do esforço dos escritores gregos antigos para designar essa região da África Oriental, cujo nome originário, indígena, era ininteligível para eles. Seu significado é, aproximadamente, “país das gentes de rostos queimados”, ou seja, genericamente, a raça negra.

A designação indistinta de Etiópia para designar, genericamente, todos os países antigos situados ao sul do Egito, praticada por escritores antigos, dificulta a compreensão exata da localização geográfica de eventos registrados pela história, ocorridos naquela parte do mundo. Observe-se a narrativa bíblica (Atos dos Apóstolos, cap.VIII, 27/39) onde um dos personagens seria um “alto funcionário de Candace, rainha da Etiópia”. Um rápido exame dos mapas da região nos convence que, em época tão remota, longe das conquistas dos atuais meios de transporte, seria improvável que um alto funcionário ousasse ausentar-se de suas funções para cumprir tal viagem, dada a enorme distância entre o local do encontro com Felipe (Jerusalém) e o reino da Etiópia (atual).

O termo Candace, comum aos textos bíblicos e de História, originário do grego Kandakê é a forma latina, com influência francesa, de Kantakai. Representava o título real comum às raínhas do império etíope. Os gregos e os romanos usavam essa denominação como nome próprio das soberanas com as quais mantinham relações políticas.

O império abissínio teve início mil anos antes da era cristã, e terminou em 1974, com a deposição do último imperador.

A origem lendária do império remonta ao filho de Salomão, rei dos judeus, com Balkis, rainha de Sabá. Esse filho é chamado, por alguns autores, por Menelik, e por outros, de David, e é apontado como origem dosnegus da Abissínia.

Ainda segundo a tradição abissínia, durante sua permanência em Jerusalém, a rainha de Sabá tornou-se mulher do rei Salomão. Teria retornado ao seu país grávida, e teve um filho, que foi educado em Sabá durante a infância. Na adolescência, foi enviado a Jerusalém, para aprimorar seus estudos e conviver com seu pai, por alguns anos, procurando absorver sua proverbial sabedoria. Nessa ocasião, teria sido ungido e sagrado no Templo, com o nome de David, em homenagem ao seu avô, retornando, após, para junto de sua mãe.

Finalmente estabeleceu-se na Abissínia, tendo subido ao trono e introduzido a religião judaica em seu país, originando as cerimônias que os abissínios ainda conservam.

Salomão (do hebraico Chélômôh), filho do rei David e de Bethsabá, viveu entre 1032 e 975 A.C. Sabá foi uma cidade da Arábia antiga (Arabia Felix), junto a costa ocidental do Mar Vermelho, capital do reino do mesmo nome, que os gregos chamaram de Miriaba. Esse país, posteriormente, passou a chamar-se Yemen.

A tradição árabe conta que a rainha Balkis (Belkis), atraída pela fama de riqueza e sabedoria que adornavam o rei dos judeus, resolveu visitá-lo, tendo sido sua hóspede e mantido o relacionamento que resultou no nascimento de um filho, do qual descendem os reis da antiga Abissínia.

O episódio é confirmado (parcialmente) pela narrativa bíblica (Reis, cap. 10, vers.1 a 13, e Crônicas, cap. 9, vers. 1 a 12), exceto no que se refere ao nascimento do filho mencionado nas tradições árabes e etíopes.

Os autores árabes atribuem à rainha de Sabá dessa narrativa, o nome de Balkis ou Belkis. Outros autores a denominam de Makeda, ou Makida.

A Abissínia teve origem no antigo reino de Aksum (Axum).Em 1941, reivindicou o nome do antigo território, e passou a denominar-se Etiópia.

Os soberanos da milenar Abissínia, desde a antiguidade, usavam o título de Negus, pretendendo descenderem do rei bíblico Salomão, e da lendária rainha de Sabá.

O último negus etíope, Hailé Selassié, que reinou de 1930 a 1974, usava os títulos da tradição bíblica de “O Eleito de Deus”, “Rei dos Reis”, “O Leão de Judá”, e timbrava os documentos oficiais com o “selo de Salomão”.

