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domingo, 22 de março de 2015

THE PUNKY REGGAE PARTY - UMA REFLEXÃO PESSOAL POR ADRIAN SHERWOOD

Adrian Sherwood
Guest Column – The Punky Reggae Party: A Personal View by Adrian Sherwood - Texto Original @ http://www.qthemusic.com/9011/guest-column-the-punky-reggae-party-a-personal-view-by-adrian-sherwood/

A frente do lançamento do álbum "Sherwood At The Controls Volume 1: 1979 – 1984", uma coleção de faixas antigas produzidas e mixadas pelo próprio Adrian Sherwood - a ser lançado em 6 de abril de 2015, o produtor e dj Adrian Sherwood se tornou um detetive do dub e um convidado para está coluna do QTHEMUSIC, investigando a história por trás do single de Bob Marley de 1977, Punky Reggae Party e as experiências ao mesmo tempo de dois artistas de duas culturas diferentes juntas. 

Em 1975 com 17 anos meu mentor e sócio, Joe Farquharson e eu iniciamos uma das primeiras empresas de distribuição de Reggae, JA, e no final de 1975 nos envolvemos também com o selo Carib Gems, ambas empresas operando em Harlesden, North West London. 

1976 começaram as eleições na Jamaca e a violência começou a crescer em níveis alarmantes. Em dezembro uma tentativa de assinato contra Bob Marley. Todos os tipos de rumores circularam em Londres perguntando porque? Não muito depois de ouvirmos as notícias e para minha total supresa, meu amigo Junior Williams veio até o escritorio e disse que Bob estava naquele momento descendo a rua na Scrubs Lane jogando bola com The Sons Of JAH (uma banda de Ladbroke Grove) junto com outros amigos. Tudo isso parecia meio surreal para mim nos meses que vieram, Bob e a House Of Dread jogavam bola habitualmente. A palavra da vez naquele momento era "mantenha sua cabeça baixa".

Harlesden, Neasden, Shepherds Bush, a Harrow Road and Ladbroke Grove, todos esses lugares eram como nossos para a gente. A area toda era rodeada de músicos, lojas de discos, sound systems, clubs e shebeens (espécie de bar ilegal). Havia também algumas bandas novas muito boas - Shepherd Bushs, Zabandis, Freedom Fighters, e compartilhando espaço com outras a loja de discos Gangsterville na Harrow Road, Aswad, Tradition e a nossa Creation Rebel. 

O que aconteceu depois nacionalmente foi algo maravilhoso de assistir. Apareceu o que parecia ser um rompimento tomando lugar contra anos de lixo indulgente de grandes selos e gravadoras fadadas a morte. Uma grande MORTE aconteceu. Fanzines, selos e bandas sentiram-se como; "e se nós somente soubessemos duas notas?", no final poderiamos lançar algo e seriamos ouvidos. Escrevendo mais de um ponto de vista do Reggae, o crescimento de bandas como Steel Pulse e sua imagem da Ku Klux Klan se tornaram muito ressonantes. Todo o reggae britânico começou a achar a sua própria voz.

Indiscutivelmente totalmente inspirado pelas mensagens Jamaicanas como a de Bob "I feel like bombing a church" (sinto como se estive explodindo uma igreja), ou vamos lugar contra o sistema babilônico, os hipocritas e os opressores, um monte de musicos fora do mundo do reggae começaram a compartilhar dos mesmo sentimentos. O grupo do reggae que entendia porque "Sem Futuro" significava mas nunca havia entrado ou comprado a idéia, se reconheceram e entederam o que significava a luta de classes passando por olhares diferentes, e compartilhando sentimentos de injustiça e opressão... e muitos entre nós poderiam dizer tantas coisas que não seriam muitos diferentes hoje!

"The Punky Reggae Party" para mim foi o acontecimento que fez com que bandas como The Clash, the slits, The Pop Group, The Ruts e um monte de "new wave" acabou seguindo, todos influenciados pelo Reggae. Eu via membros de cada uma dessas bandas regularmente no público de nossas festas no 100 Club, Acklham Hall, The Rock Garden, The Rock Garden, The Greyhound e Dingwalls. Nossa banda, Creation Rebel com Prince Hammer, foi convidada para uma turnê com The Slits e The Clash, e os dj's viajavam junto com eles tocando reggae entre uma banda e outra e introduzindo a música para seus públicos.