Selassié nasceu em 1891, e tinha o nome civil de Tafari Makonen. Seu pai, o rás Makonnen, era um dos filhos do imperador Menelik II. Exerceu o cargo de rás (governador civil e militar) do Choá, uma importante unidade política e administrativa do país. Foi regente da coroa, durante a menoridade da princesa Zauditu, elevada ao trono durante a primeira guerra mundial. Com o falecimento desta, assumiu o poder e foi sagrado imperador, em 1930, com o nome de trono de Hailé Selassié. Como monarca poderoso, introduziu a primeira constituição no país, criou um Parlamento, modernizou o exército e aboliu a hereditariedade dos cargos de rás das províncias.

Em 1935, a Itália, contaminada pelos ímpetos expansionistas de Mussolini, invadiu a Abissínia e forçou onegus ao exílio. Nessa ocasião, no ano de 1936, proferiu corajoso discurso, junto a Liga das Nações, protestando contra a omissão dos Chefes de Estados das demais nações, face ao perigo nazista iminente. Foram suas palavras:

”Eu jamais acreditaria que todas as nações do mundo, entre as quais as mais poderosas da terra, pudessem acovardar-se diante de um único inimigo. Mas, diante de Deus, nenhuma nação é melhor do que outra”. E profetizou: “Hoje fomos nós, amanhã serão vocês”.

Em 1974, um golpe militar aboliu o regime monárquico e depôs o imperador, já velho e doente, que faleceu (há indícios de que foi assassinado) em 1975, um ano após ter sido despojado do milenar trono abissínio.

Nota: Este artigo foi publicado, em espanhol, no boletim de setembro/2000, do Instituto de Estudos Históricos da Catalunha (Espanha).


Glossário Básico

Absalão. Filho de David, 2º rei de Israel, assassino de seu irmão Amon, conspirou contra seu pai, obrigando-o a fugir para Jerusalém, e foi vencido por Joab, no bosque de Ephraim. Na fuga, seus cabelos se enredaram nos galhos de uma árvore, ficando pendurado, do que aproveitaram-se seus perseguidores para matá-lo, contrariando as ordens do rei David.

Datas. Não há uniformidade entre autores, sobre a exatidão das datas informadas.

Filisteus (do hebraico Pelichtim). Provavelmente oriundos das regiões cretenses, os filisteus habitaram a Palestina, ou parte dela, antes da conquista dessa terra pelos hebreus. A história dos filisteus é conhecida somente através das narrativas bíblicas.

“Os filisteus apareceram na história (bíblica, n. do a.) no tempo dos juizes, submetendo os judeus após o governo de Abimelech. Ao cabo de meio século de cativeiro, os judeus recuperaram a liberdade, depois de uma luta cujos episódios mais conhecidos são a história de Sansão, a tomada da Arca Santa pelos filisteus, que a restituíram em seguida a uma epidemia; enfim o desafio entre Davi e Golias. Os filisteus tiveram vantagens quando da luta de Davi seu aliado, contra Saul; mas foram definitivamente vencidos por Davi, quando rei de Israel...”. [2]

Hebreus. Nome primitivo do povo judaico.

Israel. Na antiguidade, povo descendente de Jacó, o qual foi denominado Israel (em hebraico significa: o que lutou com Deus). Radicado na Palestina desde aproximadamente 1230 AC, os israelitas foram chamados hebreus pelos povos que habitavam primitivamente o país. Depois da divisão do reino salomônico (932 AC), a região ao N. passou a chamar-se Israel, a fim de diferenciá-la da que ficava ao Sul (Judá). Após o cativeiro babilônico (588-538), generalizou-se o nome judeus. Hoje, Estado Soberano instituído sob a forma de república, criada em 14.05.1948, em terras da antiga Palestina, compreendendo a faixa costeira do extremo SE do mar Mediterrâneo, entre o Líbano ao N, a Síria a NE, a Jordânia ao E., o golfo de Ácaba ao S., e o Sinai ao SO.[3]

Patriarca era a denominação dos chefes de família dos povos primitivos, em especial, do povo judaico. Segundo a tradição, Jacó foi o genearca, ou seja, o tronco imediato das doze tribos de Israel. Nos eventos narrados na Bíblia, o povo de Israel adotou, sucessivamente, formas de governo, sob a chefia dos patriarcas, dos profetas, dos juizes, e finalmente, dos reis. Todos os governantes dessa era recebiam a “unção”, ou seja, uma consagração, de caráter divino e instituíam seus governos sob inspiração teocrática.

Roboão: Rei de Judá, filho de Salomão e da amonita Néâmah, n. pelo ano de 1016 a.C., m. 958, a.C. Sucessor de seu pai, provocou a cisão das dez tribos, por sua tirania e uma questão tributária não resolvida. Com a sublevação das tribos, Jeroboão foi coroado rei de Israel, e Roboão conservou o domínio de Judá e de Benjamin. No ano IV do seu reinado, Sheshon I, rei do Egito, tomou Jerusalém e roubou os tesouros do templo e do rei.

Sabá: Cidade da Arábia antiga, no país atualmente chamado Iemen. Foi capital de um reino do mesmo nome, que os gregos chamavam de Miriaba. Segundo as tradições árabes, é o berço da rainha Balkis (Belkis), que foi hóspede do rei Salomão, na narrativa bíblica. Há referências a esse personagem no texto denominado “A Lendária Etiópia”, nesta obra.

Salomão (do hebraico Chélômóh): Reis dos israelitas, n. em 1032 e m. por volta de 975 A.C. em Jerusalém. Era filho de David e de Bethsabá. O nome desse rei, na literatura histórica sacra, é dignificado por sua sabedoria. Há referências a esse personagem no texto denominado “A Lendária Etiópia”, nesta obra.

Samuel (do hebraico Shemuel: Deus o ouviu; posto por Deus). O último dos juízes[4] de Israel. Era sacerdote de um oráculo estabelecido em Rama, e viajando todos anos para Bethel, Guilgal e Mispar, onde reunia assembleias populares. A esse juiz é atribuída, pela narrativa bíblica, a escolha e sagração de Saul como rei de Israel.[5]
Saul (do hebraico Shaul: o desejado, alcançado por força das orações). Primeiro rei dos israelitas, nascido na tribo de Benjamim pelo ano de 1115 AC e morto na montanha de Gelboé, pelo ano de 1055 AC. Filho de Quis (Cis), foi designado aos hebreus pelo profeta Samuel. Face a fragorosa derrota militar frente aos filisteus, já prevista pela pitonisa de Endor, Saul suicidou-se. Seu reinado durou cerca de 40 anos.



Referências bibliográficas
(específicas)

» A Bíblia Sagrada - tradução de João Ferreira de Almeida, 1969
Sociedade Bíblica do Brasil. (trechos em itálico).

» Méroe, Mário de
Estudos sobre Direito Nobiliário - Ed. Centauro-SP/2000
Méroe: Um Legado Dinástico do Egito e da Núbia
Tradições Nobiliárias Internacionais e sua integração ao
Direito Civil Brasileiro

» Eban, Abba
A História do Povo de Israel - 4ª ed. Ed. Bloch - RJ

» Pequena Enciclopédia Melhoramentos

» Diccionario e Encyclopedia Internacional Jackson

» Arquivos do jornal Folha de São Paulo, edição de 07/08/1993

» Lucy R. Valentini e outros
Do Homem Primitivo até o Século IX - Cultura e Sociedade, I,

» Cotrim, Gilberto Vieira, Acorda Brasil, p.12, Ed. Saraiva, SP

» Carletti, Amilcare, Brocardos Jurídicos, vol. III, Ed. EUD, 1986,

» Cazelles, Henri. História Política de Israel, tradução de Cacio Gomes,
Ed. Paulus, São Paulo-SP, 2ª ed., 1986.


[1] Extraído de “Méroe: Um Legado Dinástico do Egito e da Núbia”, de Mário de Méroe

[2] Encyclopedia e Diccionario Internacional , vol. XV, p.8.833.

[3] Anotado da Pequena Enciclopédia Melhoramentos, 1978.

[4] Há escritores que os titulam como profetas.

[5] Diccionário e Encyclopédia Internacional, Jackson, vol.17, p. 10213.





Siga o Fyadub nas redes sociais:

💥 Twitter: http://www.twitter.com.br/fyadub
💥 Facebook: https://www.facebook.com/fyadub.fyashop
💥 Youtube: http://www.youtube.com/fyadub
💥 Instagram: https://www.instagram.com/fyadub.fyashop

sexta-feira, 8 de abril de 2011

FREE DOWNLOAD - COLEÇÃO HISTÓRIA DA AFRICA




Resumo: Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.

Informações Adicionais:


Em 1964, a UNESCO dava início a uma tarefa sem precedentes: contar a história da África a partir da perspectiva dos próprios africanos. Mostrar ao mundo, por exemplo, que diversas técnicas e tecnologias hoje utilizadas são originárias do continente, bem como provar que a região era constituída por sociedades organizadas, e não por tribos, como se costuma pensar.