A verdadeira conexão foi o 100 Club na Oxford Street. As terças a noite eram de Punk Night que eram feitas por Ron Watts. Ele também promoveu The Nags Head In High Wycombe na Union Venue em Uxbridge. Ron estava disponível para uma mini turnê com o Sex Pilstols e um monte de outras bandas, todas de uma certa distância de Londres. As noites de quinta no 100 Club eram de Reggae Night lideradas por casal de anciãos judeus, (outro) Ron e Nanda. Muitas vezes eu ia ver John Lydon, que era muito mais propenso as noites de quinta do que as de terça.

Um momento muito significante foi Lydon sendo convidado pela Capital Radio para apresentar um programa. Isso foi realmente antecipado e uma das primeiras coisas que ele fez foi tocar Dr. Alimantado - Born For A Purpose explicando como ele estava totalmente relacionado com a letra. Na mesma época Don Letts estava tocando reggae para multidão, entre um show de uma banda e outra no Roxy. Eu me lembro de outra noite quando JAH Woosh veio para um show no 100 Club e fez um outro de última hora para Sham 69!

A organização "The Rock Against Racism" foi um outro fator, muito importante e muito necessário. Respeito. Se você os mantivesse perto, eu não tenho dúvidas que qualquer um dos partidarios iriam comparecer em qualquer um dos shos do RAR. Os eventos do RAR eram diversificados, tinham The Clash, The Buzzcocks, Stiff Little Fingers e Elvis Costello dividindo o mesmo palco com bandas como Aswad, Steel Pulse e Misty In Roots. Ali havia definitivamente a palavra entre duas "culturas"e o que SUS, Brixton, Notting Hill e Southall tinham um sentimente de unidade crescendo e compartilhando.

Sobre a subjetividade da música Punky Reggae Party, eu ouvi algumas histórias diferentes sobre como a faixa foi produzido e dei uma pesquisada sobre. Lee Perry conta para todos que a música foi composta por ele. Conhecendo Lee como uma pessoa orgulhosa de si mesmo por não mentir, e eu não tenho razão para desacredita-lo, mas no 12inch lançado no Reino Unido pelo selo Island, Bob é citado como interprete e compositor. Entretanto, se você olhar nas prensagens jamaicanas (que foram lançadas pelo selo de Bob - Tuff Gong e pelo selo de Lee Perry - Black Art), o crédito ao artista interprete é dado a Bob Marley e Lee Perry, o que eu achei muito interessante. Dando uma boa olhada, aparentemente o dono da Island, Chris Blackwell o colocou como interprete e compositor da música, sempre buscando de várias táticas para promover e colocar Bob Marley no mainstream.

Eu primeiro falei como grande George Oban (baixista original do Aswad) e parece que a música originalmente foi gravada em Londres. George me contou que a faixa começou a ser produzida com Bob usando o Aswad como banda e Candie Mackenzie nos bancking vocals. A sessões de produção eram no estúdio da Island em St. Peters Square e aparentemente preparando a gravação. Leroy Sibbles (The Heptones) foi para a sala de gravação. Após ver Sibbles, Bob disse para George; "My youth mek Sibbles play the bass" (meu jovem deixe Sibbles tocar o baixo) e começou, como todos nós, um grande fan de Sibbles, George deu seu Fender e deixou a música ser gravada. Ouvindo a gravação finalizada aparentemente Chris Blackwell deve ter tomado a fita (de gravação) e "enxugou" (deletou) algumas performances de alguns músicos, que não ouviram mais ninguém da sessão de gravação desde então.

Para chegar ao ponto inicial disso, eu decidi ligar para Lee Perry e perguntar ao próprio sobre a música. Agora enquanto estou escrevendo eu liguei para Lee na Jamaica. Ele sempre teve um "treta"sobre essa música e eu perguntei a ele se poderia acertar os ponteiros. Lee disse que a música foi regravada, outra vez em Londres, naquele momento com a banda Third World na sessão ritmica. Não estando satisfeito, Lee gravou novamente a música na Jamaica no estúdio Joe Gibbs com Boris Gardner e outros músicos locais. Ele conseguiu arranjar de encontrar Bob Marley em Miami onde ele colocou voz na faixa e voltou para a Jamaica para mixar. Lee continua afirmando que foi ele que escreveu a música.

A última mensão vai para a pessoa que inspirou tantos e me deu a confiança e o encorajamento de arrebentar e tocar no ar toda Punky Reggae Party na National Radio, noite após noite, o grande John Peel. Descanse em paz os dois, John e Bob.

Adrian Sherwood @onusherwood

For more visit Adriansherwood.com.


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