Quase 30 anos depois, 350 cientistas coordenados por um comitê formado por 39 especialistas, dois terços deles africanos, completaram o desafio de reconstruir a historiografia africana livre de estereótipos e do olhar estrangeiro. Estavam completas as quase dez mil páginas dos oito volumes da Coleção História Geral da África, editada em inglês, francês e árabe entres as décadas de 1980 e 1990.

Além de apresentar uma visão de dentro do continente, a obra cumpre a função de mostrar à sociedade que a história africana não se resume ao tráfico de escravos e à pobreza. Para disseminar entre a população brasileira esse novo olhar sobre o continente, a UNESCO no Brasil, em parceria com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (Secad/MEC) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), viabilizaram a edição completa em português da Coleção, considerada até hoje a principal obra de referência sobre o assunto.

O objetivo da iniciativa é preencher uma lacuna na formação brasileira a respeito do legado do continente para a própria identidade nacional.

© UNESCO

Promover o reconhecimento da importância da interseção da história africana com a brasileira para transformar as relações entre os diversos grupos raciais que convivem no país. Esta é a essência do Programa Brasil-África: Histórias Cruzadas, instituído pela UNESCO no Brasil, a partir da aprovação da Lei 10.639, em 2003, que preconiza o ensino dessas questões nas salas de aulas brasileiras.

Desde então, o processo de implementação da Lei da Educação das Relações Étnico-Raciais nos sistemas de ensino brasileiros vem enfrentando desafios, entre eles a necessidade de desenvolvimento de uma nova cultura escolar e de uma nova prática pedagógica que reconheça as diferenças étnico-raciais resultantes da formação da sociedade brasileira. Para contribuir com esse processo, o programa Brasil-África: Histórias Cruzadas da UNESCO atua em três eixos estratégicos, complementares e fundamentais:

1. Acompanhamento da implementação da Lei

2. Produção e disseminação de informações sobre a história da África e dos afro-brasileiros

3. Assessoramento no desenvolvimento de políticas públicas

O objetivo dessa atuação é identificar pontos críticos, avanços e desafios na implementação da Lei, bem como para cooperar para a formulação de estratégias para a concretização de políticas públicas nesse sentido, além de sistematizar, produzir e disseminar conhecimentos sobre a história e cultura da África e dos afro-brasileiros, subsidiando as mudanças propostas pela legislação.

Para a UNESCO, apoiar a implementação da lei da Educação das Relações Étnico-raciais é uma maneira de valorizar a identidade, a memória e a cultura africana no Brasil – o país que conta com a maior população originária da diáspora africana.

A partir do momento em que as origens africanas na formação da sociedade brasileira forem conhecidase reconhecidas e as trocas entre ambos disseminadas, se abrirão importantes canais para o respeito às diferenças e para a luta contra as distintas formas de discriminação, bem como para o resgate da autoestima e aconstrução da identidade da população. Somados, esses canais contribuirão para o desenvolvimentodo país.

Assim, o trabalho com esses tópicos nas escolas e nos sistemas de ensino proposto pela legislação nacional, em última instância, leva os alunos e a sociedade a valorizar o direito à cidadania de cada um dos povos. 
Tudo isso encontra uma forte convergência com o trabalho da UNESCO, que atua em todo o mundo declarando que conhecer melhor outras civilizações e culturas permite tanto compreender a segregação e os conflitos raciais como afirmar direitos humanos.


Download gratuito (somente na versão em português):

ISBN: 978-85-7652-123-5

ISBN: 978-85-7652-124-2

ISBN: 978-85-7652-125-9

ISBN: 978-85-7652-126-6

ISBN: 978-85-7652-127-3

ISBN: 978-85-7652-128-0

ISBN: 978-85-7652-129-7

ISBN: 978-85-7652-130-3




DISQUS NO FYADUB | FYASHOP

O FYADUB | FYASHOP disponibiliza este espaço para comentários e discussões das publicações apresentadas neste espaço. Por favor respeite e siga o bom senso para participar. Partilhe sua opinião de forma honesta, responsável e educada. Respeite a opinião dos demais. E, por favor, nos auxilie na moderação ao denunciar conteúdo ofensivo e que deveria ser removido por violar estas normas... PS. DEUS ESTÁ VENDO!